Comandante do Exército não punirá general que pregou intervenção militar | Fábio Campana

Comandante do Exército não punirá general que pregou intervenção militar

Jornal do Brasil

O comando do Exército brasileiro não vai punir o general Antonio Hamilton Mourão, que na última sexta-feira (15) sugeriu uma intervenção militar no país, caso o Poder Judiciário não solucionasse o problema político. Nesta terça-feira (19), em entrevista ao jornalista Pedro Bial, o comandante do Exército brasileiro, general Eduardo Villas Bôas, afirmou que Mourão não será punido e que seria necessário contextualizar a fala dele, que se deu em um ambiente fechado, após ter sido provocado. “Ele (Mourão) não fala pelo Alto Comando, quem fala pelo Alto Comando e pelo Exército sou eu. Nós já conversamos para colocar as coisas no lugar, mas punição, não”, afirmou.

Villas Bôas reforçou que a “ditadura nunca é melhor”, e que seria preciso entender o momento na circunstância, com Guerra Fria e polarização ideológica. O general reforçou que hoje o país tem instituições amadurecidas e um sistema de peso e contrapeso que dispensa a sociedade de ser tutelada.

Villas Bôas também negou que Mourão tivesse desrespeitado a legislação que proíbe oficiais da ativa de se manifestarem sobre o quadro político-partidário. Para ele, a fala do colega foi descontextualizada e mal interpretada. Ele ainda deu a entender que as Forças Armadas podem, sim, agir em assuntos relacionados a crises.

“Se você recorrer ao que está na Constituição, no artigo 142, como atribuição das Forças Armadas, diz que as Forças podem ser empregadas na garantia da lei e da ordem por iniciativa de um dos poderes”, afirmou.

Como exemplos, citou as recentes atuações do Exército para conter ondas de violência no Espírito Santo e no Rio de Janeiro. O comandante das Forças continuou: “O texto diz que o Exército se destina à defesa da pátria e das instituições. Essa defesa poderá ocorrer por iniciativa de um dos poderes, ou na iminência de um caos. As Forças Armadas têm mandato para fazer”.

O comandante do Exército ainda elogiou Mourão, afirmando que ele é “um grande soldado, uma figura fantástica, um gauchão.” Ainda segundo Villas Bôas, o general iniciou sua declaração polêmica frisando que segue as diretrizes do comandante. “E nossa atuação desde o início das crises, do impeachment, era promover a estabilidade, pautar sempre pela legalidade, e preservar a legitimidade que o Exército tem.”

Em outubro de 2015, Mourão causou polêmica ao criticar o governo e a então presidente Dilma Rousseff. Na ocasião, ele perdeu o Comando Militar do Sul e foi transferido para a Secretaria de Economia e Finanças. Na época, um oficial sob seu comando fez homenagem póstuma ao coronel Brilhante Ustra, acusado de inúmeros crimes de tortura e assassinatos na ditadura militar.

Jungmann pede explicações a comandante do Exército sobre fala de general

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, havia pedido, na segunda-feira (18), explicações ao comandante do Exército após Mourão ter sugerido a intervenção militar. Em nota, o ministro afirma que foram discutidas “medidas cabíveis a serem tomadas” em relação ao general Antonio Hamilton Mourão, secretário de Finanças do Exército.

“Reitera o ministro da Defesa que as Forças Armadas estão plenamente subordinadas aos princípios constitucionais e democráticos. Há um clima de absoluta tranquilidade e observância aos princípios de disciplina e hierarquia”, diz a nota.

Polêmica

O general Antonio Hamilton Mourão participou de um evento da maçonaria em Brasília na sexta-feira (15) e, depois de uma palestra de 50 minutos, sugeriu que uma saída para os problemas da política no país seria uma intervenção militar. A declaração foi feita em resposta ao questionamento de um dos presentes, sobre a possibilidade de intervenção no momento em que Michel Temer é denunciado pela segunda vez.

“[…] ou as instituições solucionam o problema político retirando da vida pública o elementos envolvido em todos os ilícitos ou então nós teremos que impor uma solução”, destacou o general, que é secretário de economia e finanças da Força.

“Os Poderes terão que buscar uma solução. Se não conseguirem, temos que impor uma solução. E essa imposição não será fácil. Ela trará problemas. Pode ter certeza”, completou Mourão. O vídeo com a declaração foi compartilhado nas redes sociais.

O PT publicou uma nota oficial criticando a declaração do general, destacando que o posicionamento “fere frontalmente a Constituição e ameaça seriamente a democracia”. A nota acrescenta que o general foi afastado do Comando Militar do Sul, em 2015, por ter manifestado ideias a favor de uma ação militar na política.

“A nova transgressão requereria imediatas providências por parte do Comando-Geral do Exército e do Ministério da Defesa, para ratificar o compromisso das Forças Armadas com a Constituição e impedir que fatos como estes se repitam”, diz a nota, assinada pela presidente da legenda, Gleisi Hoffmann.

