Antes de se matar, reitor deixou carta sobre humilhação a que foi submetido | Fábio Campana

Antes de se matar, reitor deixou carta sobre humilhação a que foi submetido

Antes de cometer suicídio, o reitor afastado da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier, deixou uma carta sobre o que chamou de “humilhação e vexame” a que foi submetido. Ele foi preso pela Polícia Federal no dia 14 de setembro, junto com mais seis suspeitos, sendo liberado no dia seguinte, mas ainda proibido de entrar na universidade. Na carta, ele nega com veemência ter obstruído a Justiça, conforme apontava a acusação contra ele. O que segue é a carta de Cancellier.

“Reitor exilado”

“Não adotamos qualquer atitude para obstruir apuração da denúncia. A humilhação e o vexame a que fomos submetidos — eu e outros colegas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) — há uma semana não tem precedentes na história da instituição. No mesmo período em que fomos presos, levados ao complexo penitenciário, despidos de nossas vestes e encarcerados, paradoxalmente a universidade que comando desde maio de 2016 foi reconhecida como a sexta melhor instituição federal de ensino superior brasileira; avaliada com vários cursos de excelência em pós-graduação pela Capes e homenageada pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Nos últimos dias tivemos nossas vidas devassadas e nossa honra associada a uma “quadrilha”, acusada de desviar R$ 80 milhões. E impedidos, mesmo após libertados, de entrar na universidade.

Quando assumimos, em maio de 2016, para mandato de quatro anos, uma de nossas mensagens mais marcantes sempre foi a da harmonia, do diálogo, do reconhecimento das diferenças. Dizíamos a quem quisesse ouvir que, “na UFSC, tem diversidade!”. A primeira reação, portanto, ao ser conduzido de minha casa para a Polícia Federal, acusado de obstrução de uma investigação, foi de surpresa.

Ao longo de minha trajetória como estudante de Direito (graduação, mestrado e doutorado), depois docente, chefe do departamento, diretor do Centro de Ciências Jurídicas e, afortunadamente, reitor, sempre exerci minhas atividades tendo como princípio a mediação e a resolução de conflitos com respeito ao outro, levando a empatia ao limite extremo da compreensão e da tolerância. Portanto, ser conduzido nas condições em que ocorreu a prisão deixou-me ainda perplexo e amedrontado.

Para além das incontáveis manifestações de apoio, de amigos e de desconhecidos, e da união indissolúvel de uma equipe absolutamente solidária, conforta-me saber que a fragilidade das acusações que sobre mim pesam não subsiste à mínima capacidade de enxergar o que está por trás do equivocado processo que nos levou ao cárcere. Uma investigação interna que não nos ouviu; um processo baseado em depoimentos que não permitiram o contraditório e a ampla defesa; informações seletivas repassadas à PF; sonegação de informações fundamentais ao pleno entendimento do que se passava; e a atribuição, a uma gestão que recém completou um ano, de denúncias relativas a período anterior.

Não adotamos qualquer atitude para abafar ou obstruir a apuração da denúncia. Agimos, isso sim, como gestores responsáveis, sempre acompanhados pela Procuradoria da UFSC. Mantivemos, com frequência, contatos com representantes da Controladoria-Geral da União e do Tribunal de Contas da União. Estávamos no caminho certo, com orientação jurídica e administrativa. O reitor não toma nenhuma decisão de maneira isolada. Tudo é colegiado, ou seja, tem a participação de outros organismos. E reitero: a universidade sempre teve e vai continuar tendo todo interesse em esclarecer a questão.

De todo este episódio que ganhou repercussão nacional, a principal lição é que devemos ter mais orgulho ainda da UFSC. Ela é responsável por quase 100% do aprimoramento da indústria, dos serviços e do desenvolvimento do estado, em todas as regiões. Faz pesquisa de ponta, ensino de qualidade e extensão comprometida com a sociedade. É, tenho certeza, muito mais forte do qualquer outro acontecimento”.


14 comentários

  1. Doutor Prolegômeno
    segunda-feira, 2 de outubro de 2017 – 15:53 hs

    Inocentes ou culpados, pouco importa. Vivemos sob o signo de uma inquisição pós-moderna, onde qualquer pessoa acusada passa a ser execrada e abominada e, desde logo condenada a arder em uma fogueira virtual.

