Moro vira alvo | Fábio Campana

Moro vira alvo

O advogado criminalista que defende 11 investigados pelo escândalo do petrolão, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse neste domingo (27) que o juiz federal Sérgio Moro seria preso, se fosse alvo do mesmo rigor de suas decisões, em eventual julgamento da denúncia de que um amigo do magistrado, Carlos Zucolotto Junior, teria intermediado negociações paralelas com a força-tarefa da Operação Lava Jato, para um acordo de delação do ex-advogado da Odebrecht, Rodrigo Tacla Duran.

A força-tarefa Lava Jato no Ministério Público Federal em Curitiba (MPF/PR) publicou nota de repúdio à notícia sobre a suposta interferência do amigo de Moro na tentativa de acordo de delação. E o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, citado por ter Zucolloto como advogado, mandou Kakay “tomar vergonha na cara”, por especular sobre a possibilidade de prisão de Moro.

Moro lamenta credito dada a relato falso de réu foragido (Foto: ABr)
De acordo com reportagem da colunista da Folha de S. Paulo, Mônica Bérgamo, o advogado da Odebrecht afirma ter registros da suposta negociação para abrandamento da pena e da multa que Duran teria que pagar em acordo de delação premiada, em correspondência trocada com Zucolloto, que é advogado trabalhista, amigo e padrinho de casamento de Sérgio Moro e já foi sócio da mulher do magistrado em um escritório de advocacia.

Os procuradores Julio Noronha e Roberson Pozzobon foram citados na matéria, pela suposta coincidência de terem refeito uma proposta de delação mais branda, após a promessa que Duran disse ter sido feita por Zucolloto de “melhorar a proposta” de Pozzobom, que teria reduzido a multa de R$ 15 milhões para R$ 5 milhões e alterado o regime de prisão de fechado para domiciliar.

E Moro também se manifestou em nota, lamentando “o crédito dado pela jornalista ao relato falso de um acusado foragido, tendo ela sido alertada da falsidade por todas as pessoas citadas na matéria”.

‘TOME VERGONHA’

Depois de o advogado Kakay sugerir que Moro poderia provar de seu próprio veneno, sendo alvo de prisão preventiva por obstrução de Justiça, o procurador Carlos Fernando publicou o seguinte texto, em seu perfil do Facebook: “Kakay diz que Sérgio Moro deveria ser preso em decorrência das fantasias de um livro de um réu foragido, cujos trechos foram publicados em uma coluna social. Mesmo considerando os flexíveis limites éticos do ‘autoproclamado melhor advogado do país’, desta vez Kakay foi longe demais. O que cabe aqui é simplesmente lhe dizer: ‘Tome vergonha na cara’”.

Sobre a reação do procurador, Kakay declarou ao Diário do Poder que não disse que achava que cabe prisão do juiz Moro. “Disse que as decisões da Lava Jato levariam e este extremo. Mas eu jamais defenderia que cabe prisão até porque dou a todos o direito a presunção de inocência”, afirmou.

Veja o que disse o juiz Sérgio Moro, sobre as acusações:

Sobre a matéria “Advogado acusa amigo de Moro de intervir em acordo” escrita pela jornalista Mônica Bérgamo e publicada em 27/08/2017 pelo Jornal Folha de São Paulo, informo o que segue:

– o advogado Carlos Zucoloto Jr. é advogado sério e competente, atua na área trabalhista e não atua na área criminal;

– o relato de que o advogado em questão teria tratado com o acusado foragido Rodrigo Tacla Duran sobre acordo de colaboração premiada é absolutamente falso;

– nenhum dos membros do Ministério Público Federal da Força Tarefa em Curitiba confirmou qualquer contato do referido advogado sobre o referido assunto ou sobre qualquer outro porque de fato não ocorreu qualquer contato;

– Rodrigo Tacla Duran não apresentou à jornalista responsável pela matéria qualquer prova de suas inverídicas afirmações e o seu relato não encontra apoio em nenhuma outra fonte;

– Rodrigo Tacla Duran é acusado de lavagem de dinheiro de milhões de dólares e teve a sua prisão preventiva decretada por este julgador, tendo se refugiado na Espanha para fugir da ação da Justiça;

– o advogado Carlos Zucoloto Jr. é meu amigo pessoal e lamento que o seu nome seja utilizado por um acusado foragido e em uma matéria jornalística irresponsável para denegrir-me; e

– lamenta-se o crédito dado pela jornalista ao relato falso de um acusado foragido, tendo ela sido alertada da falsidade por todas as pessoas citadas na matéria.

