Na onda da Lava Jato, policiais federais planejam se candidatar | Fábio Campana

Na onda da Lava Jato, policiais federais planejam se candidatar

Folha de S. Paulo,

A fotografia do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha caminhando com o semblante preocupado em direção ao avião que o levaria para Curitiba, pode ser o registro em imagem da morte da sua carreira política. Graças a uma decisão do juiz federal Sergio Moro, o ex-deputado trocaria naquele momento os gabinetes de Brasília por uma cela de cadeia do Paraná.
Um passo atrás aparece no retrato o agente da Polícia Federal Lucas Valença. A pinta de galã despertou curiosidade. O coque amarrado no topo da cabeça, no estilo samurai, e a barba cerrada renderam os apelidos de Lenhador da Federal e Hipster da Federal. A cena no aeroporto da capital pode ser a certidão de nascimento da sua carreira política. O hipster pensa em ser deputado.
Assim como Valença, cerca de 30 agentes e delegados da PF pretendem se aventurar nas eleições de 2018.

A Fenapef (Federação Nacional dos Policiais Federais), que representa todas as carreiras da PF, já contabilizou 24 pré-candidatos ligados à instituição em 18 Estados. A Folha encontrou outros que não estão na lista da federação.

Curiosamente é o Paraná, berço da Lava Jato, o Estado que vai ter o maior número de concorrentes policiais federais. Até agora cinco delegados e agentes já manifestaram a intenção de concorrer. Se depender da federação, a lista ainda vai aumentar.

Os sindicalistas tentam convencer Newton Ishii, que ficou célebre como o “Japonês da Federal”, a competir por uma vaga na Câmara. Como Ishii foi condenado em última instância por facilitação ao contrabando, a entidade consultou dois escritórios especializados em legislação eleitoral para saber se ele seria enquadrado na Lei da Ficha Limpa.

Segundo os advogados, até o início da campanha ele já terá cumprido toda a pena e estaria livre para tentar carreira em Brasília. O agente, no entanto, resiste à ideia.

Sem o Japonês da Federal na disputa, nenhum outro candidato terá trabalhado diretamente na Lava Jato. Isso não quer dizer que a operação não vá ser tema de campanha.

O delegado e deputado federal Fernando Francischini (SD-PR), pretende concorrer ao Senado. O mote de sua propaganda? “A minha defesa da PF e da Lava Jato no mandato é meu maior patrimônio”, diz Francischini.

O eleitor de 2018 terá passado quatro anos assistindo aos policiais da Lava Jato prendendo magnatas por corrupção. O efeito é duplo: fomenta o descrédito na classe política e turbina a reputação da polícia. Equação perfeita para os candidatos da PF.

“As operações de combate à corrupção, principalmente a Lava Jato, deram visibilidade e prestígio para a Polícia Federal. É uma vantagem para um concorrente se associar a uma das instituições com maior credibilidade no país no momento”, diz o cientista político Marco Antônio Carvalho Teixeira, professor da FGV-SP (Fundação Getúlio Vargas).

Pesquisa do Ibope apontou que entre 20 entidades, a PF foi apontada como a terceira mais confiável, atrás apenas da igreja e dos bombeiros.

Cientes disso, candidatos buscam explicitar a ligação com o órgão. Boa parte usará o cargo antes do nome. Nas urnas haverá Delegado Francischini, Delegado Gastão e Delegado Federal Mikalovski.

BANCADA DA BALA

O sucesso das candidaturas de policiais deve significar o aumento da bancada da bala no Congresso. A maior parte deles comunga da ideia de que é preciso facilitar o acesso do cidadão às armas de fogo.

Um expoente desse pensamento é o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSC-SP), filho do pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro, que repete a exaustão que “bandido só respeita o cidadão armado”. A proposta de reduzir maioridade penal também anima a maioria dos policiais.

Apesar da afinidade com essas pautas, não há um partido que concentre esses candidatos. O leque das legendas escolhidas pelos policiais é amplo e inclui siglas atingidas em cheio pela Lava Jato.

O agente André Salineiro elegeu-se vereador de Campo Grande (MS) e agora cogita tentar vaga na Assembleia. Nas redes sociais posa heroico, de braços cruzados, vestindo a camisa preta da PF. Na vida política, porém, a camisa que veste é a do PSDB, ainda presidido pelo mineiro Aécio Neves, conhecido alvo dos policiais da Lava Jato.


5 comentários

  1. Doutor Prolegômeno
    segunda-feira, 13 de novembro de 2017 – 12:17 hs

    É a picadura da mosca azul. Ninguém resiste.

  2. segunda-feira, 13 de novembro de 2017 – 12:42 hs

    SARAVÁ,KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK!

  3. Sergio Silvestre
    segunda-feira, 13 de novembro de 2017 – 13:33 hs

    Bucólico,eles perseguem o PT ,Viram Aécistas de carteirinho e querem ser deputados,vão pro diabo que os carregue cambada de canalhas.

  4. xiru de palmas
    segunda-feira, 13 de novembro de 2017 – 14:25 hs

    Infelizmente tenho que me render ao Rei Pelé:
    O BRASILEIRO NÃO SABE VOTAR.
    Nada tenho contra nenhum dos 220.000.000 de brasileiros.
    Este rapaz deve ser um ótimo policial, deve estar cumprindo com brilhantismo a sua carreia, mas pergunto:
    – o que ele pode acrescentar nas decisões políticas do país?
    – qual a sua carga de conhecimentos para isso?
    – etc… etc…
    Para quem já votou em Cacareco, tia da Latinha, e no nosso querido, honesto e sincero comediante Tiririca, que sabiamente se despede da câmara, votar em uma pessoa pela sua elegância ou coisa parecida é corroborar a fala do Rei.
    O BRASIL PRECISA DE POLÍTICOS
    PRECISA DE POLÍTICOS DE PRINCÍPIO
    PRECISA DE PARTIDOS COM IDEOLOGIA
    ENFIM O BRASIL PRECISA DE POLÍTICOS QUE HAJAM COM H O N E S T I D A D E.

  5. segunda-feira, 13 de novembro de 2017 – 15:38 hs

    falou em picadura da mosca azul o SS ficou todo eufórico !

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