Alckmin busca resgatar discurso 'social' tucano | Fábio Campana

Alckmin busca resgatar discurso ‘social’ tucano

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, iniciou um movimento calculado de volta às origens do PSDB. De olho no voto petista em um eventual segundo turno presidencial sem a participação do ex-presidente Luiz Inácio da Lula, Alckmin tem reforçado o discurso social-democrata e intensificado programas e obras direcionados a eleitores de baixa renda. As informações são do Estadão.

A estratégia é desvincular seu nome de potenciais adversários mais identificados com a centro-direita, como Jair Bolsonaro (PSC-RJ), Henrique Meirelles (PSD-SP) e o próprio João Doria (PSDB-SP).

Pré-candidato ao Palácio do Planalto em 2018, Alckmin tem alterado sua forma de divulgar projetos durante agendas oficiais. Desde o advento da “ameaça Doria”, o governador passou a anunciar, por exemplo, quantos empregos cada ação direta do governo ou via parceiros geram no Estado. A palavra renda também ganhou mais espaço no vocabulário do governador. Em outra frente, enquanto alguns de seus potenciais adversários privilegiam um discurso mais vinculado às teses do mercado, Alckmin tem dado mais espaço a programas sociais como Bom Prato, Creche Escola e projetos de habitação popular.

A estratégia está alinhada ao perfil do eleitorado que Alckmin deseja alcançar. Segundo a mais recente pesquisa Datafolha, 80% dos eleitores que declaram voto no governador ganha até cinco salários mínimos.

Aliados de Alckmin projetam um cenário no qual Lula será barrado pela Justiça e o candidato apoiado pelo petista não passará do primeiro turno. Líder nas pesquisas, na faixa de 30% das intenções de voto, Lula seria o principal eleitor no segundo turno, segundo alckmistas. Com o movimento que pode identificá-lo com o centro, o governador espera atrair os votos do petista projetando uma imagem de “mal menor”. Por isso também Alckmin tem evitado assumir o discurso anti-Lula, na contramão do que faz Doria.

Para o coordenador nacional do Movimento PSDB Esquerda Pra Valer, Fernando Guimarães, Alckmin é o candidato com maior capacidade para aglutinar forças no segundo turno da eleição presidencial do próximo ano. “Do ponto de vista eleitoral, é uma vantagem. O governador é de fato um social democrata, sabe dialogar com o centro, centro-esquerda e até com a esquerda”, afirma Guimarães, que coordena hoje o que chama de a ala “mais progressista” do PSDB.

Para aliados do governador, no entanto, a posição de Alckmin não é propositadamente eleitoral. “Ele sempre seguiu essa linha, de investir no social. É natural ser visto dessa forma agora”, diz o secretário estadual da Habitação, Rodrigo Garcia (DEM-SP). Para Floriano Pesaro (PSDB-SP), que está à frente da secretaria de Desenvolvimento Social, as ações de Alckmin na área comprovam sua “preocupação com as pessoas”.

“Nesta semana mesmo (semana passada), ele nos autorizou a fazer mais três restaurantes (Araçatuba, Ribeirão Preto e São Bernardo do Campo) e em plena crise. Servimos comida de qualidade e a R$ 1. Também está fazendo um esforço pelo programa Creche Escola”, disse Pesaro.

Números oficiais mostram que os investimentos estaduais no programa alimentar cresceram de R$ 50 milhões, em 2014, para R$ 71 milhões neste ano.

Já no caso do Creche Escola, os números ainda estão aquém do prometido: de 2011 pra cá foram entregues 265 unidades, quando a promessa, ainda na campanha de 2010, era concluir mil creches até 2014.

HABITAÇÃO

O cronograma de inaugurações previstas para ocorrer até abril do ano que vem, limite da descompatibilização do cargo para disputa de nova eleição, prevê a entrega de 38 mil moradias populares. Parte disso é resultado ainda de convênios assinados com o programa Minha Casa Minha Vida, dos governos petistas de Dilma Rousseff e Lula.

Diferentemente do que ocorre com algumas prefeituras do Estado, como São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, e a própria capital, a relação do governo Alckmin com os movimentos populares é “estável”. Há mais de dois anos o governo tem uma relação próxima com o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), comandado por Guilherme Boulos.

A postura de conciliador do governador ainda tem arrancado elogios públicos de petistas como Dilma e Fernando Haddad, além do governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B).


3 comentários

  1. Jorge Santos
    domingo, 15 de outubro de 2017 – 21:01 hs

    Alckmin corre para tentar “herdar” os votos de Lula, com isso deve tomar posição mais a esquerda do que já é, Meireles tá enrolado quando esteve ligado a JBS para pegar grana do BNDS para esta “empresa” e com a nossa econômia que não decola e envolvido com Temer, não vejo futuro em Meireles, já Dória não é cento-direita, é tucano ha mais de 20 anos, enriqueceu desde os anos 80 quando foi nomeado por Sarney para a Embratur, e teve de devolver mais de 06 milhões por roubo para esta instituição, outro porém sobre Dória é que ele financiou parada gay contra a vontade da maioria, homenageou Carlos Marighella e outros terroristas abatidos a bala no governo militar, taxou as empresas de streaming como Netflix, prestou homenagem também para Che Guevara ( fonte IstoÉ), enfim, Dória é esquerdoso, não tem jeito, o movimento de rua como MBL, Nasruas, e jornalistas com Joice Hasselman, Fernando Moura Brasil, Diogo Mainardi (Antagonistas) e liberais como Rodrigo Constantino e até mesmo Carlos Andreazza estão pulando fora dos tucanos em função de Jair Bolsonaro ter aprofundado seu discurso liberal na economia, a fala do Gen. Mourão e de outros Generais desceu como um petardo no país e tem facilitado e muito a vida do Capitão, até aqui, o único com viés da direita no comportamento e costumes e liberal econômico, a esquerda fica se degladiando entre si e não oferece mais nenhuma novidade para o Brasil, a não ser o discurso de sempre, tudo pelo “social”, isso já não faz a cabeça de mais ninguém no Brasil, fora a morte prematura do “politicamente correto”!

  2. leandra
    domingo, 15 de outubro de 2017 – 21:47 hs

    As esquerdas estão realmente unidas, fabianistas e marxistas de todas as correntes, vejam o vídeo abaixo onde Jean “ui ui” Wyllys declara voto em João Dória Jr em caso de segundo turno entre Bolsonaro e tucano …

    https://youtu.be/47kw7egbpAk

  3. ale
    segunda-feira, 16 de outubro de 2017 – 0:36 hs

    Jorge santos, mas a Joice, o FMB e o movimento Nasruas já estão com o Bolsonaro, o MBL a caminho, o Mainardi entregou o Antagonista para o FBM ficar como editor chefe cuja função ele já fazia na Veja e foi trocado por um comunista, e a Veja tá fazendo “agua”, virou uma Carta capital da vida, o Constantino tomou uma refrega do Eduardo Bolsonaro e parece que tá dentro arrastando os liberais para p Bolsonaro junto a galera do mises, com a manobra o Bolsonaro pega o centro, centro direita, a direta conservadora, ta virando muita gente pq acreditam que o psdb morreu com Doria caindo em sampa

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