Réus, Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo depõem amanhã no STF | Fábio Campana

Réus, Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo depõem amanhã no STF

Os petistas Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo serão os primeiros políticos réus interrogados nos processos da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). Os depoimentos de Gleisi e Bernardo estão marcados para esta segunda-feira (28), a partir das 14h, em Brasília. O empresário Ernesto Kluger Rodrigues, que também é réu no processo, será ouvido em Curitiba, dois dias depois, na quarta-feira (30). As informações são de Kelli Kadanus na Gazeta do Povo.

Os interrogatórios dos réus marcam o início da reta final dos processos envolvendo políticos no STF. Depois de ouvir todos os réus, o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, abre prazo de cinco dias para que as defesas ou a Procuradoria-Geral da República peçam a realização de novas diligências no processo, como a produção de novas provas, por exemplo.

Se não houverem novas diligências, o relator abre prazo de 15 dias para apresentação das alegações finais da PGR e, em seguida, 15 dias para a apresentação das alegações das defesas dos réus.

Com os documentos em mãos, Fachin elabora um relatório e encaminha os autos ao revisor da Lava Jato na Segunda Turma do STF, o ministro Celso de Mello. Após analisar o caso, Mello pede que o julgamento do caso seja colocado em pauta na Segunda Turma, composta também pelos ministros Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli.

Não há prazo para que o julgamento ocorra, mas interlocutores de Fachin têm dito que a expectativa do ministro é começar a julgar os processos da Lava Jato em dezembro deste ano. Caso sejam condenados, os políticos tornam-se inelegíveis com base na Lei da Ficha Limpa e não poderão disputar as próximas eleições.

R$ 1 milhão – A PGR acusa Gleisi de receber R$ 1 milhão para a sua campanha ao Senado em 2010. Segundo a denúncia, “o montante era oriundo do esquema de corrupção e lavagem de dinheiro estabelecido na Diretoria de Abastecimento da Petrobras, na época ocupada por Paulo Roberto Costa”.

A PGR narra na denúncia que os denunciados tinham plena consciência da origem criminosa dos recursos. Paulo Bernardo, na época ministro, teria ficado encarregado de transmitir a solicitação de propina a Paulo Roberto Costa. Ernesto Rodrigues, por sua vez, foi quem recebeu os valores em Curitiba para custear a campanha de Gleisi.

O pagamento teria sido operacionalizado pelo doleiro Alberto Youssef, que obteve os valores em espécie e pediu que Antônio Pieruccini transportasse os valores de São Paulo a Curitiba. A denúncia afirma que foram realizadas quatro entregas de R$ 250 mil em espécie.

Para corroborar a denúncia, além dos depoimentos de delatores, a Procuradoria menciona registros de ligações telefônicas entre os denunciados. Segundo a PGR, em um período de apenas quatro meses, entre setembro e outubro de 2010, Rodrigues realizou 116 ligações para o diretório estadual do PT no Paraná e outras 29 ligações para o telefone de Ronaldo da Silva Baltazar, responsável pela administração financeira da campanha de Gleisi ao Senado naquele ano.

A PGR também mostra na denúncia que Rodrigues realizou duas ligações para a Construtora Sanches Tripoloni, cujos sócios doaram R$ 510 mil para a campanha da petista. Os documentos obtidos pela PGR também mostram que de terminais telefônicos do local onde Rodrigues trabalha foram feitas duas ligações diretamente para Gleisi e outras duas para Baltazar. Para a PGR, os registros de ligações corroboram os depoimentos dos delatores Paulo Roberto Costa, Alberto Youssef e Antônio Pieruccini.


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