Moro cresce e o STF se apequena | Fábio Campana

Moro cresce e o STF se apequena

Ricardo Noblat

O juiz Sérgio Moro não teve adversário na primeira entrevista exclusiva que concedeu a uma emissora de televisão desde os primeiros passos da Operação Lava Jato, lá se vão quase quatro anos.

Disse o que quis, da maneira que quis, sem deixar-se intimidar e, é bem verdade, sem que ninguém ao seu redor tivesse demonstrado disposição para tal. De certa forma, todos foram reverentes com ele.

Não fugiu a nenhuma pergunta da bancada de cinco jornalistas comandada por Augusto Nunes, em sua última aparição como apresentador do programa Roda Viva, da TV Cultura.

Foi hábil ao não criticar uma só decisão do cada vez mais controverso Supremo Tribunal Federal. Nem por isso negou-se a afirmar que o eventual fim da prisão em segunda instância será “um passo atrás”.

Elogiou os ministros Edson Fachin e Celso de Mello. Marcou sob pressão a ministra Rosa Weber, a quem também elogiou. Evitou bola dividida ao não mencionar os ministros Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso

O destino de Lula, para Moro, é caso liquidado. Uma vez que o condenou, e que o tribunal de Porto Alegre, por duas vezes, confirmou a condenação, a Moro só cabe mandar prendê-lo quando, e se o Supremo o permitir.

Caso não permita, sugeriu então que se pressionem os candidatos a presidente da República para que se comprometam em restabelecer a prisão em segunda instância por meio de uma emenda à Constituição.

Diante de uma plateia, àquela altura, extasiada e feliz com a informação de que a entrevista era o assunto mais citado no twitter mundial, Moro deu-se ao luxo de se comportar até como o candidato que não será.

À vontade, defendeu o povo brasileiro da suspeita de que seja tolerante com a corrupção, orientou-o para que vote melhor nas eleições de outubro e ainda deixou uma mensagem de esperança no futuro do país.

Show de bola. Venceu de 7 a 1. Ou melhor: de 7 a 0. (Certamente para tristeza de Gilmar Mendes!)


6 comentários

  1. Doutor Prolegômeno
    terça-feira, 27 de março de 2018 – 14:58 hs

    Uma bancada de admiradores.

  2. NÃO VOTE EM QUEM JÁ FOI
    terça-feira, 27 de março de 2018 – 14:59 hs

    O placar foi de 11 x 0, uma vez que o Moro sózinho vale mais como magistrado do que os onze ministros do STFM (Supremo Tribunal Federal de Merda).

  3. Antonio
    terça-feira, 27 de março de 2018 – 15:39 hs

    Ponderado, pés no chão, ciente da responsabilidade e pautado exclusivamente na lei (que só tem um lado. Não são dois ou três lados como querem fazer crer os condenados).

  4. AMARANTE MELLO REGO
    terça-feira, 27 de março de 2018 – 19:12 hs

    Só que o STF não gosta disso,eles não aceitam um Juiz petulamte e com isso ,ponto para o Lula.

  5. veredito
    terça-feira, 27 de março de 2018 – 20:14 hs

    Eu quero acreditar que ninguém está acima da Lei. Nem os integrantes do STF. E tem mais, o respeito pela Constituição também deve existir por parte destes julgadores.O que buscam os membros do STF senão cumprir a Lei em defesa da sociedade? O que seria do país se os brasileiros perdessem o respeito pela Lei? Então, só restaria uma solução: as forças armadas, ultimo recurso a ser usado numa situação de clima de guerra,tomariam uma posição democrática e fariam voltar a paz nesta Nação. Ao menos por um bom tempo, até que esta caterva saia deste mundo. Mas como ainda acredito no STF, estou certo que a Lei será cumprida com o ex-presidente, assim como é cumprida com qualquer sujeito que rouba e mata. Sim, Lula não é um preso politico e nem um preso especial: é um preso comum que infringiu a Lei e por isto foi condenado e deve ser preso como milhares de lulas que entopem os presídios. Lula não é melhor do que ninguém.

  6. terça-feira, 27 de março de 2018 – 20:27 hs

    Como já dizia meu nonno: L’invidia è una brutta bestia che mangia l’ invidioso!

Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*