Pezão, um personagem inesquecível | Fábio Campana

Pezão, um personagem inesquecível

do Ricardo Noblat

No exercício do cargo graças a uma decisão provisória da Justiça, o governador do Rio de Janeiro Luiz Fernando Pezão (PMDB) aproveita as chances que tem para oferecer pérolas de sabedoria ao exame do distinto público. Ontem, ofereceu mais uma.

No terceiro depoimento que deu como testemunha de defesa do ex-governador Sérgio Cabral, Pezão negou ter conhecimento de pedidos de propina ou formação de cartel nas licitações para as obras do Maracanã e do PAC das Favelas. Até aí, nada demais.

Precioso foi o que disse em seguida: como secretário de Obras do governo Cabral, limitava-se a assinar papéis e mais nada.

– Eu só assinava no final. O órgão que cuidava das licitações era subordinado ao subsecretário Hudson Braga. Eu tinha confiança plena nos técnicos abaixo de mim. Apenas assinava para dar publicidade exigida por lei.

Se a desculpa colar, ninguém mais que exerça cargo público poderá ser responsabilizado pelo que fez ou deixou de fazer. A assinatura perderá seu valor, prestando-se apenas ao ato de dar publicidade exigida pela lei.

Provocado por jornalistas, Pezão disse considerar excessiva a pena de 45 anos e dois meses de cada dada a Cabral pelo juiz Marcelo Bretas.

– Acho muito grande. Em instâncias superiores, ele [Cabral] vai conseguir diminuir.

Quer dizer: se a pena tivesse sido menor, Pezão não teria do que reclamar. Mas confia na Justiça para que a pena diminua. Para que seja revogada, não.


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