'Semipresidencialismo' não é para agora, diz Fernando Henrique | Fábio Campana

‘Semipresidencialismo’ não é para agora, diz Fernando Henrique

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) avalia que a discussão sobre a mudança do sistema de governo para um “semipresidencialismo” não é um debate para agora. “É discussão abstrata. A crise de confiança é tão grande. Embora possa vir a ser implantado esse programa, ele precisa de um processo – não de um ato”, afirmou o ex-presidente a Andréia Sadi no G1.

Nos últimos dias, o ministro do STF e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, e o presidente Michel Temer passaram a defender publicamente a ideia. Temer, segundo interlocutores, já admitiu, inclusive, implementar o sistema tão logo ele seja aprovado pelo Congresso. Portanto, abrindo mão de parcela de poder ao novo primeiro-ministro.

Para Fernando Henrique, no entanto, a discussão não passa por enquanto de uma “mera ideia”. Antes, ele defende que a classe política reconquiste a confiança e reaproxime o eleitor do eleitorado.

“Essa reaproximação, acho que o ponto principal é criar instrumentos que modifiquem o sistema eleitoral. De tal maneira que haja maior proximidade desse eleitor e o eleito e por isso eu acho que nós temos que marchar para algum tipo de distritalização”, disse o ex-presidente.

“Como eu não acredito em grandes planos salvadores, eu acho que deveríamos ter um distrito mais pragmático, mais experimental. Se possível aprovar já a lei de barreiras, a questão das coligações eleitorais. Algum tipo de financiamento de partido que posso falar. E aprovar para começar na eleição municipal, próxima, 2020, a distritalização, Porque é mais fácil para o povo entender o que significa o voto distrital no município, que é mais óbvio, áreas imensas… da população não representada na Câmara. Depois dar outro passo na questão da distritalização na eleição federal. E mais adiante aí pensar se é presidencialismo, se é semi-presidencialismo. Porque nesse momento é abstrato. Neste momento as pessoas vão imaginar o seguinte: eu vou entregar o poder a estes partidos?”, acrescentou.

O ex-presidente também falou ao Blog sobre a polêmica envolvendo o programa do PSDB e a divisão no partido.

Questionado sobre se acha que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) deve retomar o comando do partido, como quer o grupo do senador, ele respondeu:

“Olha, eu acho que o que o Aécio fez de se afastar foi o que tinha que fazer. O que eu acho que seria bom para o Aécio . Deixa o Aécio em paz porque o Aécio tem o que mostrar. Mostrar argumentos que ele tem para dizer que ele não é culpado do que ele foi acusado (..) Eu acho que ele próprio, Aécio, o que ele quer é que os que estão mandando no partido não se apresentem como contra ele. E tem razão. Você não pode jogar homem ao mar, uma pessoa que teve 50 milhões de votos ontem. Não precisa fazer como o PT, que depois de condenadas as pessoas , continuou negando as evidências. Não precisa fazer isso, não deve fazer isso, mas também não precisa se precipitar e jogar no precipício.”

O PSDB está dividido sobre o comando do partido. Um grupo, incentivado pelo presidente Temer, articula para que Aécio retome o comando do partido e isole Tasso Jereissati – que faz críticas ao governo.

Aécio foi delatado e gravado por Joesley Batista e é alvo de uma denúncia da Procuradoria Geral da República por ter pedido R$ 2 milhões ao empresário da JBS.

Para o ex-presidente, o PSDB precisa pensar em construir o futuro, de olho em 2018.

“Construir o futuro através de evidentemente uma candidatura isso inclui naturalmente que haja a normalização da situação de direção. O Tasso foi designado para ser o presidente do partido. Interinamente. essa interinidade não pode também durar para sempre”.


Um comentário

  1. Gustavo Hoffman
    sexta-feira, 25 de agosto de 2017 – 11:08 hs

    Não perco tempo lendo as porcarias que FHC escreve ou defende. Ele se diz contra o presidencialismo de cooptação! É o que ele fazia quando era presidente? O grande responsável pelo fortalecimento desse modelo perverso de governar foi instituído justamente por ele. Será que ele tem coragem de contar aos brasileiros como conseguiu aprovar a emenda de reeleição em 1998? Hoje o dinheiro de caixa 2,3,4… veio da Petrobras. Em 1998, veio da privatização das Teles via finado Sergio Motta. FHC não tem moral pra falar!

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