"Estamos perdendo a soberania nacional", diz Lula em Curitiba | Fábio Campana

“Estamos perdendo a soberania nacional”, diz Lula em Curitiba

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerra nesta quarta-feira (28), em Curitiba, uma agitada caravana pelo Sul do Brasil, durante a qual dois ônibus de sua comitiva foram alvo de tiros. O evento de apoio a Lula começou às 17h30, na Praça Santos Andrade, no Centro de Curitiba. Lula subiu ao palco montado na praça lotada às 19h50. Ao subir no palco, acompanhado de crianças, Lula foi ovacionado. As informações são do Bem Paraná.

Ele comentou sobre os atentados sofridos por sua caravana em passagem pelo Paraná. “Entramos no Paraná. E pensei: é um estado tranquilo. Mas chegamos na fronteira e avisaram que estavam bloqueando a entrada de Francisco Beltrão. Nós demos a volta e enrolamos eles. Chegamos lá, tinha gente deles lá. Depois fomos em Foz do Iguaçu, lá tacaram pedra. Fomos para Quedas do Iguaçu até que em Laranjeiras aconteceu os tiros. Tem que responsabilizar”, disse Lula.

“Em São Borja, só queríamos fazer uma homenagem ao Getúlio e um protesto contra o que estão fazendo com os trabalhadores. Eles soltavam rojão e eu dizia, ‘não solta, deixa pra soltar dia 1º de janeiro, quando eu tomar posse como presidente”, reafirmou.


“Temos mais de 500 capas de jornais falando mal de mim. O que não se conformam é que quanto mais falam mal de mim, mais eu cresço nas pesquisas. Alguns ontem defenderam os ataques à caravana. E a imprensa extrangeira atacou os fascistas. Aí hoje todo mundo mudou de opinião”, disse. “Ninguém pode dizer que Lula é agressivo. Nunca viram um ataque contra qualquer outro candidato”, afirma.

Lula também aproveitou para enaltecer conquistas de seu governo, em discurso de campanha. “Nós temos que ter claro o que está acontecendo nesse país. Estamos perdendo a soberania nacional”, criticou.

O ex-presidente disse que vai processr a Netfilx por distorções na série “O Mecanismo”, que dramatiza histórias da Operação Lava Jato. “Vamos processar. Não interessa se é no Brasil, nos Estados Unidos”, afirmou Lula, que figura como personagem copm nome fictício na série.

Sobre sua condenação na operação, Lula disse que torce para que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgue o mérito da ação que o condenou em segunda instância a 12 anos de prisão. “”Eu não tenho nada contra a Lava Jato. Eu tenho contra a mentira. Eu não quero morrer sem ver o William Bonner começar o Jornal Nacional pedindo desculpas a mim e a minha família.”, disse.

Lula finalizou seu discurso dizendo que ‘nunca teve tanta vontade de disputar uma eleição’. “Somos brasileiros e não desistitmos nunca”, finalizou. Após quase seis horas, o ato terminou às 22h.

Outros discursos

Após a chegada de Lula, a ex-presidente Dilma Rousseff assumiu o microfone e falou sobre atos de violência que ocorreram contra apoiadores de Lula durante a caravana. “Agrediram quatro mulheres, uma delas com câncer. Dispararam contra os ônibus e graças a Deus não feriram ninguém”, disse.

“O que pode fazer um homem que começa um discurso falando em matar? Integrantes do MBL fazem parte desses grupos”, acusa Dilma, ao mencionar manifestações contrárias ao petista.

Dilma criticou a postura de opositores frente aos ataques sofridos pela caravana. “Uma senadora do Rio Grande do Sul (Ana Amélia-PP) defendeu a lei da chibada dizendo que agora é hora de atacar a caravana. Outro foi o governador de São Paulo Geraldo Alkmin. Os dois voltaram atrás, depois da reação popular”, disse.

A ex-presidente também criticou a série “O Mecanismo”, da Netflix. “Temos que falar sobre as fake news (notícias falsas). A série promoveu uma fake news. Colocaram na boca do presidente Lula a fala do senador Roméro Jucá (PMDB) sobre ‘estangar a sandria’. Isso não é liberdade dramática. É uma distorção dos fatos”, critica.

O presidente do PT do Paraná falou sobre manifestações públicas do juiz federal Sérgio Moro, que condenou Lula em primeira instância no caso Triplex. “Nas manifestações da direita, Moro sempre publicava elogios. Agora, silencia”, disse.