Curitiba, 27 de agosto de 2017.

Sergio Fernando Moro

Juiz Federal

Leia a argumentação do advogado Kakay:

É claro que temos que dar ao Moro e aos Procuradores a presunção de inocência, o que este juiz e estes procuradores não fariam, mas é interessante notar e anotar algumas questões:

1-O juiz diz que não se deve dar valor à palavra de um “acusado”, opa, isto é rigorosamente o que ele faz ao longo de toda a operação!

2-O juiz confirma que sua esposa participou de um escritório com o seu amigo Zucolotto, mas sem “comunhão de trabalho ou de honorários”. Este fato seria certamente usado pelo juiz da 13ª vara como forte indício suficiente para uma prisão contra um investigado qualquer. Seria presumida a responsabilidade, e o juiz iria ridicularizar esta linha de defesa.

3-A afirmação de que dois procuradores enviaram por e-mail uma proposta nos mesmos termos da que o advogado, padrinho de casamento do juiz e sócio da esposa do juiz, seria certamente aceita como mais do que indício, mas como uma prova contundente da relação do advogado com a força tarefa.

4-O fato do juiz ter entrado em contato diretamente com o advogado Zucolatto, seu padrinho de casamento, para enviar uma resposta à Folha, ou seja combinar uma resposta a jornalista, seria interpretado como obstrução de justiça, com prisão preventiva decretada com certeza.

5-A negativa do tal procurador Carlos Fernando de que o advogado Zucolatto, embora conste na procuração, não é seu advogado, mas sim um outro nome da procuração, seria ridicularizada e aceita como motivo para uma busca e apreensão no escritório de advocacia.

6-O tal Zucolatto diz que trabalha com a banca Tacla Duran, mas que conhece só Flavia e nem sabia que Rodrigo seria sócio, o que, se fosse analisada tal afirmação pelo juiz da 13ª vara certamente daria ensejo à condução coercitiva.

7-E o fato simples da advogada ser também advogada da Odebrecth seria usado como indício de participação na operação.

8-A foto apresentada, claro, seria usada como prova.

9-A negativa de Zucolatto que afirma não ter o aplicativo no seu celular seria fundamento para busca e apreensão do aparelho.

10-Enfim, a afirmação de que o pagamento deveria ser em espécie , não precisaria ter prova, pois o próprio juiz admitiu ontem numa palestra , que a condenação pode ser feita sem sequer precisar do ato de oficio , sem nenhuma comprovação.

11-Ou seja, embora exista a hipótese destes fatos serem falsos, o que nos resta perguntar é como eles seriam usados pela República do Paraná? Se o tal Deuslagnol não usaria a imprensa e a rede social para expor estes fortes “indícios” que se entrelaçam na visão punitiva. Devemos continuar dando a eles a presunção de inocência, mesmo sabendo que eles agiriam de outra forma. Como diz o poeta “a vida dá, nega e tira”, um dia os arbitrários provarão do seu próprio veneno.

Leia a nota da força-tarefa Lava Jato no MPF em Curitiba, publicada neste domingo:

1. A coluna de Mônica Bergamo no jornal Folha de S. Paulo deste domingo, 27 de agosto de 2017, reproduz, sem qualquer constatação de veracidade pela colunista, trechos de um “livro” fantasioso escrito por Rodrigo Tacla Duran, réu foragido da justiça brasileira.

2. Nas reuniões de negociação entre esse réu e a força-tarefa Lava Jato no Ministério Público Federal em Curitiba, Rodrigo Tacla Duran esteve sempre e exclusivamente representando pelo advogado Leonardo Pantaleão.

