O banco clandestino do PMDB | Fábio Campana

O banco clandestino do PMDB

Para a PF, o apartamento que abrigava 51 milhões de reais era um entreposto para guardar e distribuir propina destinada a aliados do partido

Ullisses Campbell, Veja

A dinheirama continua, oficialmente, sem dono. Desde o último dia 6, os 51 milhões de reais encontrados em um apartamento no bairro da Graça, em Salvador, usado pelo ex-­ministro Geddel Vieira Lima, estão depositados em juízo sem que ninguém tenha reclamado sua posse. O produto da maior apreensão já feita pela Polícia Federal, no entanto, não tem um único proprietário, suspeitam os investigadores, mas pertence à mesma quadrilha. Os indícios coletados até agora apontam para a hipótese de que o apartamento funcionava nos moldes de um banco clandestino que servia aos interesses do PMDB — um bunker de armazenamento e distribuição de dinheiro arrecadado em forma de propina e caixa dois por operadores a mando de caciques do partido.

São dois os elementos-chave que sustentam a linha de investigação. O primeiro é a confissão do advogado Gustavo Ferraz, tido como braço-­direito de Geddel e preso no mesmo dia que seu chefe. Ele foi filmado por câmeras do circuito de segurança do edifício da Graça entrando e saindo do imóvel pelo menos doze vezes com malas, mochilas e caixas e vinha sendo monitorado pela polícia fazia pelo menos seis meses. Na semana passada, em seu primeiro depoimento, Ferraz admitiu ter sido encarregado por Geddel de coletar, periodicamente, em São Paulo, quantias em dinheiro vivo que lhe eram entregues por um assessor de Eduardo Cunha, o ex-presidente da Câmara, preso desde o ano passado.

O segundo elemento a sustentar a hipótese é o depoimento do operador Lúcio Funaro. Em agosto, ele declarou à Polícia Federal ter entregue “malas e sacolas” com dinheiro vivo ao ex-ministro Geddel entre 2014 e 2015. Só nesse período, o montante totalizou 11 milhões de reais, afirmou. A polícia acredita que o valor esteja incorporado à dinheirama do imóvel da Graça.


4 comentários

  1. Sergio Silvestre
    segunda-feira, 18 de setembro de 2017 – 19:49 hs

    Michel Temer deve estar com uma raiva rsrsrsrsrs

  2. Cido
    segunda-feira, 18 de setembro de 2017 – 19:53 hs

    Quem pensa no bem geral da nação ? Cada partido, cada grupo empresarial, cada um, pensa no seu lado. Tem santo em algum lado ? O cidadão tem que se esclarecer e enxergar a verdade ! Magistrados, políticos, procuradores, promotores, professores, etc, etc, cada um defendendo o seu lado.

  3. Vanderlei Pereira
    segunda-feira, 18 de setembro de 2017 – 20:09 hs

    Ogarito na corda Bamba na Sec. Nacional de Portos

    A medida pode atingir diretamente ao menos um paranaense que ocupa diretoria na Secretaria Nacional de Portos O presidente Michel Temer pretende rever todas as indicações para cargos políticos feitas pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA). Fontes ligadas ao Palácio do Planalto informam que após a prisão de Geddel a manutenção destes comissionados fica insustentável no governo. O diretor de Outorgas da Secretaria Nacional de Portos, Ogarito Borgias Linhares é um dos que está na corda bamba. Ele foi indicado por Geddel a pedido do Senador Roberto Requião e do Deputado João Arruda e pode cair a qualquer momento.
    O Blog do Estadão Direto da Fonte, já havia trazido a tona que Ogarito também teve contas rejeitas pelo TCE do Paraná, enquanto Secretário de Obras na Prefeitura de Paranaguá e já sofreu duas advertências enquanto Engenheiro da APPA por não cumprir expediente de trabalho. As informações são do Estado de São Paulo.

  4. Do interior
    segunda-feira, 18 de setembro de 2017 – 20:47 hs

    Banco clandestino aberto sob a gerência de Lulla, só para lembrar.

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