A palestra de sexta-feira foi promovida por uma loja maçônica de Brasília e acompanhada por integrantes do Rio de Janeiro e de Santa Catarina, entre outros.

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública, organização não governamental, também em nota, disse que vê com “preocupação e estranheza” a sugestão do general. “Esta declaração é muito grave e ganha conotação oficial na medida em que o General estava fardado e, por isso, representando formalmente o Comando da força terrestre. Ela é ainda mais grave por ter sido emitida pelo Secretário de Economia e Finanças, responsável pelo gerenciamento de recursos da Força e, portanto, soar como chantagem aos Poderes constituídos em um momento de restrição orçamentária.”

O comandante do Exército, general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, informou por meio de nota à imprensa que o Exército reafirma constantemente seu compromisso de pautar as ações na legalidade, estabilidade e legitimidade.

Ao jornal Estado de S. Paulo, Mourão alegou que “não está insuflando nada” e que “não defendeu, apenas respondeu a uma pergunta”. Disse ainda que “não é uma tomada de poder. “Não existe nada disso. É simplesmente alguém que coloque as coisas em ordem, e diga: atenção, minha gente. Vamos nos acertar aqui e deixar as coisas de forma que o país consiga andar e não como estamos.”


9 comentários

  1. Maquiavel
    quarta-feira, 20 de setembro de 2017 – 14:05 hs

    Ou seja, o Villas Boas está ao lado do Mourão…

    Mas ainda quero saber: este Mourão é parente daquele Mourão, que se auto-intitulou “a vaca-fardada”?

  2. Doutor Prolegômeno
    quarta-feira, 20 de setembro de 2017 – 14:21 hs

    Os profetas do apocalipse, adoradores do lulopetismo e das sombras da catástrofe, dão importância a um assunto nulo. A opinião pessoal de um general sem tropa, que comanda uma escrivaninha e um gabinete de burocratas, às vésperas da aposentadoria, tem o mesmo peso que a opinião da maior parte dos colunistas e editorialistas que o apontam como a um herege, um apóstata. O Brasil jamais será um país levado a sério.

  3. quarta-feira, 20 de setembro de 2017 – 14:33 hs

    Estão dentro da constituição, em caso de caos, eles tomarão o poder, curto e grosso, a população manifestou o seu apoio as FFAA de Mourão e VB, basta acessar os sites, blogs e redes sociais, o povo não quer mais as esquerdas mandando no país, o povo descobriu que esquerdismo é uma praga que precisa ser exterminada, custe o que custar!

  4. valdir bassai
    quarta-feira, 20 de setembro de 2017 – 14:43 hs

    Punir porque se o cidadão falou o que a sociedade deseja ouvir.
    Passando da hora dos milicos cumprirem o papel deles.

  5. Rr
    quarta-feira, 20 de setembro de 2017 – 16:01 hs

    Mourão o novo herói nacional,vamos orar pra que ele e o restante das foças armadas tomem logo as rédeas desse país e eliminem todo o lixo que existe.

  6. Antonio Tadeu Meneses
    quarta-feira, 20 de setembro de 2017 – 16:43 hs

    Se as forças armadas tomarem o poder no país, o tio Trump vai ficar bravo e vai ameaçar o Brasil, como está fazendo contra o Irã, Coreia do Norte e Venezuela.

  7. quarta-feira, 20 de setembro de 2017 – 18:09 hs

    Os Militares não estão falando de Tomar o Poder e Governar o País, eu entendo que seria uma Ação de Expurgo e em seguida Convocar Eleições SEM FRAUDE. Porém eu particularmente, apoiaria que os Militares tomassem o Poder e Instalassem a MONARQUIA PARLAMENTARISTA, pois a Fam´pilia imperial está PREPARADA para Governar…

  8. José Maria de Carvalho
    quarta-feira, 20 de setembro de 2017 – 20:00 hs

    Senhor jornalista, o título do posto não corresponde ao texto e muito menos a verdade dos fatos, por favor, corrija-o.

  9. QUESTIONADOR
    quinta-feira, 21 de setembro de 2017 – 11:25 hs

    -Muita repercussão para nada. Tempestade em copo d’água!
    -Se o STJ insistir com julgamentos equivocados e colocando em liberdade réus confessos, principalmente políticos apontados como réus na Lava-Jato, a insatisfação popular pode desencadeiar resultados imprevisíveis, gerando picos de extremas violência contra os poderes de Brasília. Contra políticos corruptos e também contra os magistrados do STF…é só escolher o caminho certo.
    -A decisão está nas mesas dos ministros do STF e da PGR. O destino do Brasil está na mãos deles, ou melhor na tinta da caneta que eles usam. Os militares são enfáticos em obedecer a malfadada Constituição e em caso de revolta popular, a violência desenfreada e a impunidade, são motivos mais que suficientes para que uma Intervenção acontece…e doa a quem doer!!!

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