A fala do general e a quem ela serve | Fábio Campana

A fala do general e a quem ela serve

Ricardo Noblat,
Cuidadosamente mal redigida para disfarçar o que diz, alvejar o alvo certo, porém oculto, e ameaçar como se apenas advertisse, a nota assinada pelo general Eduardo Villas Bôas, comandante do Exército, e postada em sua conta pessoal no twitter, porque é de nota que se trata, foi uma clara, descabida e perigosa interferência na vida institucional do país.
O chefe das Forças Armadas, segundo a Constituição, é o presidente da República. É ele, e somente ele, portanto, quem em nome delas pode falar sobre temas políticos de repercussão geral. Aos comandantes das três armas – Exército, Marinha e Aeronáutica -, cabe falar sobre assuntos administrativos e aqueles diretamente afeitos aos cargos que ocupam.

Militar não é igual a civil. O que os distingue não é só a farda que um veste e o outro não. Militar tem acesso a armas pesadas, pilota brucutu, maneja tanques e é treinado para matar. Se um deles fala qualquer coisa, soa diferente do civil que diga o mesmo. Porque um tem a força capaz de pulverizar literalmente quem quer que seja. O outro, só a força da palavra.

A fala do general Villas Boas não foi a de um chefe que se dirige aos seus subordinados. Foi um pronunciamento à Nação em nome do “Exército brasileiro” e a propósito da situação que vive o país. Com o objetivo de assegurar que o Exército compartilha “o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade” e de respeito às leis e à paz social.

Não faltou na fala do general a provocação travestida de pergunta que ele dirige diretamente “ao povo” e a instituições não nomeadas: “Quem realmente está pensando no bem do país e das gerações futuras e quem está preocupado apenas com interesses pessoais?” Para, por fim, afirmar que o Exército “se mantém atento às suas missões institucionais”.

O momento escolhido por Villas Bôas para dizer o que disse não se deveu ao acaso. O que ele disse tampouco guarda qualquer grau de parentesco com o apelo à serenidade feito na véspera pela presidente do Supremo. As ruas estavam repletas de manifestantes. E o Supremo, a menos de 24 horas de retomar um julgamento que galvaniza o país e pode incendiá-lo.

A reação do presidente da República à fala do general foi nenhuma. Os políticos a engoliram a seco. Uns poucos ousaram comentá-la na tentativa de ajustá-la às suas próprias conveniências. Em compensação, esbaldaram-se com a fala as novas vivandeiras de quartéis que em nome da ordem pregam a desordem e o colapso da democracia entre nós.

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)


18 comentários

  1. Doutor Prolegômeno
    quarta-feira, 4 de abril de 2018 – 13:51 hs

    Vivemos novos tempos de vivandeiras alvoroçadas, profetas fanáticos e alucinados de todo gênero, pregando o apocalipse e o fogo do inferno aos infiéis e hereges. Jejum e autoflagelação é a penitência.

  2. ciro
    quarta-feira, 4 de abril de 2018 – 14:04 hs

    NINGUEM COMENTOU PORQUE TODOS TEM O RABO PRESO E PORQUE NÃO HONRAM AS CALÇAS QUE VESTEM, SÃO TODOS CAGÕES HOMENS DE MERDA. O SUPREMO POR SUA VEZ É O ÓRGÃO MAIS CORRUPTO POIS SE ENTREGA AOS POLÍTICOS DE CALÇAS ARRIADAS. PARABÉNS AO GENERAL QUE APENAS EXTERNOU O QUE A MAIORIA DA POPULAÇÃO GOSTARIA DE FAZER. LEMBRANDO QUE ANTES DE SER MILITAR O GENERAL É UM CIVIL E CIDADÃO COMUM COMO TODOS NÓS.

  3. BETÃO
    quarta-feira, 4 de abril de 2018 – 15:43 hs

    Vivemos em um momento determinante neste Pais. Ou o STJ age com rigor com esses bandidos ou solta todos esses vagabundos. Deixa Lula solto pra continuar pregando o ódio, dividindo o Brasil, assaltando os cofres públicos e fortalecendo sua ideologia comunista.
    Bando de covardes, vagabundos e canalhas.

  4. Edson Luiz
    quarta-feira, 4 de abril de 2018 – 15:58 hs

    Ricardo Noblat, me trouxe, com esse texto uma pequena esperança de que ainda há gente lúcida neste país. Em um país realmente democrático e com cidadãos que sabem o real valor disso, esse general já estaria respondendo por seus atos.

  5. junior
    quarta-feira, 4 de abril de 2018 – 16:02 hs

    O General sinaliza que a paciência – como um todo – está praticamente esgotada. Grande maioria da população já clama por intervenção e, convenhamos, considerando o desprestígio direcionado às Forças Militares nos últimos governos de esquerda é compreensível que as manifestações de alerta do tipo apareçam.
    Pois que se observem essas manifestações como sinais da necessária correção dos rumos da política e da administração pública como um todo (correção de vícios nos três poderes).
    Ou, lamentavelmente, abrem-se as portas para a correção por processo de revolução, sempre traumático e nem sempre de todo justo.
    Se acontecer, a culpa é de quem tendo o poder de correção dos rumos do país, preocupou-se em acumular riquezas pessoais, em exercer o desmando, em privilegiar a impunidade e o desmando em todas as esferas de governo. A sociedade obviamente não aguenta mais isso e clama por socorro, venha de onde vier: seja de bons e honestos homens de gravata ou, na falta destes, de sisudos e honrados homens de farda.

