Sindicatos temem perda de até R$ 3 bilhões com fim de imposto | Fábio Campana

Sindicatos temem perda de até
R$ 3 bilhões com fim de imposto

O sindicalismo brasileiro se prepara para enfrentar tempos de penúria. Com a reforma trabalhista, que entra em vigor no próximo mês, o imposto sindical, que equivale a um dia de trabalho e hoje é descontado em folha, passará a ser voluntário. As informações são da Folha de S. Paulo.

O temor de sindicalistas é que parte expressiva dos trabalhadores deixe de contribuir, colocando em risco uma arrecadação que em 2016 somou cerca de R$ 2,9 bilhões.

Segundo o economista da Unicamp José Dari Krein, especialista em movimento sindical, levantamentos apontam que entre 25% e 30% da receita dos sindicatos vêm do imposto sindical.

A dependência é maior no caso das centrais, que em alguns casos praticamente sobrevivem desse repasse, uma vez que não contam com mensalidade de sócios, como acontece com os sindicatos.

A CUT (Central Única dos Trabalhadores), maior central do país, projeta um orçamento 30% menor em 2018. A Força Sindical diz que “vai acabar” sem o imposto, enquanto a União Geral dos Trabalhadores (UGT) vai se mudar para uma sede mais barata em São Paulo.

“O impacto negativo do fim do imposto deve ser generalizado. A queda de receita deve ser ainda mais substantiva em setores menos estruturados e com alta rotatividade, como comércio e construção civil”, diz Krein.

Um caso emblemático é o do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, que em 2016 foi a organização que mais recebeu imposto sindical no Brasil –R$ 31,5 milhões, segundo dados mais recentes do Ministério do Trabalho.

Em 2017, o orçamento total da entidade (considerando outras fontes além do imposto) foi de R$ 95 milhões. Mas para o ano que vem a previsão é que o caixa encolha para R$ 20 milhões, diz o presidente, Ricardo Patah.

Algumas medidas para se adaptar à nova realidade já estão sendo implementadas. O sindicato abriu um Plano de Demissão Voluntária (PDV) para cortar 200 dos 600 funcionários e vai reduzir em mais de 50% os serviços oferecidos, como atendimento médico. As oito subsedes da entidade serão fechadas.

O orçamento da UGT, também presidida por Patah, deve despencar de R$ 50 milhões em 2017 para R$ 1 milhão no ano que vem.

PRESSÃO

Uma saída defendida pela UGT e pela Força Sindical, entre outras centrais, é a cobrança da contribuição assistencial (também conhecida como taxa assistencial) de todos os trabalhadores da categoria, e não só dos filiados.

As entidades pressionam o governo Michel Temer para editar uma medida provisória (MP) que regulamente a questão, uma vez que no início do ano o Supremo Tribunal Federal decidiu que ela só poderia ser descontada de quem fosse filiado.

A taxa de sindicalização no Brasil gira em torno de 20%, de acordo com o IBGE. Por isso, os sindicatos querem ampliar a cobrança.

Sem a MP, a Força Sindical “vai acabar”, diz João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral da central. “Nosso orçamento vai cair de R$ 48 milhões para zero.”

Contando com a MP, o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo –que está negociando nova convenção coletiva– quer uma taxa assistencial de até 1% do salário da categoria. Do contrário, Miguel Torres, presidente da entidade, espera uma queda no próximo ano de 40% do orçamento de R$ 50 milhões.

Nesse caso, Torres também defende que as convenções valham apenas para quem contribuir. “Como o sindicato vai trabalhar de graça para quem não paga?”


