Movimento separatista faz plebiscito informal nos três Estados do Sul | Fábio Campana

Movimento separatista faz plebiscito informal nos três Estados do Sul

A deterioração política e econômica do Brasil e a transferência de recursos financeiros abaixo do desejado pela União podem motivar o surgimento de um novo país, formado pelos três Estados do Sul. As informações são de Fernanda Wenzel na Folha de S. Paulo.

Ao menos esses são alguns dos argumentos do movimento O Sul É o Meu o País, que neste sábado (7) fará a segunda edição do Plebisul, com urnas espalhadas por 900 municípios de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

“Você quer que Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul formem um país independente?” é a questão que será apresentada aos participantes.

A votação do movimento ocorre uma semana após plebiscito separatista da Catalunha (Espanha), que terminou com 90,09% dos votantes favoráveis à independência e 7,87% contrários —o restante votou em branco ou anulou.

Índice muito alto? Na primeira edição do Plebisul, em outubro do ano passado, 95,74% dos 616 mil participantes apoiaram a proposta de independência sulista. Neste ano, a expectativa é alcançar entre 1 milhão e 2 milhões de votantes.

“O Sul independente tem um grande potencial de ser um país de primeiro mundo. Enquanto estivermos atrelados a Brasília nós não temos esta condição. Nós ficamos no cabresto, como costumamos dizer aqui no Sul”, afirmou Anidria Rocha, uma das lideranças do movimento.

Os organizadores afirmam que um grupo de mais de 20 mil voluntários estará envolvido com o processo.

O movimento existe desde 1992, mas ganhou força nos últimos anos. Segundo ela, o principal motivo é a deterioração da situação política e econômica do Brasil. Outra queixa é sobre a região ficar com um baixo índice dos recursos produzidos. “Apenas 20% dos recursos produzidos na região permanecem nos Estados do Sul, enquanto o restante fica ‘encastelado’ em Brasília.”

A integrante do movimento disse saber que o plebiscito não tem valor legal e que o sonho separatista ainda está distante —a maioria dos apoiadores da causa acredita que a conquista da independência levará cerca de dez anos.

Apesar disso, neste sábado o grupo também coletará assinaturas com o objetivo de apresentar um projeto de lei de iniciativa popular que propõe a realização de um plebiscito oficial nos três Estados do Sul junto com as eleições de 2018.

Docente de ciência política da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Rodrigo Stumpf González disse que o movimento do Sul do Brasil é diferente do observado em outras regiões do mundo, como na própria Espanha (onde atua como professor visitante da Universidade Autônoma de Madri), na Escócia ou no Curdistão.

Segundo ele, esses locais foram formados a partir da fusão de comunidades políticas com uma organização, cultura e língua comuns. “Já o Brasil é um país que foi fundado a partir da colonização portuguesa e no qual foram incorporados outros grupos de imigrantes, dentro de uma unidade política nacional que surgiu como um Estado unitário, e onde os Estados da federação têm uma existência posterior.”

‘POUCA VIABILIDADE’

De acordo com González, a conquista da independência do Sul do país é “um projeto com pouquíssima viabilidade” porque é proibida pela Constituição. O primeiro artigo do texto constitucional “estabelece que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e Distrito Federal”.

No ano passado o grupo tentou realizar o plebiscito no mesmo dia das eleições municipais, mas foi obrigado a alterar a data após uma decisão do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de Santa Catarina.

Na decisão, o desembargador Cesar Augusto Mimoso Ruiz Abreu alegou que a consulta poderia atrapalhar as eleições. Ele também entendeu a votação como uma tentativa de desmembrar parte do território nacional, o que é considerado um crime com pena que varia de quatro a 12 anos de prisão. O crime citado pelo TRE está previsto na lei 7.170, no artigo 11.

Como a data foi alterada, no entanto, para ele não havia nenhum impedimento para o a realização do Plebisul.

O plebiscito é realizado, também, num momento em que o Rio Grande do Sul enfrenta grave crise financeira. O Estado anunciou na quarta (4) que vai vender cerca de 49% do capital votante do banco estatal Banrisul.

O governo, que enfrenta dificuldades para pagar salários e dívidas, decretouem novembro do ano passado estado de calamidade financeira. O Estado fechou 2016 com resultado primário apontando deficit de R$ 104 milhões, de acordo com o Tesouro Nacional.

