Ensino médio agoniza à espera da reforma | Fábio Campana

Ensino médio agoniza
à espera da reforma

Censo Escolar do ano passado dá a dimensão dos problemas ao identificar a existência de 2 milhões de jovens que estão fora das salas de aula.

Editorial, O Globo

A renitente crise do ensino médio se consolida como um dos aspectos mais graves das dificuldades na educação brasileira, demonstra o Censo Escolar de 2017. A situação é séria, porque se trata de jovens malformados que, se conseguirem passar para uma faculdade — certamente privada —, terão grandes dificuldades para se qualificar, e, caso entrem no mercado de trabalho como mão de obra de formação média, encontrarão enormes obstáculos na adaptação a sistemas tecnológicos de produção mais sofisticados.

O atoleiro em que se encontra o ensino básico como um todo — com preocupantes reflexos no ensino superior — começou a ser identificado com alguma precisão assim que, a partir dos governos FH, com sequência nas administrações de Lula e Dilma, foram criados testes e indicadores para servirem de painel de controle da Educação.

Nos governo tucanos, atingiu-se a meta da universalização nas matriculas no ciclo fundamental, e, a partir deste ponto, tornou-se evidente que a grande batalha era, e é, a da melhoria da baixa qualidade do ensino. Não tem sido fácil.

Há avanços no fundamental, porém o ensino médio não deslancha. O Censo, por exemplo, identifica uma queda de 8,1 milhões de matrículas, em 2016, para 7,9 milhões no ano passado. Há o fator positivo da redução nas reprovações, porém, existe também desinteresse de jovens na faixa dos 15 a 17 anos em continuar ou estar na escola. Comparado com dados populacionais do IBGE, o Censo Escolar do ano passado indica haver 2 milhões de jovens sem estudar. Parte deles, “nem-nem” — nem estuda, nem trabalha. Calcula-se uma evasão de 11,2%, índice elevado.

Quanto à qualidade do ensino propriamente dito, ela pode ser mensurada pelo exame internacional Pisa, aplicado entre os países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em que o Brasil costuma aparecer nos últimos lugares.

Um ensino médio travado tem implicações graves para o país, que assim vai perdendo o “bônus demográfico” — a parcela da população de jovens em idade de trabalho, que, se for bem qualificada, torna-se fator essencial para o país subir de estágio de desenvolvimento. Toda nação rica passou por esse processo. O Brasil não tem conseguido se aproveitar, como poderia, deste “bônus”, que se esgota com o tempo, à medida que a população envelhece.

As esperanças estão na reforma do ensino médio, aprovada no ano passado pelo Congresso, com a criação de áreas de interesse à disposição dos estudantes, inclusive o ensino profissional. Deve reduzir a evasão, algo importante.

Mas ela depende da conclusão da Base Nacional Curricular do Ensino Médio, ainda não divulgada. Há, portanto, a necessidade de coordenação entre essas ações, para um enfrentamento amplo desta crise. E o tempo passa.


4 comentários

  1. PEDROCA DO SUDOESTE
    sábado, 3 de fevereiro de 2018 – 19:50 hs

    Faz tempo ,mais de uma década que se fazem leis, códigos, enfim algos na educação, mas só no PAPEL. O que realmente tem acontecido nos últimos tempos,é que muitos professores fazem de conta que ensinam, e os alunos fazem de conta que aprendem, se tornou um vicio, Cada vez se ensina menos, com todas as ferramentas que se dispõe nos dias de hoje, Se aprendia muito mais antigamente.

  2. PEDROCA DO SUDOESTE
    sábado, 3 de fevereiro de 2018 – 20:01 hs

    Muitos jovens estão fora da sala de aula, para trabalhar, ajudar a sustentar a família, não é díficil de entender, principalmente as classes C e D. Basta fazer uma pesquisa, e é muito fácil de entender, é um problema conjuntural ,associado a economia.Outra coisa, as tais BOLSA FAMÍLIA, não fiscalizam corretamente se os beneficiários realmente estão indo a escola, o que era feito na época da então BOLSA ESCOLA, lembro-me bem.

  3. Do interior
    sábado, 3 de fevereiro de 2018 – 21:46 hs

    Também, com os partidos de esquerda tomando conta dos sindicatos de professores. Prevalência do assunto sobre transexuais e da história sob o prisma socialista na sala de aula, devido aos professores serem cooptados por essa ideologia, nefasta, retrógrada e falida, só podia dar nisso.

    No ensino fundamental não se pode reprovar, porque, segundo esses “especialistas ” reprovar pode causar traumas psicológicos. Logo, não aprendem, desestimula-se pelo não aprendizado ( não pelo método) e tudo fica como os governos de esquerda querem: pessoas sem educação de verdade.

  4. domingo, 4 de fevereiro de 2018 – 16:43 hs

    Seria muito importante se os comentários deste Blog fossem lidos pelos nossos governantes, os alunos não aprendem porque quem recebe para ensinar não ensinam, eles abandonam as escolas porque ela não é atraente, falta dinamismo nos docentes e capacidade de inovar, o governo não fiscaliza os docentes e eles ficam muitos a vontade sem se preocupar com desenvolvimento das turmas. Os gestores de escolas na ampla maioria, só são gestores por interesses não por capacidade, troçam seis por meia dúzia e ta tudo bem. O maior erro do governo é dar 05 aulas por semana de português e cinco de matemática, os professores dessa disciplina manipulam tudo e todos e não tão Nei ai com o resultado, e lamentável que alunos concluem o ensino fundamental sem saber a tabuada com cinco aulas semanal de matemática. Isso sem falar no português sem comentário.
    Quando mudar o método de fiscalização dos professores terá mudança na educação brasileira, para os professores governo bom é governo que aumenta salário, governo que cobra rendimento é mau governo.

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