Barros contesta denúncia de delator pemiado | Fábio Campana

Barros contesta denúncia
de delator pemiado

Reportagem publicada hoje pelo jornal Folha de São Paulo informa que o empresário Eduardo Lopes de Souza, dono da construtora Valor – acusada de desvio de recursos públicos para construção de escolas investigado na operação Quadro Negro – afirmou, em acordo de delação premiada, que o ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP), teria negociado um cargo no governo do Estado por R$ 15 mil mensais. Em troca da nomeação de Marilane Aparecida Fermino, seriam feitos pagamentos mensais ao cunhado de Barros e ex-vereador de Curitiba, Juliano Borguetti, irmão de Cida Borghetti (PP), mulher do ministro e vice-governadora.

O ministro contesta essa informação e já solicitou ao ministro do STF, Luiz Fux, a abertura de sindicância para identificar os autores do vazamento da notícia, conforme preconiza a lei. O vazamento prejudica os citados, na medida em que nem ele nem seus advogados tem conhecimento sobre o conteúdo efetivo da delação, e se ela de fato existe.

Ao jornal, o ministro Ricardo Barros e o cunhado dele, o ex-vereador Juliano Borghetti, negaram que os pagamentos feitos por Eduardo Souza, dono da construtora Valor e hoje delator, tenham ligação com a compra de um cargo da vice-governadoria. Ambos afirmaram que Borghetti recebeu da Valor porque trabalhou por cerca de três meses na construtora como período de experiência. A inclusão do ministro seria para valorizar a delação, com que o empresário pretende amenizar suas penas.

Coisas distintas

O ministro diz que também solicitará, se ou quando notificado, a separação deste fato do conjunto da Operação Quadro Negro, pois não há efetivamente nenhuma conexão entre os fatos que, segundo o que se sabe da narrativa do delator ocorreram em períodos distintos.

Juliano, no ano passado, já fez sua declaração no processo judicial reafirmando sua condição de contratado pela empresa valor onde recebia salário. O ministro se colocou à inteira disposição para esclarecimentos quando tiver acesso ao inteiro teor da suposta delação, reafirmando sua lisura no exercício da função pública.

O caso da Construtora Valor

A construtora Valor é investigada por desvios de cerca de R$ 20 milhões da Secretaria de Estado da Educação na operação Quadro Negro, que investiga o esquema. O jornal afirma ter tido acesso aos anexos da delação assinada pelo empresário com a Procuradoria-Geral da República e que aguarda homologação do ministro Luiz Fux no Supremo Tribunal Federal.

De acordo com o relator, reunião com Barros teria ocorrido “bem no começo do ano de 2015”, quando o ministro era deputado federal. Souza afirma que o combinado teria sido nomear para um cargo de assistente na vice-governadoria. A nomeada atuaria ajudando a construtora Valor na Secretaria de Educação.

“Nessa reunião, Ricardo Barros disse que concordaria com a proposta, mas era para pagar R$ 15 mil mensais ao Juliano Borguetti (eu tinha oferecido R$ 10 mil)”, diz trecho da delação de Souza. O empresário afirmou que a ideia era que Marilane fosse realocada, posteriormente, para a Secretaria de Estado do Meio Ambiente, que seria a Pasta da “cota da família Barros”, segundo ele.

“Ele (Barros) disse que colocaria Mari na Sema e que, em relação aos contratos que eu ganhasse lá, a gente acertava na época da campanha. Ele disse que não gostava de receber valores ao longo da execução das obras”, afirmou o delator.

A nomeação de Marilene foi publicada no Diário Oficial do Estado de 21 de janeiro de 2015 como assessora da vice-governadoria do Estado. O salário base do cargo que a servidora ocupou seria R$ 9 mil.

O delator também teria afirmado que que pagou três parcelas de R$ 15 mil por três meses ao irmão da vice-governadora, totalizando R$ 45 mil. “Ele (Juliano Borghetti, cunhado de Barros) ia buscar o dinheiro comigo lá na Valor”, afirmou ele, segundo o jornal.

