Chefe da ONU chama teste de Kim de 'profundamente desestabilizador' | Fábio Campana

Chefe da ONU chama teste de Kim de ‘profundamente desestabilizador’

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, condenou neste domingo o teste nuclear da Coreia do Norte, a que chamou de “profundamente desestabilizador para a segurança regional”. Ele pediu que a liderança do país interrompa as ameaças, segundo seu porta-voz.O sexto teste nuclear de Pyongyang foi alvo de condenação de diversos líderes mundiais neste domingo, além de ter levado o presidente dos EUA, Donald Trump, a não descartar uma resposta militar ao regime.

“Este ato é outra séria violação das obrigações internacionais da República Democrática Popular da Coreia (RDPC) e mina os esforços internacionais de não-proliferação e desarmamento. Este ato é profundamente desestabilizador para a segurança regional”, disse o porta-voz da ONU Stephane Dujarric. As informações são d’O Globo.

Na manhã deste domingo (ainda noite de sábado no Brasil), a Coreia do Norte anunciou ter testado com sucesso uma bomba de hidrogênio, que seria a mais poderosa construída pelo país até agora. Ainda de acordo com o anúncio, a ogiva poderia ser instalada nos mísseis intercontinentais também recém-testados pelo país. Segundo o Serviço Geológico dos EUA (USGS), a explosão da bomba provocou um terremoto de magnitude 6,3, o mais forte já causado por um teste norte-coreano até agora.

O sexto teste nuclear de Pyongyang foi alvo de condenação de diversos líderes mundiais neste domingo.Trump, como de hábito, usou sua conta no Twitter para se pronunciar, afirmando que “as palavras e ações” do país asiático são “muito hostis e perigosas” para os EUA e uma “ameaça e embaraço” para sua aliada China.

“A Coreia do Norte é uma nação pária que se tornou uma grande ameaça e embaraço para a China, que está tentando ajudar, mas com pouco sucesso”, considerou o presidente americano, acrescentando que as conversas de apaziguamento da Coreia do Sul com sua vizinha não vão funcionar, já que “eles (os norte-coreanos) só entendem uma coisa!”. Trump, no entanto, não esclareceu que “coisa” é essa. A Casa Branca, por sua vez, informou que o presidente vai se reunir com assessores ainda neste domingo para discutir a situação.

O novo teste foi motivo de condenação, inclusive, da sua aliada China, anfitriã da 9ª Cúpula do BRICS (grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que acontece no balneário de Xiamen. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores chinês afirmou que “expressa firme oposição e condena fortemente o teste nuclear conduzido pela República Democrática da Coreia do Norte”.

Pouco depois da divulgação da nota, o presidente da China, Xi Jinping, disse a centenas de empresários durante a abertura do Fórum Empresarial do BRICS que os cinco países do bloco precisaram defender a paz e a estabilidade global.

— Nós do BRICS estamos comprometidos em manter a paz global e contribuir para a ordem da segurança internacional.

Enquanto isso, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente da França, Emmanuel Macron, emitiram um comunicado conjunto em que pedem sanções mais duras contra a Coreia do Norte. Segundo os dois líderes europeus, “esta última provocação do governante de Pyongyang atingiu uma nova dimensão”, numa violação da lei internacional que deve ser rechaçada decisivamente pela comunidade global.

“Além do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a União Europeia deve agir já. A chanceler e o presidente expressam seu apoio a um endurecimento das sanções da UE contra a Coreia do Norte”, acrescenta o comunicado.

Já o ministro das Relações Exteriores britânico, Boris Johnson, considerou o teste nuclear norte-coreano “imprudente” e uma “provocação”.

— Eles parecem estar mais perto de uma bomba de hidrogênio que, se armada em um míssil, seria inquestionavelmente uma ameaça em uma nova ordem — disse Johnson à rede de TV Sky News, acrescentando não haver soluções militares “palatáveis” para a questão.

A Rússia, por sua vez, preferiu adotar um tom mais parcimonioso nas críticas, afirmando ser necessário “manter a calma” diante da situação e evitar ações que levem a uma escalada nas tensões, embora considere que a Coreia do Norte se arrisca a sofrer “serias consequências” por suas ações. Para o país, as negociações são a única maneira de resolver a crise com a Coreia do Norte.

Além disso, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, se encontrou ainda neste domingo Xi por ocasião da cúpula dos BRICS. Na reunião, ambos se comprometeram a “lidar apropriadamente” com o teste norte-coreano. “

Os dois líderes concordaram em manter o objetivo de desnuclearizar a Península Coreana”, informou a agência de notícias chinesa Xinhua.


Um comentário

  1. Sergio Silvestre
    domingo, 3 de setembro de 2017 – 22:51 hs

    Não entendo,os EUA fazem testes,Israel fazem testes,Ingleterra fazem testes,França fazem teste,Paquistão fazem testes,por que o Rapaz da Coreia não pode?

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