3. Em obediência à regra legal, o juiz federal Sérgio Moro não participou de qualquer fase das negociações do acordo de colaboração premiada.

4. Nenhum dos membros da força-tarefa Lava Jato possui ou já possuiu relacionamento pessoal ou profissional com o advogado Carlos Zucolotto Jr., citado por Rodrigo Tacla Duran. Os procuradores jamais mantiveram com Carlos Zucolotto Jr. qualquer conversa sobre esse caso ou sobre qualquer outro.

5. Durante as negociações, Rodrigo Tacla Duran revelou-se incompatível com os requisitos legais para a celebração do acordo, motivo pelo qual o MPF encerrou as negociações.

6. Rodrigo Tacla Duran foi acusado pela força-tarefa Lava Jato por crimes de lavagem de dinheiro e de pertinência à organização criminosa, e se encontra foragido do país e confinado na Espanha.

7. Os recursos ilícitos havidos por Rodrigo Tacla Duran da Odebrecht, no exterior, foram bloqueados por autoridades estrangeiras e permanecem nessa condição.

8. A força-tarefa também solicitou a prisão de Rodrigo Tacla Duran, o que foi deferido pelo juiz Sérgio Moro, sendo requerida a difusão vermelha junto à Interpol para a sua prisão no exterior.

9. Tacla Duran foi preso na Espanha e chegou a ter sua extradição autorizada para o Brasil, o que não ocorreu apenas por ausência de promessa de reciprocidade pelo governo brasileiro.

10. As inverdades propaladas por Rodrigo Tacla Duran não revelam mais do que a total falta de limites de um criminoso foragido da Justiça, acusado da prática de mais de 100 delitos de lavagem de dinheiro, cujo patrimônio – ilicitamente auferido – encontra-se bloqueado no Brasil e no exterior.

11. Diante da absoluta impossibilidade de enfrentar os fatos criminosos que lhe são imputados, Rodrigo Tacla Duran tenta desesperadamente atacar aqueles que o investigam, processam e julgam, no intuito de afastar o seu caso das autoridades que atuam na operação Lava Jato.


15 comentários

  1. Doutor Prolegômeno
    segunda-feira, 28 de agosto de 2017 – 16:44 hs

    Ué, apesar do tom irônico do advogado, é rigorosamente verossímil. É estranho como um acusado não tem nenhuma credibilidade quando dá uma entrevista, mas, quando faz delação premiadíssima tudo que diz é a mais pura expressão da verdade e serve como prova insofismável e irrefutável para condenar. Pimenta nos olhos dos outros…

  2. henry
    segunda-feira, 28 de agosto de 2017 – 17:07 hs

    100% Dr. SÉRGIO MORO.

  3. ferreira
    segunda-feira, 28 de agosto de 2017 – 18:28 hs

    Este Koko precisa comer grama …….

  4. segunda-feira, 28 de agosto de 2017 – 18:32 hs

    Resumindo; quando é no meu semelhante dói menos, quando é no meu dói mais né???

  5. ANDROID
    segunda-feira, 28 de agosto de 2017 – 19:12 hs

    HENRY! Vc será 100% Moro até o dia em que ele cometer arbitrariedades com vc ou alguém de sua família. Não sei qual sua formação, mas deveria, pelo que vejo, estudar um pouco sobre democracia e como chegamos à nossa jovem democracia em 1988. A custa de muito sofrimento e muito sangue, que vc não deve ter sentido na pele.

  6. ANDROID
    segunda-feira, 28 de agosto de 2017 – 19:15 hs

    – Em tempo! – Ditadura do judiciário é a pior ditadura que existe, pois que, vc não tem a quem recorrer. Pense nisso. Quer isto para seus filhos e netos no futuro? – Verá que na hora certa este cidadão sairá candidato a enganar a tudo e a todos. Aí, então, ditadura implantada.

  7. ANDROID
    segunda-feira, 28 de agosto de 2017 – 19:17 hs

    Parabéns para o Dr. Kakay pela sua coragem. Quem tem que tomar vergonha na cara são os procuradores que só fazem é ganhar dinheiro com esta opera~]ao, diárias e mais diárias, etc….., e o povo morrendo a míngua.