Antes disso, líderes e apoiadores do ex-presidente, como Fernando Haddad (PT-SP), Lindbergh Farias (PT-RJ) e outros discursaram no palanque. Políticos como o senador Roberto Requião (PMDB) e senadora Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, estiveram no ato.

Requião afirmou que Lula ainda pode ser presidente. Ele enalteceu o governo petista. “Barack Obama o chamava de ‘O Cara’. Mas aí veio um golpe parlamentar. Venda de usinas hidroelétricas. Três foram vendidas em Minas Gerais. E aplicaram o liberarismo econômico falido na Europa. Havia uma esperança da devlução da dignidade do povo brasileiro. Que era a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As acusações contra Lula são absurdas. O Brasil era a 7ª potência econômica do mundo. Como podem imaginar que esse presidente dessa potência atuou em corrupção por um apartamento em uma praia pouco badalada em São Paulo?”, questiona.

Os presidenciáveis Guilherme Boulos (PSOL) e Manuela D´Ávila (PCdoB) também subiram ao palco. Manuela disse que o ato uniu diversas organizações. “Diferentes formas de combater o golpe que vivemos. A judialização da política brasileira quer tirar Lula da corrida eleitoral”, disse.

Boulos culpou Bolsonaro pelos tiros disparados contra a caravana de Lula. “”Quem apertou o gatilho é quem semeia odio. Temos que responsabilizar Jair Bolsonaro por isso. Hoje faz duas semanas do assassinato cruel da vereadora Marielle Santos. Quem matou Marielle foi quem semea o ódio”, acusou.

Os diversos discursos estenderam o ato para além do previsto. Os apoiadores do ex-presidente começaram a chegar por volta das 16 horas e muitos permaneceram na praça até o fim. Segundo a Polícia Militar (PM), 3 mil pessoas acompanharam o ato.

A 1 km do local, integrantes do MBL (Movimento Brasil Livre) realizaram uma concentração após carreata para criticar a caravana. O policiamento foi reforçado no Centro da Capital. Mas por volta das 20h havia menos de 30 manifestantes na Praça Dezenove de Dezembro.

Dois dos três ônibus da caravana do ex-presidente Lula foram atingidos por quatro tiros na noite desta terça-feira (27), no Paraná. Um dos veículos, que era ocupado por jornalistas e era o último do comboio, teve duas perfurações na lataria — dos dois lados. Outro tiro atingiu de raspão um dos vidros. Ninguém se feriu. O outro ônibus atingido por um tiro levava convidados e estava no meio da comitiva — onde geralmente segue o veículo do ex-presidente.

Mais cedo, o presidenciável e deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) foi recebido por uma multidão, no aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais. Em rápido discurso, o presidenciável prometeu “varrer a corrupção” do País e disse que a manifestação era espontânea. “Não adianta criar rótulos contra a minha pessoa. Podem me chamar de tudo, só não me chamam de corrupto. Nós vamos varrer a corrupção do nosso Brasil”, afirmou ele. “Não estamos fazendo comício. Aqui não tem um centavo meu para qualquer tipo de campanha”, disse o parlamentar.


8 comentários

  1. Jaferrer
    quarta-feira, 28 de março de 2018 – 22:45 hs

    Blá, blá, blá… Bando de idiotas; esperamos que a justiça logo se faça e esse embuste seja sepultado politicamente para sempre.

  2. Julio zumuda
    quarta-feira, 28 de março de 2018 – 22:46 hs

    Mesmo veneno

  3. Julio zumuda
    quarta-feira, 28 de março de 2018 – 22:49 hs

    Cara de pau
    Lembra discurso Zé Dirceu
    Bater pessoas
    O que o MST faz quem manda?

  4. COMANDO
    quinta-feira, 29 de março de 2018 – 9:02 hs

    Arrugante, o povo te conhece.

  5. BETÃO
    quinta-feira, 29 de março de 2018 – 9:27 hs

    Ladrão safado.
    Câncer do BRASIL

  6. ESTAMOS DE OLHO
    quinta-feira, 29 de março de 2018 – 9:33 hs

    isto e fogo amigo,e so para causar
    quem nao percebeu que e coisa dos
    petista para vitimizar o luladrao.

  7. Rr
    quinta-feira, 29 de março de 2018 – 11:48 hs

    Maior LIXO que já veio ao mundo.

  8. AMARANTE MELLO REGO
    quinta-feira, 29 de março de 2018 – 13:36 hs

    Quantas testemunhas tinham no pique nique do Bolsonaro e o Frota?

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