Brasil precisa responder com vigor à ditadura venezuelana | Fábio Campana

Brasil precisa responder com vigor à ditadura venezuelana

País deve apoiar ação de entidades, como a HWR e a Foro Penal, na denúncia à Corte Penal Internacional contra Maduro e companheiros por crimes contra a humanidade.

Editorial, O Globo

Em nome do Brasil, o presidente Michel Temer tem o dever de transmitir uma mensagem clara, objetiva e serena, porém dura, ao regime autoritário da Venezuela: acabou a era das ditaduras na América do Sul. É assim que precisa ser, na essência, o tom da reação do governo brasileiro à expulsão do embaixador do país em Caracas, Ruy Pereira, simultânea à do diplomata do Canadá, Craig Kowalik.

A prioridade deve ser aumentar a pressão, com os governos das Américas e da União Europeia, para resgatar a Venezuela à vida democrática. É fundamental considerar que o Brasil está diante de uma grave crise humanitária na sua fronteira norte. O número de refugiados venezuelanos cresce na proporção do colapso provocado pelo patético e errático Nicolás Maduro.

Sequestrada por um esquerdismo populista, a Venezuela vive hoje a pior crise, embora tenha uma das maiores reservas comprovadas de petróleo e gás do mundo — responsáveis por 90% de suas receitas. Na primeira eleição do coronel Hugo Chávez, em 1999, o país desfrutou da bonança da valorização petróleo, o que viabilizou políticas de atenuação à pobreza e o financiamento da montagem de um projeto nacional-populista.

O chavismo teve respaldo de uma minoria de empresários-companheiros, que o humor venezuelano passou a identificar como a “boliburgesia”, a casta da “robolución”. Companhias estrangeiras foram nacionalizadas e as maiores locais acabaram submetidas à intervenção militar.

Deu tudo errado. O Produto Interno Bruto (conjunto das riquezas produzidas no país) ainda teve fôlego para alcançar 1,3% em 2013. A partir de então, a Venezuela vive em recessão contínua, com projeção de um PIB negativo de 12% este ano. Mergulhou na hiperinflação, com aumento médio de preços de 650% neste ano. As reservas internacionais, medida da capacidade de solvência de um país, caíram de US$ 20,28 bilhões, em 2013, para US$ 10,16 bilhões.

Sem caixa para comprar alimentos e remédios, e sob a desnorteada liderança de Maduro, o chavismo derreteu na incompetência, corrupção e na partilha do território entre milícias e narcotráfico. Acossado pelo próprio desgoverno, Maduro transmutou-se num tiranete. Divide-se entre cerimoniais delirantes e a política de prisões e tortura de opositores políticos — as respeitáveis Human Rights Watch e Foro Penal acabam de documentar 88 casos, com 314 militantes da oposição vítimas da tortura sistemática nas prisões.

O governo Temer tem o dever de reagir. Precisa reforçar os mecanismos de apoio e assistência humanitária à população refugiada em áreas-chave como Roraima. Ao mesmo tempo, avançar em iniciativas conjuntas para ampliar o isolamento do regime, reforçando a legitimidade da oposição venezuelana. E, importante, respaldar a ação de organizações como a Human Rights Watch e a Foro Penal na denúncia à Corte Penal Internacional contra Nicolás Maduro e seus companheiros de “robolución” pelo compêndio de crimes cometidos contra a humanidade.


10 comentários

  1. Pedroca do Sudoeste
    quarta-feira, 27 de dezembro de 2017 – 16:53 hs

    Por quê os petralhas não se manifestam ? Seu LULA, que é metido,amiguinho do hómi, nessas horas fecha o bico,se esconde. Na realidade queria tornar nosso país assim esse cidadão que quer ser presidente novamente.

