Governo planeja 58 privatizações | Fábio Campana

Governo planeja 58 privatizações

O Globo

Na tentativa de estimular a economia e obter receitas para ajudar a fechar as contas públicas, o governo anuncia nesta quarta-feira uma carteira de 58 projetos que serão incorporados ao Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) para serem colocados à venda ou concedidos ao setor privado. São esperados investimentos de pelo menos R$ 44 bilhões, sendo que metade deste valor deverá entrar nos primeiros cinco anos. Além da privatização da Eletrobras, estão na lista a licitação de 11 blocos de linhas de transmissão de energia, terminais portuários, rodovias, aeroportos, venda ou extinção de outras empresas públicas, como Casa da Moeda, Companhias Docas do Espírito Santo e do Maranhão, Casemg e CeasaMinas e o início de estudos para a concessão do Parque Olímpico do Rio.

Os detalhes serão divulgados depois da reunião do conselho do PPI, marcada para quarta-feira. Dois dos principais projetos — a privatização da Eletrobras e do aeroporto de Congonhas — foram incluídos na lista recentemente, diante da necessidade do governo em levantar receitas para cumprir a meta fiscal de déficit primário de R$ 159 bilhões em 2018.

Relicitação de Viracopos

A equipe econômica quer que o vencedor da disputa de Congonhas, cujo lance deve ultrapassar os R$ 6 bilhões, pague o valor da outorga à vista. Com a privatização da Eletrobras, a expectativa é obter R$ 20 bilhões.

Outra novidade da carteira de projetos é a licitação de 11 lotes de linhas de transmissão em nove estados — um investimento estimado em R$ 10 bilhões em cinco anos. O leilão está previsto para dezembro de 2018.

O governo também decidiu relicitar a rodovia BR-153 (Goiás-Tocantis), que estava nas mãos do grupo Galvão e teve a concessão cassada, e conceder a BR-364 (Mato Grosso-Rondônia). Os investimentos nas duas estradas está projetado em R$ 12 bilhões ao longo dos contratos, beneficiando, sobretudo, o setor do agronegócio.

Além disso, serão licitados 15 terminais nos portos de Belém, Vila do Conde (PA), Paranaguá e Vitória. O governo também definiu novos parâmetros para a Lotex (loteria Raspadinha) da Caixa Econômica Federal. O banco ficará de fora do negócio, e será feita uma concessão por um prazo de 30 anos. A estimativa é obter R$ 1 bilhão com a venda.

A ideia é incluir na lista de projetos a relicitação do aeroporto de Viracopos (Campinas), que será devolvido à União, e a venda da participação da Infraero (de 49%) em Brasília, Guarulhos, Galeão e Confins. Neste caso, o dinheiro deverá ficar com a estatal, como uma forma de compensação pela entrega de Congonhas — o mais rentável da rede. A empresa se tornou deficitária com o processo de concessão do setor aeroportuário.

A estatal vai perder mais dois blocos de aeroportos, um puxado por Recife com mais cinco terminais do Nordeste (Maceió, Aracaju, João Pessoa, Campina Grande e Juazeiro do Norte); mais Cuiabá, junto com outros terminais do Mato Grosso (Sinop, Barra do Garças, Alta Floresta e Rondonópolis). A expectativa é obter uma outorga de R$ 1,9 bilhão e investimento total de R$ 3 bilhões.

Também serão confirmadas as três rodadas de licitação de petróleo e gás, incluindo pré-sal e campos terrestres — um investimento total de R$ 12 bilhões. Segundo um técnico do governo, a intenção é aproveitar “a janela de oportunidade”, com a melhora no cenário internacional, com aumento de liquidez e busca dos investidores por ativos de risco como os brasileiros. Isso combinado à sinalização positiva dos indicadores da economia doméstica.


6 comentários

  1. João Brasileiro
    terça-feira, 22 de agosto de 2017 – 9:10 hs

    Comprou apoio do PSDB de Richa, Doria e Aécio com emendas parlamentares e agora estamos sem grana? Gastaram quase 10 bilhões apenas para TEMER continuar na presidência e agora ele quer vender a Eletrobrás por 20 bilhões na mesma semana que ele anistia 86 bilhões de dividas dos ruralistas? Só trouxa pra acreditar.

  2. HORA DA VERDADE
    terça-feira, 22 de agosto de 2017 – 10:03 hs

    A UNICA SAÍDA RACIONAL QUE O BRASIL TEM: D E S I N C H A R O M O N S T R U O S O T A M A N H O D O E S T A D O.
    Negócios na mão do governo é fonte de corrupção. Emprego para a pelegagem. Ineficiência de serviços e falta de meritocracia.
    A vantagem não é pelo que o Estado pode receber, mas do que o estado (POVO) vai se livrar. Privatização já.

  3. Roberto Oliveira
    terça-feira, 22 de agosto de 2017 – 11:43 hs

    Tem que privatizar mesmo!! As empresas públicas viraram objetos de desvios de recursos públicos para os corruptos!! O governo tem que cuidar de saúde, educação e segurança pública que aliás estão esquecidas ha muitos anos pelos políticos que comandam este País. Só lembram disso em discursos de campanha!! A propósito, não está na hora de separarmos este País?? Será que o Brasil não tinha que ser dividido em uns 5 países para que a administração fosse mais racional e objetiva ?? Será que o Sul não consegue ter uma vida própria e independente desta corja??

  4. rodrigues
    terça-feira, 22 de agosto de 2017 – 12:49 hs

    Vender tudo, estado enxuto, sem cargos para distribuir.

  5. JOHAN
    terça-feira, 22 de agosto de 2017 – 13:05 hs

    Caro FÁBIO. as privatizações são uma necessidade para o país. As estatais são um descalabro de gestão, enquanto são utilizadas pelos parlamentares como trampolim para realizações de todos os tipos de maracutaias. As empresas estatais foram utilizadas para desvios de elevada monta descobertas na Operação Lava Jato. As estatais privatizadas acabam-se o cabidão de empregos dos colaboradores dos parlamentares, que muitas inúmeras vezes não possuem qualquer conhecimento da atividade, a não ser receber os proventos. Acabam-se as possibilidades de desvios. menos colaborador na cadeia. E o grande passo, eficiência e eficácia na gestão, caso contrário quebra. Atenciosamente.

  6. terça-feira, 22 de agosto de 2017 – 18:10 hs

    na verdade, querer eles não queriam (privatizar) mas não tem saída, então a mamata vai acabar, muita, muita gente (sem capacidade) na rua, o mal que fizeram vai acabar por engoli-los !

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