Dois pesos, duas medidas: PT pune dissidentes, mas poupa condenados | Fábio Campana

Dois pesos, duas medidas: PT pune dissidentes, mas poupa condenados

Partido já expulsou quem criticava Lula, mas não afasta condenados por corrupção

Jeferson Ribeiro, O Globo

No PT, condenados por corrupção podem até ser refiliados, como aconteceu com o ex-tesoureiro do partido na época do escândalo do mensalão Delúbio Soares, ou ainda mobilizar a militância para pagamentos de multas por condenações de práticas corruptas, como aconteceu com o ex-ministro José Dirceu.

Porém, se um petista descontentar a cúpula da legenda criticando o governo ou ainda admitir práticas desonestas e revelar que outros integrantes se envolveram em corrupção, a expulsão é garantida, como ficou claro no caso do ex-ministro Antonio Palocci nesta semana.

Essa é a prática adotada desde que o partido chegou ao comando da Presidência em 2003. Naquele ano, a ala mais à esquerda do partido ficou furiosa com a política econômica adotada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com a proposta de reforma da Previdência encaminhada ao Congresso. Eles se sentiam traídos e gritavam no Congresso contra as medidas do governo.

Sob o comando então ministro da Casa Civil e presidente licenciado do PT José Dirceu, o partido se livrou dos “radicais”. Um processo de expulsão foi aberto contra a ex-senadora Heloísa Helena e os ex-deputados Luciana Genro, João Batista de Oliveira, o Babá, e João Fontes. Todos desobedeceram a decisão do partido de votar a favor da reforma da Previdência. Além disso, tinham atuação bastante crítica contra o governo.

Foram expulsos por 55 dos 83 membros do diretório nacional do PT em dezembro de 2003, primeiro ano do governo Lula.

À época, José Genoíno, que presidia o partido no lugar de Dirceu, disse que o “PT reafirma seu caráter partidário pluralista, livre para dar e receber opiniões, mas que preza pela unidade partidária no principio do voto”.

Nos anos seguintes, integrantes do partido seriam denunciados por terem participado do maior escândalo de corrupção até então, o mensalão. José Dirceu deixou a Casa Civil, voltou ao Congresso, para onde havia sido eleito deputado, e passou a ser o maior articulador do governo. Acabou cassado pela Câmara. O PT não tomou nenhuma atitude.

Em 2012, Dirceu foi condenador pelo Supremo Tribunal Federal (STF), como chefe da organização criminosa que operou o mensalão, a dez anos e dez meses de prisão e multa de R$ 676 mil. Ele nunca foi sequer investigado pelo partido, que ainda convocou a militância a fazer uma vaquinha para pagar as multas dos condenados do partido.

Quando o escândalo eclodiu, em 2005, o então tesoureiro do PT Delúbio Soares chegou a ser expulso da legenda, mas nunca foi considerado persona não grata entre os petistas. Tanto que em 2011, antes do término do julgamento do mensalão no STF, Delúbio foi readmitido nos quadros do partido.

Por 60 votos favoráveis e 15 contrários do diretório nacional, Delúbio voltou para o PT.

No final do julgamento do mensalão, o ex-presidente da legenda Rui Falcão foi questionado sobre que punições internas os petistas condenados sofreriam. E disse que nenhuma, por não via motivos para isso.

— O diretório considera que não houve compra de votos nem tampouco aplicação de recursos públicos. Quem aplica o estatuto do partido é a direção do partido. Não vemos, primeiro, nenhum crime infamante, que é o que diz o estatuto e, segundo, nós questionamos o caráter político do julgamento do STF”, disse Falcão è época.

NOVOS ESCÂNDALOS

Anos depois, em 2014, num entrevista ao programa “Diálogos com Mario Sergio Conti”, transmitido pela “GloboNews”, Falcão disse que, se houvesse qualquer petista envolvido com corrupção na Lava-Jato, ele seria expulso.

— Eu já fui ao STF e à PGR pedir acesso ao que possa existir sobre o PT nessas delações da Lava-Jato. Se tiver qualquer filiado do PT envolvido em corrupção, malfeitos, apropriação de recurso público e em aproveitamento de propina, nós vamos aplicar o estatuto e vamos expulsá-lo do partido — disse o petista.

Em parte isso ocorreu, mas apenas contra aqueles que delataram que o partido estava envolvido institucionalmente com a corrupção revelada pela Lava-Jato.

Desde a eclosão do escândalo, três petistas deixaram a legenda. O ex-deputado André Vargas, acusado de se beneficiar e interceder por contratos da Labogen no Ministério da Saúde, foi ameaçado de expulsão em abril de 2014 e pediu a desfiliação.

