Por 'ameaça de morte', Procuradoria pede prisão de libertado por Gilmar | Fábio Campana

Por ‘ameaça de morte’, Procuradoria pede prisão de libertado por Gilmar

A Procuradoria da República pediu novamente a prisão do ex-presidente do Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Detro-RJ) Rogério Onofre de Oliveira na Operação Ponto Final – que investiga a cúpula do Transporte do Rio. Em solicitação enviada nesta quarta-feira, 23, ao juiz federal Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal do Rio, a força-tarefa da Operação Lava Jato afirma que ‘novos fatos’ foram levados ao Ministério Público Federal e que ‘demandam a decretação de nova prisão’. As informações são do Blog do Fausto Macedo, no Estadão.

Os fatos novos, segundo a Procuradoria, são ‘ameaças de morte’ de Rogério Onofre a outros investigados. O ex-presidente do Detro foi preso em 3 de julho.

O Ministério Público Federal narrou que às 7h desta quarta, 23, a defesa do investigado Nuno Coelho entregou aos investigadores uma mensagem e um áudio, que contém a ameaça de Onofre – supostamente feita antes de o ex-presidente do Detro ser preso.

Nuno e outro investigado, que estão custodiados, fizeram relatos à Polícia Federal sobre as supostas ameaças de Onofre. Em petição ao Ministério Público Federal nesta quarta, 23, as defesas de Nuno Coelho e de Guilherme Neves Vialle afirmam que a liberdade de Rogério Onofre é um ‘risco’.

“A concessão da liberdade provisória ao investigado Rogério Onofre coloca em sério e grave risco a vida e a integridade física dos requerentes, de suas esposas familiares, tendo em vista que sofreram diversas ameaças por parte desse investigado, de acordo com o que mencionaram em seus interrogatórios perante a Polícia Federal, na data de 9 de agosto de 2017”, afirmaram as defesas.

“Ainda que os requerentes estejam custodiados na unidade prisional de Bangu 8, também temem por sua vida e integridade física, uma vez que nas ameaças que sofreram por parte de Rogério Onofre este afirmou manter relacionamento com pessoas, inclusive policiais, que poderiam causar-lhes danos onde quer que fosse”.

Nuno Coelho disse que foi ameaçado pessoalmente pelo ex-presidente do Detro. “Que teria dito que ‘somente não o havia matado pois Nuno devia dinheiro a ele’, ‘sei aonde a sua família e do Guilherme moram’, ‘já investiguei vocês’; que Dayse não chegava a ser agressiva, mas apoiava seu marido; que também foi ameaçado pelo Rogério Onofre por telefone, via whatsapp”, relatou.

A força-tarefa informou que Guilherme Vialle ratificou o depoimento de Nuno e pediu para que não ficasse preso no mesmo presídio onde estava Onofre, por temer por sua vida.

“Foi ameaçado pessoalmente por Rogério Onofre, que teria dito que ‘somente não o havia matado pois devia dinheiro a ele’, ‘mandei meu pessoal acompanhar a rotina de vocês, não só a tua como a do teu pai e da tua esposa’; Que em uma das ameaças, Rogério disse que antes de matá-lo iria torturá-lo e empalar; que mostrou fotos de seus capangas, pareciam vinte; que Dayse não chegava a ser agressiva, mas apoiava seu marido”, relatou Guilherme.

O magistrado decidiu enviar o pedido da Procuradoria da República para análise do ministro Gilmar Mendes, relator da Ponto Final no Supremo e que soltou Onofre nesta terça-feira, 22.

“Embora gravíssimos os fatos expostos, que implicam em ameaça à vida de outros dois investigados e de suas famílias, corroborados pelo áudio apresentado, entendo, ante o posicionamento adotado pelo ministro relator Gilmar Mendes, que este juízo está impossibilitado de, neste momento, analisar a questão, apesar de ser altamente recomendável seja proferida decisão a este respeito”, anotou Bretas.

“Deixo de apreciar, ao menos por ora, o requerimento do Ministério Público Federal e determino que se oficie ao Exmo. ministro relator dando-lhe ciência dos novos fatos, solicitando ainda a Sua Excelência que esclareça a este magistrado quais os limites disponíveis para conhecimento dos fatos hoje trazidos à apreciação judicial em regime de urgência.”

Um dos delatores da Ponto Final, desdobramento da Lava Jato, Álvaro Novis relatou que recursos oriundos do ‘caixa’ da Fetranspor (Federação das Empresas de Transportes do Rio) custearam pagamentos de propina para Rogério Onofre no montante de R$ 44,1 milhões entre 2010 a 2016. O dinheiro teria sido ocultado por Onofre e a mulher Dayse Deborah Alexandra Neves – também colocada em liberdade por Gilmar Mendes – no exterior e em aplicação em imóveis.

“Há sólidas provas que comprovam o envolvimento de Rogério Onofre com a organização criminosa e o recebimento de milhões de reais de propina. Mas não é só. Além de ocultar tais valores, Onofre estava, no momento de sua prisão, ameaçando pessoas de morte”, afirma a força-tarefa da Lava Jato.


Um comentário

  1. JÁ ERA...
    quinta-feira, 24 de agosto de 2017 – 5:08 hs

    Hahaha… o “diarréia” (Gilmar Mendes) e suas consequencias…

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