10 comentários

  1. Luis Carlos
    segunda-feira, 16 de outubro de 2017 – 9:03 hs

    É a maior mentira para os trabalhadores com o apoio do nosso querido, estimado presidente Temer. Está em curso nos porões do Palácio Jaburú, criação de um novo e vergonhoso imposto sindical, que passaria a ser cobrado de todos os indivíduos com carteira assinada, sindicalizados ou não. Atualmente se cobra o valor correspondente há 01 (um dia) de trabalho do empregado. Não satisfeitos, os SINDICATOS querem agora, o escandaloso valor correspondente há 3.5 (três e meio) dias de trabalho. Isso é uma verdadeira EXCRESCÊNCIA vergonhosa dos Sindicatos, mais um assalto com aval dos poderes Executivo e Legislativo. O grande problema é que a maioria dos empregados não sabe deste movimento, e estão felizes achando que se livraram das garras dos Sindicatos, que pouco ou nada fazem para defender interesses dos trabalhadores. Não sou totalmente contra a reforma e cobrança dos Sindicatos, mas tem que haver uma coerência, uma certa ética entre o que se cobra e o que os Sindicatos oferecem.

  2. Rr
    segunda-feira, 16 de outubro de 2017 – 9:52 hs

    Só as forças armadas pra acabar com essas sindiquadrilhas.

  3. Parreiras Rodrigues
    segunda-feira, 16 de outubro de 2017 – 9:54 hs

    No Brasil, existem cem vezes mais sindicatos que em nações mais desenvolvidas e industrializadas. E ainda falta existir o Sindicato dos Sindicatos. Estou pensando em fundar o Sindicato dos Aposentados Jogadores de Sinuca do Paraná. Ou de Truco, coisa assim.

  4. QUESTIONADOR
    segunda-feira, 16 de outubro de 2017 – 10:06 hs

    -Nunca houve a prestação de contas e transparência por parte de quase todos os sindicatos. Os trabalhadores são descontados em um dia de trabalho e fica por isso.
    -Sou a favor de cessar esta vergonhosa contribuição da era getulista. Cada sindicato sobreviva oferecendo serviços de qualidade, com total transparência para garantir a contribuição voluntária do trabalhador.
    -No atual sistema vigente não podemos garantir que o dinheiro arrecadado não seja desviado de sua função para outras funções particulares de seus mandatários, como muitas reportagens nos mostram.
    -Quanto ao novo imposto, como disse o leitor Luis Carlos, é bem provável que isso aconteça. Mas os trabalhadores estão ligados nas redes sociais e existe hoje toda uma vigilância sobre assuntos que prejudicam o bem estar da população. Se passar haverá muita greve e quebra-quebra!!!

  5. Do interior
    segunda-feira, 16 de outubro de 2017 – 10:30 hs

    Tomara que todos vão para a falência.

  6. Luis Carlos
    segunda-feira, 16 de outubro de 2017 – 10:40 hs

    Sr Questionador, é exatamente o que eu espero, vigilância e mobilização dos trabalhadores, vamos dar um NÃO do tamanho do Brasil para mais este assalto legalizado no bolso do trabalhador.

  7. Doutor Prolegômeno
    segunda-feira, 16 de outubro de 2017 – 11:53 hs

    Falta ainda acabar com as contribuições compulsórias do sistema S que sustentam as federações e confederações patronais, que recebem uma porcentagem como taxa de administração dessas entidades e essa taxa de administração não sofre qualquer fiscalização dos órgãos de controle, a qual paga salários e mordomias de dirigentes patronais. Foi por isso que as federações e confederações patronais apoiaram a extinção do imposto sindical, porque ele era peanuts perto da taxa do sistema S.

  8. FALA SÉRIO
    segunda-feira, 16 de outubro de 2017 – 12:07 hs

    Tem que acabar com estes parasitas de sindicatos.
    São uns sangue-sugas dos trabalhadores.

  9. CAÇADOR DE VERMES PETISTAS
    segunda-feira, 16 de outubro de 2017 – 15:28 hs

    Que tal vocês experimentarem a dureza de pegar no pesado e trabalhar de verdade?
    Viver na vadiagem as custas do cidadão que trabalha é muito fácil seu bando de vagabundos.

  10. Azedo
    terça-feira, 17 de outubro de 2017 – 10:07 hs

    Torcendo pra ver a APP sif….ê!

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