'Não tenho coragem, tenho é medo de errar e decepcionar o MPF' | Fábio Campana

‘Não tenho coragem, tenho é medo de errar e decepcionar o MPF’

Procurador-geral, que está a 10 dias do fim do mandato, afirma ter vivido ‘um dos dias mais tensos’ do cargo

Em discurso emocionado, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse que viveu na segunda-feira, 5, “um dos dias mais tensos” do cargo, ao anunciar que pode rever o acordo de delação dos executivos da J&F. Ao falar sobre o cargo, ele afirmou que o momento da decisão é “solitário”. “A responsabilidade da decisão do procurador-geral é só do procurador-geral. Quando o procurador geral erra, ele errou só. Quando ele acerta, acertou com toda sua equipe. Esse peso tira muito a energia da gente”, disse Janot, ao falar sobre seus últimos dias.
Segundo ele, os dois mandatos como PGR colocaram em seu caminho “desafios quase sobre humanos”, em uma referência à Lava Jato. “Eu não tinha a menor ideia de que todo esse tsunami iria acontecer ao final da minha carreira. Nunca tive uma atuação forte na área penal, todo mundo sabe que essa não é a minha área e o desafio final foi esse”, disse Janot, na sua última sessão como presidente do Conselho Superior do Ministério Público Federal. Após seis meses do início de seu mandato como procurador-geral, a Lava Jato teve início e perdurou durante os outros três anos e meio.

Sem mencionar diretamente a JBS, Rodrigo Janot falou sobre a decisão de ontem. Após meses de críticas por ter firmado um acordo polêmico de colaboração com Joesley Batista, Janot foi obrigado a anunciar que pode rever a delação, depois de descobrir novos áudios do delator. “Ontem foi um dos dias mais tensos e um dos maiores desafios desse período. Alguém disse para mim: ‘você realmente é um homem de muita coragem’. Eu pensei: será que sou um homem de coragem mesmo? Cheguei à conclusão de que não tenho coragem alguma. Na verdade, o que eu tenho é medo e o medo nos faz alerta.”

O medo, disse Janot, é de “errar muito” e de “decepcionar” o Ministério Público. “Todas as questões que enfrentei, eu enfrentei muito mais por medo de errar, de me omitir, de decepcionar a minha instituição do que por coragem de enfrentar esses enormes desafios”, disse.

Ele afirmou que tem vivido uma “montanha-russa”, pois surpresas têm aparecido no meio do caminho. “E a impressão que dá é uma montanha-russa que só tem queda livre, não te dá o respiro de uma subida para se preparar para a nova queda”, disse.

Dividindo o mesmo plenário de Janot nesta manhã estava a conselheira Raquel Dodge, que irá assumir o comando da PGR a partir de 18 de setembro. Janot disse à sua futura sucessora que está “tentando deixar a casa da melhor forma arrumada” e aconselhou em tom emocionado: “Nos momentos difíceis, não desanime; converse”. Pouco antes, Raquel elogiou o antecessor e disse que Janot deixa “um legado que honra a história do Ministério Público na construção de uma instituição forte”. Os dois são conhecidos desafetos dentro do Ministério Público Federal.

Ao citar um personagem de Fernando Pessoa, Janot falou: “Ele afirmava: ‘Cumpri contra o destino o meu dever. Inultilmente? Não, porque o cumpri’. Acho que esse é o compromisso do MP, o compromisso com nossa sociedade, ser Ministério Público de forma reta. De cumprir, ainda que seja contra o destino, nosso dever.”.

O procurador agradeceu sua equipe e disse que foi “muito difícil mesmo” enfrentar algumas situações: “E isso foi possível porque contei com o empenho pessoal de toda minha equipe que se entregou de corpo e alma. Sozinho nessa cadeira não se faz nada”.

Informações do Estadão.
(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)


4 comentários

  1. Doutor Prolegômeno
    terça-feira, 5 de setembro de 2017 – 15:27 hs

    Para quem dizia ser Guilherme Tell, não chega aos pés do estilingue de Zezé, de Meu Pé de Laranja Lima.

  2. terça-feira, 5 de setembro de 2017 – 16:14 hs

    acabou o bambu !

  3. Pirado
    terça-feira, 5 de setembro de 2017 – 16:25 hs

    Bah, dotor Janota!! TÁJ COM MEDINHO DO JOSELEY PROTEÍNA, É!! ÓIA QUE O JOSELEY PROTEÍNA É ANIMAR, ELE VAI PEGÁ OCÊ, SEU JANOTA!! Seja homem, cabra da peste!! Tu, de duas, uma: OU TÁ NO IXQUEMA, OU É INCOMPETENTE INGUAR QUENEM A ANTA QUE TE NOMEOU!!

  4. Palpiteiro
    terça-feira, 5 de setembro de 2017 – 18:31 hs

    Hoje ninguém mais pode duvidar que o maior motivo para a anulação de toda essa delação nojenta e vomitória que o delator era chefe de quadrilha, disposto a qualquer coisa para safar-se das garras da lei. De levar mulheres para cama e a contratar lover boys para satisfazer prazeres de todos os gostos. Se isso não é uma pratica mafiosa, então Mário Puzo era um escritor de histórias da carochinha.

Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*