Negligência é a maior causa de acidentes com embarcações em 2016 | Fábio Campana

Negligência é a maior causa de acidentes com embarcações em 2016

Negligência, imperícia e imprudência foram as causas determinantes de 72% dos 898 acidentes e irregularidades que colocaram em risco embarcações e passageiros no ano passado, segundo a Diretoria de Portos e Costas da Marinha.

O mesmo relatório aponta que 66% dos acórdãos do Tribunal Marítimo entre 17 de junho de 2008 e 25 de julho de 2017 foram pelo arquivamento dos processos. Só 34% das sentenças finais nesse período foram condenações.

As penalidades impostas pelo Tribunal Marítimo são administrativas e vão de repreensão a cancelamento da matrícula profissional e proibição do tráfego da embarcação, além de multa.

Os dados estão em quadros estatísticos de inquéritos administrativos sobre acidentes e fatos da navegação — circunstâncias que põem em risco a segurança da embarcação e de seus passageiros, como mau aparelhamento e armazenamento de carga, impropriedade para o serviço em que é utilizada e alterações de rota. As informações são d’O Globo.

Em 2017, até 25 de julho, foram registrados 473 acidentes e fatos da navegação, com cem mortos, 21 desaparecidos e 126 feridos. Dessas mortes, 26 foram em atividades de esporte e recreio, e 20, de pesca. O maior número de feridos, 36, também foi em atividades de esporte e recreio, seguido por transporte de passageiros, com 31.Somando vítimas fatais e desaparecidos neste ano, 27% ocorreram em naufrágios, 24% em queda de pessoas na água e 14% em choques entre embarcações.

Neste ano, até 25 de julho, o maior número de acidentes da navegação, 23%, foi registrado no 1º Distrito Naval (DN), que compreende Rio, Espírito Santo e parte de Minas. Em segundo lugar, com 19%, está o 8º DN, que tem jurisdição sobre São Paulo, Paraná e parte de Minas.

Já quanto ao número de mortes neste ano, também até 25 de julho, no topo da lista, com 28%, está o 8º DN. Empatados em segundo lugar estão o 4º DN, que engloba Pará, Amapá, Maranhão e Piauí; e o 9º DN, que compreende Amazonas, Rondônia, Roraima e Acre.

POLÍCIA CIVIL INVESTIGA

Desde 1999, segundo o relatório da Diretoria de Portos e Costas da Marinha, o maior número de vítimas fatais em acidentes com embarcações foi registrado em 2014, com 275, seguido pelos anos de 2008, com 272, e 2010, com 260. No ano passado foram registradas 230 mortes nessas circunstâncias.

O Ministério Público do Estado da Bahia emitiu uma nota na qual ressalta que alertava havia mais de dez anos sobre a precariedade do serviço de transporte hidroviário no estado. Ontem, o naufrágio da embarcação Cavalo Marinho I, na travessia entre Salvador e Ilha de Itaparica, deixou 18 mortos. Na nota, o órgão explicita que a promotora de Justiça do Consumidor, Joseane Suzart, propôs ações civis públicas em 2007 e 2014 sobre as condições precárias das embarcações em funcionamento na Bahia. Os dois processos ainda aguardam decisão judicial, segundo o MP. A Capitania dos Portos e a Polícia Civil investigam o acidente.

No Pará, mais dois corpos, de duas crianças, foram resgatados, no naufrágio no Rio Xingu, que deixou 23 mortos. Ainda há um desaparecido.


Um comentário

  1. JÁ ERA...
    domingo, 27 de agosto de 2017 – 6:17 hs

    Todas as fiscalizações que se referem a este tipo de transporte é
    ineficaz mesmo. Quantos anos se passaram desde o episódio do
    famoso naufrágio do Bataux Mouche (nem sei se é assim que se
    escreve… mas não importa) ?? E ainda continuam acontecendo…

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