No ano passado, foi a vez de Delcídio Amaral, único senador preso durante o exercício do mandato, deixar o PT. Ele foi preso por tentar obstruir a Justiça oferecendo dinheiro à família do ex-diretor internacional da Petrobras Nestor Cerveró para que ele não fechasse um acordo de delação premiada.

Depois disso, Delcídio fechou um acordo de delação premiada com a Lava-Jato apontando articulação de Lula e da ex-presidente Dilma Rousseff para barrar a operação.

O PT não aceitou que o filiado envolvesse a cúpula do partido e abriu processo de expulsão contra ele. Meses depois, antes de ser expulso, Delcídio pediu para se desfiliar do PT.

Na terça-feira, foi a vez de Palocci. Depois de depor ao juiz Sérgio Moro dizendo que Lula tinha feito um “pacto de sangue” com a Odebrecht para receber um pacote de propinas, o PT abriu um processo de expulsão contra ele.

Palocci se antecipou ao processo de expulsão e entregou uma carta de desfiliação em que deixa evidente a contradição do PT para avaliar a ética de seus filiados.

“Enfim, é por todas essas razões que eu não compreendo o processo aberto agora. Enquanto os fatos me eram imputados e eu me mantive calado não se cogitava minha expulsão. Ao contrário, era enaltecido por um palavrório vazio. Agora de resolvo mudar minha linha de defesa e falar a verdade, me vejo diante de um tribunal inquisitorial dentro do próprio PT. Qual o critério do partido? Processos em andamento? Condenações proferidas? Se é este o critério, o processo não deveria recair apenas sobre mim”, escreveu Palocci.

Desde o começo da Lava-Jato, o PT teve mais de uma dezena de integrantes citados nas investigações, denunciados pelo Ministério Público e condenados. É o caso do ex-presidente Lula, condenado a mais de nove anos de prisão por ter recebido vantagem indevida da empreiteira OAS, que teria reformado um apartamento tríplex, na praia de Guarujá (SP), para o petista.

Outros petistas, inclusive a presidente da legenda, senadora Gleisi Hoffmann (PR), são alvos de investigação do STF. E o tesoureiro da legenda, João Vaccari, também foi condenado.

Contra esses, o PT não abriu processos de expulsão.


7 comentários

  1. CAÇADOR DE VERMES PETISTAS
    quinta-feira, 28 de setembro de 2017 – 8:07 hs

    Vagabundo.

    Esse Sindicalista pilantra nunca teve vergonha e caráter. Vem imputando toda a culpa a mulher morta primeiro pra ganhar tempo no Processo pra sair candidato “pensando” em se eleger pra se safar.

    Esse verme é sim o maior bandido que passou pela Presidência do Brasil.

    CADEIA pra você seu safado é o que os brasileiros esperam nesse exato momento.

    E vc Gleisi, aguarde que sua hora esta chegando também sua safada, ladra de velhinhos aposentados.

  2. TADEU ROCHA
    quinta-feira, 28 de setembro de 2017 – 8:09 hs

    SENADORA SÓ UMA PERGUNTA. TEU MARIDO, VOCE SÓ SAIU VOTO COM LULA, VOCES ESTÃO FORA DO MERCADO POLITICO.

  3. PAULO
    quinta-feira, 28 de setembro de 2017 – 9:57 hs

    E o grande prefeito Eduardo Andre Gaiveski que está condenado a mais de 150 anos de prisão foi expulso ?

  4. PAULO
    quinta-feira, 28 de setembro de 2017 – 9:57 hs

    E o grande prefeito Eduardo Andre Gaiveski que está condenado a mais de 150 anos de prisão foi expulso ?

  5. PAULO
    quinta-feira, 28 de setembro de 2017 – 9:57 hs

    E o grande prefeito Eduardo Andre Gaiveski que está condenado a mais de 150 anos de prisão foi expulso ?
    E agora

  6. Do Interior....
    quinta-feira, 28 de setembro de 2017 – 10:27 hs

    o PT é uma organização criminosa mesmo.

  7. henry
    quinta-feira, 28 de setembro de 2017 – 12:01 hs

    PRIMEIRO QUE isto NÃO É UM PARTIDO. É UMA FACÇÃO CRIMINOSA (poderosa), QUE SE FOR EXPULSAR TODOS QUE ESTÃO CONDENADOS, NÃO SOBRARÁ UM (uma) PARA APAGAR A LUZ E FECHAR A PORTA. NO MÍNIMO, TODOS OS SEUS MEMBROS PRINCIPAIS, JÁ SÃO RÉUS EM UM OU EM MUITOS PROCESSOS PENAIS.

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