Pretexto e consequências | Fábio Campana

Pretexto e consequências

artigo de Marcello Richa

O embargo estabelecido pela União Europeia para a exportação de carne de frango brasileira, anunciada em 19 de abril e que afeta diretamente empresas do Paraná, levanta questões importantes a respeito de interesses econômicos internacionais e a necessidade de fortalecermos a credibilidade do país na área comercial.

O Brasil é o maior exportador de carne de frango do mundo e o Paraná é responsável por um terço de toda a produção nacional. Ou seja, muitas famílias vivem do trabalho da avicultura no estado e serão atingidas pelo embargo, que poderá gerar um prejuízo de até um bilhão por ano para o país, de acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

O embargo estabelecido pela União Europeia se baseia em uma suposta deficiência no sistema de controle da bactéria Salmonella. Atualmente a maior parte da exportação da carne de frango brasileiro é crua com adição de 1,2% de sal, um formato de produto que paga um imposto menor do que se fosse vendida “in natura” (sem adição de sal). Enquanto o primeiro passa por inspeção de 2,6 mil tipos de Salmonella, o segundo tem inspeção para apenas dois tipos diferentes da bactéria.

Não é novidade que os interesses comerciais se sobreponham aos relacionamentos entre países e blocos, porém essa decisão da União Europeia precisa ser vista com muita atenção. O impacto do embargo não será pequeno e poderá afetar até 35% das exportações da carne de frango brasileira, além de causar o fechamento de 30 mil vagas diretas e indiretas de trabalho.

Infelizmente sofremos com nossa própria ganância e abrimos brechas para que existam justificativas para esse tipo de ação. A 3ª fase da operação Carne Fraca revelou um esquema entre frigoríficos e laboratórios privados para concessão de laudos falsos em relação à presença da Salmonella, o que afetou diretamente a credibilidade de nossos produtos, oferecendo um pretexto perfeito para o embargo e diminuição da participação brasileira no mercado.

Algumas medidas já estão sendo tomadas para combater essa situação, como a ação do Ministério da Agricultura na Organização Mundial do Comércio (OMC), que afirma que a decisão da União Europeia é protecionista e utiliza questões de cuidados sanitários com interesse de criar uma barreira comercial, já que o Brasil cumpre o estabelecido pelo Acordo de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias.

Também estão sendo realizadas reuniões e debates com as empresas embargadas para promover as adequações necessárias em relação às novas exigências sanitárias. Uma vez que isso esteja finalizado, o Brasil deverá solicitar uma missão junto a União Europeia para comprovar que os produtos estão aptos para exportação.

É necessário união entre todos os setores para reverter essa situação com urgência, buscando maior e constante fiscalização, legislações atualizadas e específicas no segmento, segurança jurídica e implantação de programas que fortaleçam o essencial trabalho do agronegócio. Assim poderemos recuperar a credibilidade brasileira no mercado, bem como promover ações que evitem margem para que situações semelhantes possam acontecer novamente.


Marcello Richa é presidente do Instituto Teotônio Vilela do Paraná (ITV-PR).


3 comentários

  1. Olho Vivo
    quinta-feira, 26 de abril de 2018 – 8:37 hs

    Realmente há de se concordar com alguns jornalistas quanto ao estranho interesse do rebento de Beto Richa pelos frangos de uma hora para outra.
    Dificil criar uma imagem na cabeça onde conste o ex secretário municipal de esportes brincando com galinhas ou colhendo ovos ou atirando de estilingue em desavisados frangos no terreiro.
    De uma hora para a outra o rapaz resolve escrever sobre algo que nunca ouviu falar, como diz minha neta, “fora da casinha”.
    Mude o discurso, fale sobre temos que visem melhorar a educação no estado do Paraná por exemplo, quem sabe até incluir litígios com professores.
    Quem sabe, projetos de reurbanização de favelas que nunca sai do papel, como a do Parolin que é um reduto eleitoral da mãe do jovem candidato.
    Apenas uma idéia!

  2. André Jamal
    quinta-feira, 26 de abril de 2018 – 10:34 hs

    Marcello é um jovem que tem a politica no DNA. Eu disse política, e não politicagem.
    Tem uma história longa, que está apenas começando. Com certeza, será a continuidade do grande e glorioso trabalho que a família Richa tem feito pelo Paraná, desde a época do saudoso José Richa, seu avô. Marcello não me conhece, nem sabe da minha existencia, mas o acompanho nas redes sociais, e, é muito louvavel sua postura.
    Se for realmente candidato à deputado, tem meu apoio e de minha familia.

  3. Tonho
    quinta-feira, 26 de abril de 2018 – 10:43 hs

    marceLLo !! vai procurar emprego como todo mundo !!!!!!

Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*