O medo e a covardia | Fábio Campana

O medo e a covardia

artigo de Evandro Roman

Os brasileiros estão fartos na guerra estatística da Previdência. De um lado está quem aponta no caos para amanhã, no dia seguinte em que o sistema fosse a voto e a reforma não passasse. De outro lado gente que torturou os números até que eles confessassem cenários delirantes, em que, de forma mágica o déficit desapareceria. Mais um pouquinho e seria possível até ampliar os benefícios.

Nem um, nem outro. Estamos todos exaustos de números torturados, por esta razão entro neste diálogo com você por outro ângulo. Ganhamos em longevidade, estamos vivendo mais e a taxa de natalidade caiu quase na mesma proporção. Significa mais tempo para pagar benefício, com menos gente recolhendo para a Previdência.

Os gráficos apontam esta tendência, confirmada a posterior pelo IBGE, faz décadas. Não podemos alegar que fomos surpreendidos. Faltou ação na hora certa. Faltou a coragem política de enfrentar a medida impopular no timing correto, ministrar o remédio amargo no momento em que fechou o diagnóstico.

Na Grécia, quando este tema entrou em debate, os populistas e/ou beneficiados pelas distorções no sistema foram para cima. Após muita confusão na rua, confrontos entre manifestantes, a fumaça do gás lacrimogênio baixou. Restou então ao governo esquerdista sepultar seus dogmas ideológicos e elevar a idade mínima de aposentadoria imediatamente para 67 anos.

Se estávamos falando grego aqui, e a conversa está muito distante da realidade, vale lembrar que somente na semana passada, os aposentados e pensionistas do Rio de Janeiro receberam os salários de setembro! Uma parte deles, não recebeu ainda o 13º de 2016!

Para mim, Evandro, que serei submetido muito em breve ao escrutínio das urnas, seria mais simpático repetir os chavões do grego canhoto e ficar de bem com a opinião pública. Ou simplesmente silenciar e desaparecer no dia da votação.

Porém, nos tempos em que verguei o uniforme de árbitro de futebol, um esporte que alucina o torcedor, aprendi a respeitar uma frase do pacifista Mahatma Gandhi: “O medo tem alguma utilidade, já a covardia, nenhuma”.

Temos que ter a coragem de sustentar que a Previdência, da forma como está, é o maior programa de distribuição de renda dos mais pobres para os mais ricos. Que a reforma proposta ataca privilégios e reduz o fosso entre o trabalhador da iniciativa privada e do setor público.

E que a política populista de passar a mão na cabeça do eleitor, para depois lhe subtrair a carteira, nos trouxe ao estágio caótico em que estamos.

Em tempo: aproveito a ocasião para lhe desejar um feliz e abençoado Natal, com um 2018 de paz, trabalho e dignidade.


Evandro Roman, professor doutor pela Unicamp. Foi árbitro da Fifa, quando apitou grandes clássicos do futebol nacional e internacional. É deputado federal pelo PSD, membro da Frente Parlamentar da Agricultura.


8 comentários

  1. jorge
    terça-feira, 26 de dezembro de 2017 – 21:50 hs

    A reforma necessária e proposta no governo FHC (nunca votei nele por ter se aliado ao toninho malvadeza) foi derrotada pelo Petismo e capangas. O corrupto demagogo e a incompetente não fizeram o que deviam fazer a respeito. A escumalha da CUT e assemelhados são contra, portanto tem que ser feita.

  2. andre da silva
    terça-feira, 26 de dezembro de 2017 – 23:32 hs

    Claro que falar da DRU não favorece seu argumento, então não se fala. Das benesses de isenção ao Itaú. Da pensão para filha soteira de militar, dos altos salarios da magistratura e da promotoria. Vai apitar amigo…

  3. Sergio Silvestre
    terça-feira, 26 de dezembro de 2017 – 23:32 hs

    Como Juiz era um desastre,anulava até gol olimpico para beneficiar talvez em troca de alguma coisa,como deputado se porta como um serviçal do Temer e esse bandido MARUN,vai continuar como sempre viveu como um juiz de futebol ladrão.

  4. JÁ ERA...
    quarta-feira, 27 de dezembro de 2017 – 5:25 hs

    Todos os comentários que se refere à Previdencia são irreais. Se
    a população está vivendo mais é porque a medicina ajudou sem dúvi-
    da alguma, porem o grande vilão desta história é o próprio governo.
    Deixaram o rombo aumentar tanto que hoje não há grana para tapar
    o buraco. Culpa dos brasileiros !? É só cobrar de quem realmente
    deve:- as grandes empresas, clubes de futebol e os políticos…

  5. Uncle Joe 100
    quarta-feira, 27 de dezembro de 2017 – 10:44 hs

    KKKKK o ex-arbitro apoia uma reforma que depois de feita só vai fazer que o trabalhador trabalhe mais e ganhe o mesmo. Os privilégios não vão acabar, denúncias contra eles aumentam a cada dia e, os beneficiados fazem lobby para conservá-los. E vão conseguir. Como reformar se não conseguimos nem corrigir as distorções, conta aí deputado, se é que consegue.

  6. Além do Quadrado
    quarta-feira, 27 de dezembro de 2017 – 15:29 hs

    Sob o aspecto econômico (e matemático) o texto do Deputado é totalmente coerente. Já os que temem a natural e necessária evolução, continuam com as lamúrias de sempre.

  7. Roberto Oliveira
    quarta-feira, 27 de dezembro de 2017 – 16:33 hs

    Parabéns pela coragem de vir a público falar o que pensa sobre o assunto. Como consciente que sou entendo a posição do deputado, todavia, como é perceptível pelos comentários acima, o povo gosta mesmo é de quem mente. É por isso que os bons políticos estão cada vez mais escassos.

  8. Sergio Silvestre
    quarta-feira, 27 de dezembro de 2017 – 17:58 hs

    Não é quem mente Roberto e quem manipula,quem recebe por fora para votar projetos de interesses escusos,malandragem,safadeza,será que depois de tudo voce ainda não viu a ficha cair ou e assessor do malandro,.

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