  8. rodrigues
    segunda-feira, 28 de agosto de 2017 – 20:17 hs

    Deixar tudo como estava e virar uma Venezuela, como tem gente ignorante, se fazendo de entendido.

  9. Juca
    segunda-feira, 28 de agosto de 2017 – 20:26 hs

    Esse ANDROID está mais para HEMORROID!

  10. Moisés Fróes
    segunda-feira, 28 de agosto de 2017 – 21:29 hs

    Todos BANDIDOS. resume essa ‘estória. Pra frente Moro, nós, os brasileiros de verdade, estamos com você. Lula na cadeia já.

  11. L.H. Bona Turra
    segunda-feira, 28 de agosto de 2017 – 23:01 hs

    O advogado Kakay incide em esquema típico, antijurídico e altamente reprovável no plano jurídico e ético profissional. Aos advogados impõe-se o poder-dever de representação ou ação contra ilícitos, jamais lhes sendo dado o direito desviado e abusivo de insinuar ocorrência de ilícitos. Ou há convicção pelo advogado de ocorrência de ilícito, e se lhe impõe o poder-dever de deduzir representação ou ação perante as instâncias, ou não há convicção, e, nessa hipótese, deve calar. No caso concreto, opta o advogado Kakay por insinuar, nisso incidindo em esquema típico por todos os títulos reprovável. A defesa de acusados pode sim, em tese, realizar-se pela denúncia contra a falta de autoridade de julgadores e acusadores, mas denúncia franca, direta, fundamentada. Se deixa o advogado de produzir denúncia nesses termos, figura que emerge é a do advogado pusilânime, caluniador, difamador. E se dirigida tal conduta oblíqua contra magistrado, procurador, advogado ou parte, e quando detém o sujeito ativo da conduta interesse direto ou indireto em ação com interface com o sujeito passivo do delito,consuma-se em tese a hipótese de crime de coação no curso de processo, isto é, crime contra a Administração da Justiça.

  12. AMO
    terça-feira, 29 de agosto de 2017 – 7:37 hs

    Pergunta pra esse otario, se ele sabe a origem dos milhões que ele está ganhando dessa ORCRIM.

  13. terça-feira, 29 de agosto de 2017 – 9:22 hs

    ANDROID, prepara a rosca aí que eu vou trocar o seu óleo !

  14. Daniel
    terça-feira, 29 de agosto de 2017 – 9:39 hs

    Pois bem, este advogado kakay ao defender criminosos, muitos colegas criticam quem aceita defender esse bandidos, na minha opinião todos devem ser assistidos e tem o direito constitucional a defesa técnica, ok! O advogado deve fazer seu trabalho, com a maior dedicação e aspiração em prol do cliente, contudo, não precisamos chegar ao ponto de ridicularizar o judiciário, de querer denegrir a imagem de juízes, policiais, delegados, procuradores, que da mesma forma estão desempenhando suas funções com dedicação e convicção. Senhores advogados dos réus da lava jato, façam seu papel, mas não entrem nesse joguinho de querer serem vítimas do sistema, que tudo esta errado, pois quem ferrou o sistema, que fez essa país virar essa baderna, foram esses políticos ladrões, safados, pilantras…essas pilantras devem ter um julgamento justo, com uma pena acertada, agora não me venham querer absolvição, por favor, honrem seus nomes, tenham vergonha na cara, pensem a longo prazo, imaginem que futuro esperar seus filhos e netos… fica a dica…

  15. Do Interior...
    terça-feira, 29 de agosto de 2017 – 21:22 hs

    Perguntar ao Kocai: porque muitos devolveram bilhões se o que você diz é verdade? Devoleram por medo? Não! Porque a roubalheira de seus clientes é de verdade.

    Ao Android, a pior ditadura é a que leva milhões ao desemprego e o país ao atraso, que é a do PT e PMDB , PP, PCdoB e PSOL.

    A ditadura da Venezuela desdigurou o judiciário e legislativo. Essa é a pior. E defendida pela esquerda brasileira.

    O legislativo é o câncer do Brasil.

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