  2. Juca
    segunda-feira, 2 de outubro de 2017 – 16:16 hs

    Uma coisa é certa: O SS Calça Frouxa vai culpar o Juiz Sérgio Moro pelo suicídio do reitor da UFSC.

  3. segunda-feira, 2 de outubro de 2017 – 17:03 hs

    Juca, uma coisa é certa,” quem não deve não teme”, se fosse comigo seria mais lenha pra mostrar a minha inocência, e não tirar a minha vida assim, do nada, muito estranho prá um cara “cheio ” de estudos , “pós” etc… etc… etc

  4. francesco
    segunda-feira, 2 de outubro de 2017 – 17:29 hs

    Se suicidar por causa da detenção, é demais para justificar tal ato, foi provavelmente com medo das consequências futuras, pois quem é inocente não se mata, luta para provar a inocência.

  5. Juca
    segunda-feira, 2 de outubro de 2017 – 18:44 hs

    Henrique Jr. e Francesco. Lula tenta, tenta, tenta e luta para mostrar sua inocência. No caso devia cometer o suicídio, pois cada dia mais atola-se no lodaçal da mentira tentando se fazer de inocente!

  6. Paulo Tadeu Macedo Neves
    segunda-feira, 2 de outubro de 2017 – 18:52 hs

    Conheci o ex reitor. Uma pessoa aparentemente correta ( encontro apenas casual ).
    O problema todo é que hoje todo e qualquer cidadão que trabalha ou seja funcionário público, está sujeito as barbáries do Ministério Público.
    Pra eles pouco importa se a pessoa é inocente ou não, eles querem é fazer a denuncia de qualquer maneira.
    Dizem que a Brastemp está fazendo uma linha especial de geladeiras para as pessoas que trabalham nos MP.
    Geladeira sem a luz na porta.

  7. Hilton Brazil
    segunda-feira, 2 de outubro de 2017 – 19:39 hs

    “Prisões provisórias que se projetam no tempo, denúncias baseadas apenas em delações de corréus, vazamentos seletivos de dados processuais, exposição de acusados ao escárnio popular, condenações a penas extravagantes, conduções coercitivas, buscas e apreensões ou detenções espalhafatosas indubitavelmente ofendem o devido processo legal em sua dimensão substantiva, configurando, ademais, inegável retrocesso civilizatório.” (Ministro Ricardo Lewandowski, em artigo na Folha de S. Paulo, de 27/09)

  8. Coño
    segunda-feira, 2 de outubro de 2017 – 19:40 hs

    Certo o Francesco: INOCENTE, INJUSTAMENTE ACUSADO, LUTA ATÉ O FIM!! Jamais se MATA NO INÍCIO!!!

  9. Povão
    segunda-feira, 2 de outubro de 2017 – 19:44 hs

    Afinal, quem foi o juiz federal que mandou arrebentar a quadrilha que atua na UFSC? Foi Moro? NÃO!!! Foi a juíza Federal Janaína Machado, mas os safados do PT já querem empurrar a responsabilidade nas costas do juiz que ARREBENTOU A BUNDA DO CHEFE DA ORCRIM, O JARARACA DO PT!!! Todo petista, além de burro, é safado!!!

  10. Rock
    segunda-feira, 2 de outubro de 2017 – 20:11 hs

    O cara é delatado e sem chance de defesa isso sim é crime. Queiram ou não é sim a escola de Moro fazendo moda.

  11. luiz
    segunda-feira, 2 de outubro de 2017 – 21:45 hs

    Sujeito que faz o que esse fez. Algo de errado, ele temia no decorrer do processo.

  12. Azedo
    terça-feira, 3 de outubro de 2017 – 14:51 hs

    Até o Lula tá esperneando sua “inocência”! Mas vai vê esse reitor não era tão cara de pau nem tão inocente assim…

  13. Mimi
    quarta-feira, 4 de outubro de 2017 – 14:56 hs

    Corrupto ! Tchau.

  14. quarta-feira, 4 de outubro de 2017 – 17:18 hs

    Tão inocente que cometeu suicídio, aff coitadinho ficou com medo de aparecer mais de oitenta milhões no desvio de verba, quem cala concente, por que não faz como a politicagem suja e corrupta que morre negando e ainda continua usufruindo os loros da roubalheira e nem preso vai essa corja de vermes.

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