  6. Parreiras Rodrigues
    quarta-feira, 4 de abril de 2018 – 17:11 hs

    Mas quem prega a desordem é o PT, via Stédile, Boulos, Gleici, Lindbergh e outros porra loucas.
    Há que se movimentar o quartel sim, para estancar no nascedouro, o rebento duma Nova Nicaraguá. Por quê no te calas, Noblat?

  7. Roque Alves
    quarta-feira, 4 de abril de 2018 – 17:37 hs

    “A Dinastia Inconfidente do Regime Presidencialista do Brasil”… A soberania popular não funciona no Brasil… Urge que o Congresso Nacional adote gesto soberano, a estabelecer autonomia de prerrogativas do Parlamento brasileiro, ao passo de reparar as incongruentes atitudes entre as diversas instâncias de poder, donde possa garantir os interesses democráticos do povo brasileiro…

  8. Jorge
    quarta-feira, 4 de abril de 2018 – 20:12 hs

    Nessa discordo do Noblat. contra a corrupção generalizada o mal menor seria uma intervenção militar

  9. Moisés Fróes
    quarta-feira, 4 de abril de 2018 – 20:24 hs

    Mas, quando a democracia está em perigo por culpa dos petistas e do STF, as Forças Armadas devem sim interferir.

  10. eloy giraldi
    quinta-feira, 5 de abril de 2018 – 9:13 hs

    #tamojuntogeneral

  11. ESTAMOS DE OLHO
    quinta-feira, 5 de abril de 2018 – 9:43 hs

    PORQUE O ESPANTO, O COMANDANTE NAO
    FALOU NADA DE MAIS,TODOS OS BRASILEIROS
    DE BEM ESTAO ATE AS TAPAS COM TANTA SAFADESA
    DE GOVERNOS QUE ROUBAM NO BRASIL E PENSAM
    QUE ESTAO ACIMA DA LEI,QUANDO ESTE CONDENADO
    FICA DIZENDO QUE NAO VAI RECONHECER SETENÇAS
    CONTRA ELE,AI VEM GENTE CRITICAR O COMANDANTE
    PARA COM ISSO GENTE.

  12. QUESTIONADOR
    quinta-feira, 5 de abril de 2018 – 11:03 hs

    -O jornalista Ricardo Noblat redigiu de forma totalmente equivocada esta nota!!!
    1)O General Villas Boas manifestou-se como cidadão brasileiro preocupado com o destino do País. País este que jurou defender perante o Pavilhão Nacional;
    2)Nenhum político se atreve a reprimir o General Villas Boas. Ainda que fosse um pronunciamento oficial, pois o General tem em sua extensa carreira militar, méritos e acima de tudo, o respeito conquistado perante a tropa!!!
    3)No Exército e nas demais Armas não há vivandeiras como o jornalista afirmou. Há cidadãos que colocam a própria vida em nome do País. Sentimento este de difícil interpretação e compreensão pelos civis!!! Tantos nas FFAA como a maioria dos cidadãos honestos e de bem querem um País justo, honesto em que os Símbolos Nacionais sejam respeitados e que haja Ordem e Progresso para que possamos viver em paz e nos desenvolvermos conforme o anseio de todos os patriotas!!!
    4)Por último: não se discute com quem tem o poder constitucional das armas!!!

  13. RR
    quinta-feira, 5 de abril de 2018 – 16:51 hs

    FALA PERIGOSA PARA OS VAGABUNDOS,PARA OS CORRUPTOS.

  14. glorioso
    sexta-feira, 6 de abril de 2018 – 17:46 hs

    Apóio o General, a culpa de tudo que está acontecendo é do próprio povo que foi às ruas incentivado por comunistas, pedir a saída dos militares. Os Generais Geisel e Figueiredo alertaram que abririam para a redemocratização mas mais tarde o povo se arrependeria, e está acontecendo! VAMOS GENERAL! TOME LOGO O PODER!

  15. glorioso
    sexta-feira, 6 de abril de 2018 – 17:47 hs

    Apóio o General, a culpa de tudo que está acontecendo é do próprio povo que foi às ruas incentivado por comunistas, pedir a saída dos militares. Os Generais Geisel e Figueiredo alertaram que abririam para a redemocratização mas mais tarde o povo se arrependeria, e está acontecendo! VAMOS GENERAL! TOME LOGO O PODER! VAMOS PARA A LUTA!

  16. glorioso
    sexta-feira, 6 de abril de 2018 – 17:51 hs

    O governo militar só era ruim para pessoas que queriam andar fora da linha como políticos vagabundos e “intelectuais” igualmente vagabundos ( artistas e jornalistas subversivos) , para pessoas de bem o governo militar era ótimo.

  17. sexta-feira, 6 de abril de 2018 – 20:52 hs

    Eu acredito na democracia. Quem quer ditadura militar que vá morar no Zimbábue, ou vai pra Venezuela que tá quase virando ditadura… Aqui é democracia.

  18. sexta-feira, 6 de abril de 2018 – 21:00 hs

    Glorioso….sabe a década de 80? A superinflação? Os grupos de criminosos organizados (Pcc e comando vermelho)? É tudo culpa dos militares, eles estragaram a economia, a população empobreceu, e nós da classe média ficávamos lá em paz, vendo mulher quase pelada na Globo junto com as crianças no domingo a tarde. Paz = retardamento né, porque deixar o filho de 6 anos ver banheira do gugu, e a Xuxa de maiô todos os dias da semana num programa infantil, significa que o governo militar deve ter danificado o cérebro dos adultos da época.

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