Lula e a Previdência | Fábio Campana

Lula e a Previdência

Editorial Estadão,

Lula faz hoje contra o País o mesmo que seus correligionários fizeram contra ele há 14 anos

Na foto, Lula e o então presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em maio de 2005 (Dida Sampaio/Estadão Conteúdo).

Uma reforma da Previdência para racionalizar o regime de aposentadoria e pensões no País, mirando particularmente as distorções no setor público, e que, para tanto, entre outras providências estabelece a taxação de servidores inativos, idade mínima para a aposentadoria e teto para a concessão de benefícios… O leitor desavisado dirá que se trata da reforma da Previdência que o governo está tentando aprovar no Congresso Nacional ainda este ano. E errará redondamente. Trata-se da reforma da Previdência que, articulada pelo então ministro da Fazenda Antonio Palocci, dentro do espírito da Carta aos Brasileiros, se converteu na primeira grande vitória parlamentar do governo Lula, em 2003.
A proposta governista sofreu então forte oposição dos setores radicais do PT, da esquerda, dos movimentos sociais e das centrais sindicais. Estas, no dia da votação, promoveram a invasão e depredação do Congresso. Na votação, a reforma proposta pelo governo petista foi aprovada com forte apoio dos oposicionistas PSDB e PFL (hoje DEM). Contou também, como se veio a saber depois, com os votos dos parlamentares cooptados pelo esquema do mensalão.
Vários deputados petistas que não acataram a orientação do Planalto naquele episódio foram expulsos do partido, com o aval de Lula.
Sobre eles o então presidente da República declarou em entrevista a VEJA: “Eu pensava que as pessoas ligadas ao nosso projeto deveriam assumir a responsabilidade de ser governo. Mas percebi que elas escolheram outro caminho. Que o sigam. A opção delas é legítima e o povo julgará quem está certo”. Mas o PT não esperou o “julgamento popular” sobre a “opção legítima” de seus dissidentes e tratou logo de expulsá-los.

A vitória obtida no Congresso em 2003 estimulou o governo Lula a cogitar adiantar ainda mais a reforma da Previdência, já que até então a política fiscal e econômica era orientada pelos parâmetros de fortalecimento institucional estabelecidos pelo governo Fernando Henrique. Se tivesse perseverado nesse objetivo, Lula provavelmente teria evitado, ou pelo menos minimizado, a gravíssima crise fiscal e econômica provocada pela “nova matriz econômica”, que resultou no impeachment de Dilma Rousseff.

A partir dos extraordinários níveis de popularidade que conquistou logo em seu primeiro mandato, Lula poderia ter colocado seu enorme prestígio a serviço de um grande projeto nacional de reformas, do qual aquela primeira etapa da previdenciária teria sido o início. Ocorre que, não resistindo às tentações do poder, Lula optou por priorizar a consolidação do projeto hegemônico do PT, ou seja, o seu próprio, para o que preferiu evitar o desgaste do confronto com os radicais, inclusive dentro de seu partido e do movimento sindical. Quem assistiu às aparatosas manifestações “populares” nos tempos em que abundantes recursos públicos abasteciam os cofres sindicais é capaz de entender por que o populista Lula não hesitou ao abandonar o que era certo para o Brasil e escolher o que era conveniente para seu projeto político. Engavetou a ampliação da reforma da Previdência e a História acabou impondo-lhe uma lição exemplar.

Hoje, lutando desesperadamente não mais para colocar o Brasil a seus pés, mas para sobreviver politicamente, de preferência fora da cadeia, Lula faz contra o País exatamente o mesmo que o fogo amigo de seus correligionários e aderentes tentou fazer contra ele próprio, 14 anos atrás. Qualquer pessoa movida pelo bom senso entende a necessidade urgente da reforma da Previdência, ameaçada de, num futuro próximo, depois de ter esgotado os recursos do Tesouro, entrar em colapso e deixar aposentados e pensionistas à míngua.

Ao contrário do que Lula e a companheirada insistem em alardear irresponsavelmente, a reforma da Previdência não “priva de direitos” os trabalhadores. Já a teimosia cega e oportunista contra ela priva o País de um futuro.


5 comentários

  1. Samuel
    sexta-feira, 24 de novembro de 2017 – 11:26 hs

    Essa reforma prejudica quem comecou a trabalhar cedo. Pobre tem que ajudar a pagar as contas do lar desde cedo. Essas pessoas que deixaram os estudos de lado para trabalhar, serão 100% prejudicadas. Não é certo, não é justo e não deve acontecer. Que os caloteiros da previdencia paguem suas dividas, que a especulação termine agora. E parem com a DRU também. Que os especuladores arrumem algum emprego com carteira registrada e contruibuam uns 20 anos para ver o que é bom pra tosse. Parem de especular.

  2. BETO
    sexta-feira, 24 de novembro de 2017 – 14:59 hs

    LULA, ladrão, pilantra e picareta.
    Esse milionário metido a pobre nunca se preocupou com nada além de encher seus próprios bolsos.
    Morra desgraçado pra parar de incomodar milhões de brasileiros.

  3. Eder Oliveira
    sexta-feira, 24 de novembro de 2017 – 17:18 hs

    OS DEVEDORES da Previdência Social QUE acumulam UMA DÍVIDA de R$ 426,07 bilhões, quase TRÊS VEZES O ATUAL DÉFICIT DO SETOR, que foi cerca de R$ 149,7 bilhões no ano passado.
    Enquanto o governo anuncia déficit de R$ 170 bilhões nas contas públicas, O PAÍS VAI DEIXAR DE ARRECADAR O TRIPLO DESSE VALOR, POR SONEGAÇÃO, CERCA DE R$ 500 bilhões em impostos, no mesmo período. e QUE no entanto, esta sendo votado o REFIS que PERDOA DIVIDAS DE SONEGAção em torno de R$ 170 bilhões. VALOR MAIOR QUE O “DÉFICIT” DA PREVIDÊNCIA E O DÉFICIT NAS CONTAS PUBLICAS. (Os dados são dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz))..

  4. Sergio Silvestre
    sexta-feira, 24 de novembro de 2017 – 19:08 hs

    Só se for o “toba” desse jornal,os 12 anos Lula Dilma foram de progresso ai esses canalhas fizeram uma crise ficticia e mergulhamos com eles nmelaq,mas eles estão deitando e rolando,acorda gente,

  5. Uncle Joe
    sexta-feira, 24 de novembro de 2017 – 20:46 hs

    E uma não reforma da Previdência, por mais meia sola que ela seja, não vai privar os direitos dos trabalhadores, vai privá–los de um dia receber uma aposentadoria.

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