Quem é Joaquim Barbosa? | Fábio Campana

Quem é Joaquim Barbosa?

Carlos Andreazza, O Globo,
Quem é Joaquim Barbosa? O que pensa? O indivíduo se filiou a antigo satélite petista, o que algo deveria comunicar; mas há quem julgue normal — saudável — pensar que poderia ser o DEM, ou qualquer outro, e então lhe cobrar posição sobre reforma da Previdência. Esse é o lugar utilitário em que se encontra a atividade política; esse em que ser desprezada não é somente vantagem, mas informação suficiente. Flanando acima dessa coisinha de partido, Barbosa não é apenas uma incógnita; mas uma atraente: um desconhecido absoluto que pontua perto de 10% em pesquisa. Que eleitor é esse, o que assim se dá? Será um antilulista, satisfeito com a memória sobre o trabalho do relator do mensalão em 2012? Em caso positivo, manteria sua intenção se lembrado da declaração pública do sujeito, de 2016, contra o impeachment de Dilma Rousseff, que chamou de espetáculo patético e de processo tabajara?

O advento Barbosa, erguido sobre a desinformação, já confundiu o jogo de todos os pré-candidatos competitivos a presidente, mobilizando reações que outra coisa não fazem que evidenciar o potencial de desordem no sistema contido na candidatura do ex-ministro do Supremo. Vencida a especulação Huck, acomodara-se a ideia de que o establishment expeliria facilmente qualquer ousado, qualquer forasteiro que intentasse concorrer. Aí está o desafiante da vez. O mais ensaboado possível. José Dirceu percebeu rápido. Chega a ser engraçada, porém, sua incapacidade de mapear o risco. Ciro Gomes também reagiu. Quando diz que é preciso “esperar a consistência de Barbosa”, expõe somente apreensão sobre qual discurso, e com que tom, o outro apresentará; sob qual forma tentará comunicar o apelo inegável do que representa. 

A ser mesmo candidato, Barbosa — associado ao combate à corrupção, mas com perfil eleitoralmente percebido como moderado — seria entrave a Jair Bolsonaro, para cuja estagnação no último levantamento Datafolha talvez seja resposta: ou o deputado encontrou um teto, ou teve seu crescimento comido pela presença da novidade. É preciso pensar no personagem Joaquim Barbosa — um Bolsonaro sem rejeição — tentando desconstruí-lo, tentando criticá-lo sob a gramática político-eleitoral. É exercício dificílimo. Quais fraquezas suas poderiam ser exploradas de modo a lhe tirar votos? Chame-o, com razão, com base em suas manifestações públicas, de autoritário — seu histórico no STF autoriza essa adjetivação. Explique na rua, porém, em que consistiria isso — personalista, centralizador, intransigente, impositivo, indisposto a negociar com políticos, avesso à ideia de partidos — e veja as pessoas reagirem a tal conjunto como um pacote de virtudes, motivos mais do que bastantes para votar no homem.

Barbosa talvez seja, afinal, o perfil modelar do gosto brasileiro atual. Não é um elogio. Mas a constatação do que seriam desejo e destino — quiçá a transformar Bolsonaro, um livro aberto, em saudade. Se otimista: o que nele hoje consiste em vigor eleitoral consistiria, uma vez eleito, na fraqueza para governar, na inviabilidade da atividade política, na impossibilidade crônica de administrar — na sombra de um impeachment. Se pessimista: o que nele hoje consiste em vigor eleitoral consistiria, uma vez eleito, na ascensão administrativa do já influente modelo jacobino de lidar com adversários e adversidades, e na formalização do governo do partido do sistema judicial — a naturalmente poder prescindir do Parlamento e, pois, da política.

(Foto: Nelson Jr/STO/STF)


5 comentários

  1. terça-feira, 24 de abril de 2018 – 12:21 hs

    MELHOR PERGUNTAR NO POSTO YPIRANGA NÉ,KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK!!!

  2. Doutor Prolegômeno
    terça-feira, 24 de abril de 2018 – 12:46 hs

    Em primeiro lugar, se ele é bom para Globo, então, é de se desconfiar. Segundo, um homem que largou o cargo de presidente do STF para se aposentar não é lá alguém que se possa admirar. Além disso, seu temperamento atrabiliário e sanguíneo é seu pior inimigo e, por conseguinte, dos brasileiros. Irascível e dono da verdade, se for eleito vai ser um novo Jânio Quadros ou algo pior. A conferir.

  3. RR
    terça-feira, 24 de abril de 2018 – 12:50 hs

    Coitado,se aparecer entre os cinco primeiros,que se de por satisfeito,o povo quer é se livrar desses lixo comunistas.

  4. Maquiavel
    terça-feira, 24 de abril de 2018 – 13:24 hs

    candidato do sistema.

    Ptista. Indicado por lula. No mensalão trabalhou para deixar lula de fora da denuncia.

    Vem por um partido que pede a liberdade de lula. Foi contra o impeachment da doida…

    Em suma…quando aparecer, será triturado pelos brasileiros de bem, que se informam.

  5. jucelino almeida
    terça-feira, 24 de abril de 2018 – 15:23 hs

    Ex juiz arbitrário, de esquerda,apenas colocado aí para fazer frente à olsonaro. sem chances, o faustão em seu programa, vivia falando, cuidado não vamos eleger salvador da pátria, se referindo é claro à bolsonaro, pois, a globolixo é comunista todo mundo tá cansado de saber. é de se perguntar ao faustão esse candidato da raça negra seria para vocês um salvador da pátria? porque no olho dos outros é refresco. e agora?

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