O ministro da guinada econômica | Fábio Campana

O ministro da guinada econômica

À frente da Fazenda, Henrique Meirelles começou a colocar a economia nos eixos, depois de o País enfrentar a pior recessão da história, e criou o ambiente necessário para que o Banco Central reduzisse os juros para a menor taxa desde 2013.

Octávio Costa, IstoÉ

Em 1984, quando era 1º vice-presidente do BankBoston no Brasil, Henrique Meirelles foi convidado a participar de um curso na Harvard Business School que ensinava executivos a lidar com a economia de guerra. Em tempos de paz, o curso intensivo de quatro meses, criado durante a Segunda Guerra Mundial, é voltado especificamente para a gestão de crise. Mal sabia a direção do BankBoston que, com base, em parte, no conhecimento que adquiriu em Harvard, Meirelles ajudaria o Brasil a vencer duas graves crises econômicas. A primeira em 2008, quando era presidente do Banco Central e superou a repercussão mundial da insolvência do mercado de prime rate dos EUA. E a segunda, este ano, quando, à frente do Ministério da Fazenda, usou toda sua experiência para tirar a economia nacional da pior recessão da história. Não há crise que resista à dedicação e ao talento de Henrique Meirelles, eleito Brasileiro do Ano na Economia.

Aos 72 anos, Meirelles não tem tempo para falsa modéstia. Ele reconhece que cumpriu papel estratégico. Mas faz distinção entre os dois momentos. “Na primeira crise, em 2008, tivemos de contornar o súbito corte das fontes de crédito internacionais. Foi uma missão mais simples do ponto de vista técnico”, explica. Agora, no comando da Fazenda do governo Temer, o desafio, segundo ele, foi muito maior. “Coube-nos enfrentar a maior e mais profunda recessão de nossa história, maior até mesmo do que a dos anos 30. Fomos forçados a lidar com várias questões ao mesmo tempo”, afirmou Meirelles à ISTOÉ. Em primeiro lugar, diz, havia o enorme déficit público. Pesava também a inflação e o desemprego em alta, que provocavam uma desconfiança crescente de empresários e consumidores.

Diante do quadro debilitado que herdou do governo Dilma, Meirelles concluiu que só havia um caminho a tomar: dar um choque de confiança nos agentes econômicos. E foi o que fez. Como cartão de visita, defendeu a necessidade de se estabelecer um rigoroso teto para os gastos públicos nos próximos anos. E conseguiu que o Congresso aprovasse o remédio, apesar de amargo. Em seguida, apoiou o projeto de reforma trabalhista, que alterou vários pontos da CLT, numa iniciativa há muito reivindicada pelas entidades empresariais. Em outra frente, deu prioridade à mudança nas regras da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), praticada pelo BNDES, que deixou de ser subsidiada. Simultaneamente, o Banco Central reduziu os juros básicos para 7,5%, a menor taxa desde 2013. O próximo passo será a reforma da Previdência. Meirelles constata, com sorriso contido, que seu antídoto contra crise está surtindo efeito.


9 comentários

  1. jonas
    domingo, 3 de dezembro de 2017 – 13:37 hs

    Dos candidatos que estão aí, é o melhorzinho

  2. José Antonio Comegno Filho
    domingo, 3 de dezembro de 2017 – 13:42 hs

    De tão talentoso e fabuloso economista foi gestor do maior grupo de propinas do mundo chamado JBS e que ninguém expõe isso na mídia!se faziam e ele era presidente da Holding no mínimo era informado……

  3. Uncle Joe 100
    domingo, 3 de dezembro de 2017 – 18:46 hs

    Para a sorte de uns e o azar de milhões de esquerdopatas o ministro da Fazenda deu conta do recado desde o começo da sua gestão. Mas também pudera, a única coisa certa a fazer era cortar na carne e, ainda com a faca pingando convencer os donos da grana de que estava fazendo a coisa certa foi uma moleza.

  4. Palpiteiro
    domingo, 3 de dezembro de 2017 – 19:46 hs

    A boa e velha assessoria de imprensa dos banqueiros. Até um sujeito horrível parece lindo.

  5. Jesiel
    domingo, 3 de dezembro de 2017 – 20:47 hs

    Com a aposentadoria que possui, até eu seria defensor da reforma previdenciária pra agradar o mercado financeiro. Hipócrita

  6. Robert Watson
    domingo, 3 de dezembro de 2017 – 23:48 hs

    hahahaha…vcs são uma comédia.
    Ele era o presidente do Banco Central nos dois governos do Lula e foi cúmplice de toda a palhaçada do crédito abundante sem critério.
    Quase foi candidato do Lula ao governo de SP.
    E a Globo elogiando pibinho de PASME! 0,1% !!
    Chego à conclusão que o analfabetismo funcional é muito mais extenso do que parece.

  7. Deryk Zacharias
    segunda-feira, 4 de dezembro de 2017 – 11:28 hs

    Ele será uma ótima opção para 2018, temos que defender a retomada do crescimento, contas nos eixos, aumento do PIB, reforma importantes pra economia, a politica é a arte do possível, do agora, e no momento é algo super positivo o que ele está fazendo, temos começar a pensar nas propostas e no que a pessoa está fazendo pro momento de nosso país.

  8. Bruna Paz
    segunda-feira, 4 de dezembro de 2017 – 13:55 hs

    Chegou o momento de retomarmos o crescimento desse país, através de uma reforma robusta no que se refere a economia. Não adianta pensarmos em respostas paliativas para o hoje, colocando ações instantâneas. O rombo em nossas contas é enorme e sanar ele só será possível através de pessoas e políticas como as apresentadas por Henrique. Com certeza estaremos em boas mãos.

  9. Bruna Moreira
    segunda-feira, 4 de dezembro de 2017 – 14:07 hs

    Chegou o momento de retomarmos o crescimento desse país, através de uma reforma robusta no que se refere a economia. Não adianta pensarmos em respostas paliativas para o hoje, colocando ações instantâneas. O rombo em nossas contas é enorme e sanar ele só será possível através de pessoas e políticas como as apresentadas por Henrique. Com certeza estaremos em boas mãos.

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