  2. Sergio Silvestre
    quarta-feira, 27 de dezembro de 2017 – 17:45 hs

    Ué,acabou a ditadura no Brasil?Mas não é aqui que voto nada vale?Eu votei para presidente e pasmem foi golpeado.Eu escuto as mentiras da Globo me induzindo que tudo vai bem no Brasil,eu vejo a midia falando em retomada de crescimento quando em pleno mes de Natal somem 12 mil empregos.Ora,vamos olhar nosso Pais depois O Globo TENTA INFLUIR NA VIDA E NOS DESTINOS DOS OUTROS.

  3. quarta-feira, 27 de dezembro de 2017 – 19:17 hs

    E a Maria Louca? Por que esse silêncio? Requião sempre defendeu esse Ditadorzinho, a Gleisi até o felicitou pelas eleições “transparentes” onde só ganharam os amigos do rei Maduro!

  4. Do Interior...
    quarta-feira, 27 de dezembro de 2017 – 20:09 hs

    O regime “democrático” de Maduro é idêntico à democracia do PT. São irmãos siameses. Vários petistas sairam em defesa do regime ditatorial e assassino de Maduro.

    O socialismo de Cuba, Maduro e do PT são iguais. Tanto que usam a mesma tática. Lá se usa os guerrilheiros para fazer o trabalho sujo. Aqui o PT usa o MST, o braço armado e o exército de LuLLa e do Stédile, para achacar fazendeiros e botar fogo no país.

    Espero que O Mundo fique livre deste mal. ideologia que destrói qualquer nação.

  5. juca
    quinta-feira, 28 de dezembro de 2017 – 9:17 hs

    Olha aí Pedroca do Sudoeste. O SS Calça Frouxa, professor de Deus e defensor in condicional da mortadela de 2ª se manifestou. E como sempre, noiado!

  6. Além do Quadrado
    quinta-feira, 28 de dezembro de 2017 – 10:17 hs

    Até a China (comunista) assumiu parceria com a economia de mercado, pois sabiamente percebeu que a ideologia marxista era uma furada no mundo atual. Uma meia duzia de governos populistas tentou (nos últimos 15 anos) fazer da America Latina o último reduto destas ditaduras “disfarçadas”, cuja característica é a corrupção e o assalto sistemático ao Estado. Alguns núcleos corporativistas (devidamente doutrinados) ainda resistem, mas não terão vida longa.

  7. Jaferrer
    quinta-feira, 28 de dezembro de 2017 – 11:15 hs

    É repugnante ver os comentários desse SS; se não fosse trágico seria cômico. Infelizmente, trata-se de um país rico, com grande potencial, que foi destruído pelo fanatismo populista que nem se pode chamar de esquerda; na verdade é só mais uma ditadura anacrônica cucaracha apoiada por essa corja petralha que quase jogou o Brasil na mesma situação. No próximo ano, assim como ocorreu em 2016, o pt será derrotado em todas as frentes, voltando a ser o nanico que jamais deveria ter deixado de ser.

  8. Uncle Joe 100
    quinta-feira, 28 de dezembro de 2017 – 11:46 hs

    Já fizemos metade do que podemos fazer, a segunda medida é rompermos as relações diplomáticas e a terceira ou definitiva, é fechar as fronteiras. Aí eu quero ver como os nossos ex-amigos vão se virar sem a nossa “deplorável” colaboração. Ex-amigos e desafetos não tratamos com afagos e carinhos, quem sabe com uns safanões e pés de ouvido.

  9. Sergio Silvestre
    quinta-feira, 28 de dezembro de 2017 – 12:43 hs

    O do interior,recita ai 1000 vezes,MADURO,CUBA,VENEZUELA,COREIA DO NORTE

  10. PitBull
    quinta-feira, 28 de dezembro de 2017 – 14:19 hs

    Silvestrinho, pq vc não leva os miseráveis venezuelanos para cuidar, tratar, dar comida e roupa, já que vc defende tanto os PTralhas que apoiam a ditadura venezuelana ?

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