PULVERIZADO

Apesar de estar em estágio mais avançado, O Sul É o Meu o País não é o único grupo separatista existente no Brasil.

Pernambuco também tem um movimento organizado, assim como São Paulo, que no ano passado realizou o próprio plebiscito. O Sampadeus, como foi chamado, teve a participação de 48.917 pessoas, das quais 54,2% votaram pela independência de São Paulo.

Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso, além da região da Amazônia e até mesmo Brasília registram inciativas separatistas.

Para González, movimentos desse tipo podem interferir na política nacional, dependendo da capacidade de mobilização de eleitores e da constituição de uma representação no Congresso, a exemplo do que fazem partidos separatistas na Espanha.

“Essa é uma possibilidade, que eles venham a conseguir mobilizar eleitores no sentido de criar uma representação parlamentar e, com isso, negociar uma mudança no pacto federativo e na distribuição de recursos, e não necessariamente na conquista de uma independência”, disse.

Só poderá ir às urnas neste sábado quem tiver mais de 16 anos e for eleitor de um dos três Estados do Sul. O pleito será das 8h às 20h. Os locais de votação estão disponíveis no site sullivre.org.


10 comentários

  1. Piolho
    sábado, 7 de outubro de 2017 – 12:20 hs

    Bota Sum Paulu e Mato Grosso do Sur, e nóis aceita!

  2. Luiz Antônio
    sábado, 7 de outubro de 2017 – 13:25 hs

    Consta que Dilma Rousseff será a primeira Presidenta do novo território, com a promessa de repetir as mesmas façanhas que realizou ao país do norte.
    Avante Sul.

  3. Rock
    sábado, 7 de outubro de 2017 – 13:52 hs

    Esses idiotas são descendentes de Europeus que chegaram ao sul acolhidos pelos brasileiros e agora se acham donos do território e vem propor uma idiotice dessas quando estavam morrendo de fome na Europa vieram mendigar e agora se acham dono do país a ponto de querer separa-lo.

  4. Fala sério
    sábado, 7 de outubro de 2017 – 15:13 hs

    Precisamos parar de sustentar aquela corja de corruptos de Brasília que não nos representa.

  5. CARLOS FERREIRA
    sábado, 7 de outubro de 2017 – 16:15 hs

    É só uma questão de tempo!!! Mais cedo ou mais tarde vai acontecer a separação do Sul!! Chega de carregar Brasília nas costas!!! E não me venham com a conversa de que a Constituição não permite. Se o cidadão for estudar nossa Constituição vai saber que 90% do que está escrito lá não é cumprido. Nossa Constituição é uma piada, assim como nosso País se transformou numa piada de muito mal gosto. O SUL É O MEU PAÍS!!

  6. Edson
    sábado, 7 de outubro de 2017 – 18:36 hs

    O Sul está cansado de sustentar por décadas os tais Sarneys, Calheiros, Jucás, Maias, Cabral, Vieira Limas, Batistas, Collor de Mello e tantos outros sanguessugas que por aí estão, O Sul é mesmo o meu país! Talvez se separasse até mesmo sobraria mais dinheiro (que não seria afanado) para ajudar o pobre Nordeste!

  7. Sulista
    sábado, 7 de outubro de 2017 – 19:33 hs

    Meus amigos separatistas. Somente os políticos ganham com isso. Criam mais cargos, querem mais dinheiro, mais estruturas governamentais, etc. E quem vai governar o Sul? Políticos do Sul. Requião, filho do Requião, sobrinho do Requião, Álvaro e Osmar Dias, a lista é infinita. Sempre os mesmos!

  8. Sergio Silvestre
    domingo, 8 de outubro de 2017 – 0:24 hs

    Cambada de nazista se reunindo,volta para a Europa seus canalhas.

  9. Sergio
    domingo, 8 de outubro de 2017 – 8:50 hs

    Pois eu pensou que seria uma boa.
    Chega de tanto mais do mesmo.

  10. Roberto Cardoso
    domingo, 8 de outubro de 2017 – 10:23 hs

    sergio silvestre, você sempre falando besteiras, né? cresça um pouco como gente, como intelectual, e assim por diante. Nada que venha a melhorar a vida de um povo, você apoia. A sim, se esse pleito tivesse o aval dos petistas, com certeza você estaria aplaudindo. Quem lê seus comentários, dão risadas de você! cresça um pouco, vai.

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