'Sucesso da Lava Jato depende da reação da sociedade' | Fábio Campana

‘Sucesso da Lava Jato depende da reação da sociedade’

Estadão

Para Dallagnol, pressão da opinião pública ajuda a luta contra corrupção

(Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil)

A caminho do quinto ano de Lava Jato, não se pode afirmar que o quadro de impunidade nos crimes de corrupção no Brasil permanece inalterado. É o que acreditam duas figuras emblemáticas das investigações que abalaram o mundo político brasileiro, o juiz federal Sérgio Moro e o procurador da República Deltan Dallagnol.
Para eles, o sucesso da operação dependerá de como será a reação da sociedade daqui para frente. Moro e Dallagnol estarão no Fórum Estadão Mãos Limpas e Lava Jato para falar sobre as investigações de combate à corrupção, da Itália e do Brasil, junto com os magistrados Piercamillo Davigo e Gherardo Colombo, que trabalharam na força-tarefa de procuradores de Milão criada 25 anos atrás.
“Apesar da permanente sombra do retrocesso, não se pode afirmar que não houve mudanças no quadro de impunidade para esses crimes”, diz Moro, ao pôr Lava Jato e mensalão como partes de um ciclo de combate à impunidade de “poderosos”.

Coordenador da força-tarefa em Curitiba, que iniciou a Lava Jato em 2014, Dallagnol entende que a “virtude” das duas operações “foi um amplo diagnóstico da podridão do sistema político”. “Contudo, a virtude da Lava Jato é também sua maldição, pois o sistema político concentra o maior poder da República, no Congresso, e sua reação pode enterrar as investigações, como na Itália.”

Para juiz e procurador, é a sociedade que vai ditar se a operação brasileira vai se aproximar da Mãos Limpas em seu final – na Itália, houve alto índice de impunidade, após a reação política e o desinteresse popular.

“Se houver uma contínua pressão da opinião pública, imagina-se que até nossas lideranças políticas emperradas terão que adotar uma postura reformista”, diz Moro. “O Congresso pode colocar toda a operação abaixo numa madrugada. Basta a aprovação de um projeto de anistia. Por isso, os resultados da Lava Jato dependem primordialmente de como a sociedade vai reagir”, afirma o procurador.


7 comentários

  1. Tarzan
    segunda-feira, 23 de outubro de 2017 – 11:24 hs

    Juiz Moro e equipe, podem contar com pessoas do bem. O Brasil precisa que vocês continuem nessa árdua missão de colocar na cadeia essa grande quadrilha instalada no governo.

  2. Doutor Prolegômeno
    segunda-feira, 23 de outubro de 2017 – 11:55 hs

    A arrogância e a prepotência são os maiores inimigos da operação.

  3. ferreira
    segunda-feira, 23 de outubro de 2017 – 12:19 hs

    A LJ só não deu melhores resultados por força contrária do PODRE PODER SUPREMO et c’est fini .

  4. Simões
    segunda-feira, 23 de outubro de 2017 – 12:47 hs

    Decepcionou um pouco por não ter prendido o Luladrão. É a primeira vez que vejo um condenado solto e curtindo viagens e hotéis cinco estrelas. Todos esperavam ansiosamente a prisão e ficaram frustrados com a decisão do Juiz Sérgio Moro.

  5. Jose Nascimento
    segunda-feira, 23 de outubro de 2017 – 14:27 hs

    O que estraga o Laja Jato, e a amizade comprovada por fotos e vídeos, de juízes e promotores com certo partido político,

  6. Xerpa
    segunda-feira, 23 de outubro de 2017 – 14:52 hs

    Gostaria de ver o Janot e Fachin respondendo sobre o escandaloso acordo da JBS.

  7. NÃO VOTE EM QUEM JÁ FOI
    segunda-feira, 23 de outubro de 2017 – 15:30 hs

    Brasileiros, nas próximas eleições teremos uma chance de ouro de salvar o Brasil. É só não votar em quem já foi. Porém, se elegerem os mesmos corruptos que aí estão, não poderão reclamar de mais nada.

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