O último tango em Curitiba | Fábio Campana

O último tango em Curitiba

Estoy acá por mi mala cabeza. Mi padre es general, mi tio haciendero, mi hermano embajador”. Todas as gringas que aportaram em Curitiba nos idos dos anos quarenta e cinquenta, afirmavam o mesmo. Acredito no que diziam. Eram tão bonitas, elegantes, charmosas, que não poderiam ter outra origem. Vieram atraídas pela nossa curta Idade do Ouro. A descoberta do café fez o Paraná rico, generoso, perdulário. No norte, cidades como Londrina surgiam do dia para a noite. Milionários acendiam legítimos havanas com notas graúdas. Em Curitiba, o governo construía palácios. O Centro Cívico, o Teatro Guaíra, jardins de Burle Marx. Comemoramos o centenário da emancipação política com pompa e circunstância. E sobrava para os prazeres mundanos.

Todos os meses, os prefeitos do interior vinham buscar a parte de seus municípios na arrecadação dos impost
os. Era de lei. O artigo vinte da Constituição. As gringas sabiam de cor essa parte da legislação. E conheciam os políticos da época como ninguém.

– Morocha, llegó el artigo viente.

Era a senha para identificar a entrada de cidados deslumbrados, algibeira cheia, ansiosos por mil e uma noites de prazeres. As gringas despertaram paixões. Uma delas, hoje serena sexagenária, jura que por pouco não chegou a mais alta galhardia. Foi pedida em casamento por um político de brilhante carreira que galgou os mais altos cargos no Estado. Imagine uma ex-bailarina do Teatro Colón de Buenos Aires vivendo em pequena cidade de interior. Não cedeu. Foi-se a oportunidade.

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Um comentário

  1. Parreiras Rodrigues
    domingo, 20 de agosto de 2017 – 14:09 hs

    Sniff…Sniff…

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