Em dezembro de 2015, Borghetti ficou preso por três dias em uma das fases da Quadro Negro, que prendeu também o delator. Borghetti teria sido detido porque recebeu três cheques da construtora Valor de R$ 15 mil cada.

Em 2013, o ex-vereador também foi preso por envolvimento em uma briga entre os torcedores do Atlético-PR e do Vasco em uma rodada do Campeonato Brasileiro na Arena Joinville (SC).

De acordo com Souza, essa prisão provocou um desgaste da imagem de Borghetti, o que impedia que ele assumisse cargos no governo. Por isso, foi feito o acordo que lhe dava o direito “à nomeação de um cargo na vice-governadoria”, explicou o delator. A nomeação teria sido acertada na reunião entre Barros, seu cunhado e o empreiteiro.

Souza teria afirmado ainda que Marilane chegou a ser apresentada por Barros ao secretário do Meio Ambiente, mas que o combinado de deslocá-la para a Pasta não ocorrou. Disse ainda que depois ela perdeu o posto na vice, já que “o governador Beto Richa retirou alguns cargos da lá”.

O empreiteiro diz que combinou com Borghethi suspender os pagamentos até que a situação da servidora se resolvesse. Logo depois, vieram a público os desvios envolvendo a Secretaria da Educação e a construtora Valor e os pagamentos não foram retomados. Atualmente, Marilane trabalha na Secretaria de Administração e Previdência do Paraná.

“O trabalho na empresa foi posterior aos supostos desvios por ela praticados, conforme comprovado no processo que tramita em Curitiba”, disse Claudio Dalledone, advogado do ex-vereador. Ele afirmou ainda que seu cliente nega as acusações relacionadas “à pretensa troca de cargos”.

O ministro disse, por meio de sua assessoria, que a operação Quadro Negro virou inquérito e ação na Justiça há mais de um ano e que não houve citação ao seu nome. Alegou também que “nenhuma das testemunhas do processo o implicou nos fatos investigados”. Também afirmou que não procede a informação de que acertou nomear a servidora Marilane Fermino para a vice-governadoria do Estado.

Em nota, ele afirmou que Marilane é funcionária de carreira do Estado, que ocupou um cargo na secretaria de Educação, foi nomeada na vice-governadoria, mas trabalhou efetivamente na Casa Civil. “Em abril, ela foi para a secretaria de Administração, em março de 2017 alocada na de Desenvolvimento Urbano, e em julho de 2017 voltou para a Administração”.

A defesa da servidora Marilane Fermino disse que não se manifestaria, já que não foi notificada da delação.


6 comentários

  1. Dana Daró
    sexta-feira, 1 de setembro de 2017 – 12:40 hs

    Nunca fazem nada e não conhecem ninguém, é igual quando estouram boca de fumo em morro, eles respondem mesma coisa quando são entrevistados por repórter policial!

  2. Daniel Fernandes
    sexta-feira, 1 de setembro de 2017 – 12:59 hs

    Fui eu!
    Nunca foi nenhum deles.
    Fui eu!
    Nunca conhecem ninguém, nunca foram eles.
    Fico enojado.

  3. Sergio Silvestre
    sexta-feira, 1 de setembro de 2017 – 13:13 hs

    Quando levantarem toda capivara dessa familia não sobra nem a casca da melancia.

  4. Eleitor
    sexta-feira, 1 de setembro de 2017 – 13:14 hs

    Não…que injustiça, são todos inocentes, tadinho deles!!!

  5. falido e ainda mal pago
    sexta-feira, 1 de setembro de 2017 – 13:39 hs

    KKKKK. A casa tá caindo nos arraiá dos Barros. Agora só falta pegar a turma do camundongo! Por sinal,o que a tal da servidora concursada fez na Secretaria de Desenvolvimento Urbano de março a julho de 2017? Esquema?
    É Beto, dizei-me com quem andas te direi quem és!

  6. Rogerio
    sexta-feira, 1 de setembro de 2017 – 15:54 hs

    trabalhou três meses como estagiário ganhando quinze paus por mês, ahh conta outra. kkkk

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