Gastos do Tribunal de Justiça do PR crescem 112% em cinco anos | Fábio Campana

Gastos do Tribunal de Justiça do PR crescem 112% em cinco anos

Do Bem Paraná:

Em meio a uma crise grave no poder público, quando vários serviços essenciais sofrem corte de verbas, as despesas do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) cresceram 112% em cinco anos, entre 2010 e 2015, mais que o dobro da inflação acumulada no período, que foi de 48,9% pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), do IBGE. Em 2010, de acordo com o relatório “Justiça em Números”, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), as despesas do TJ-PR foram de R$ 964.259.680. Cinco anos depois, o tribunal fechou 2015 com despesas que chegaram a R$ 2 bilhões (R$ 2.047.662.117). Os dados são repassados ao CNJ pelos tribunais estaduais.

Desde o início da série do CNJ, em 2003 (o primeiro relatório é de 2004, com dados referentes ao ano anterior), o custo do TJ-PR subiu 322%, quase três vezes acima da inflação oficial do período, que foi de 120,2%. De acordo com os dados repassados pelo Tribunal paranaense ao CNJ, as despesas em 2003 foram de R$ 484.591.485. O único ano em que houve redução dos gastos foi em 2013, quando a despesa total do TJ-PR foi de R$ 1.602.385.145. Em todos os outros anos, de acordo com o “Justiça em Números”, houve aumento nos gastos (veja o gráfico). A situação mostra um desequilíbrio, ainda que legal, que precisa ser enfrentado sob pena de se tornar um privilégio.

Entre 2010 e 2015, as despesas da Assembleia Legislativa (Alep) cresceram abaixo do índice do TJ-PR, 106%, de R$ 304.881.520 para R$ 627 milhões. Além disso, todos os anos, no entanto, a Alep devolve ao Executivo recursos não utilizados. A prática começou em 2011 e até agora foram devolvidos mais de R$ 1,1 bilhão, o que representa 37% do total de recursos recebidos pela Casa nos últimos seis anos (R$ 3.078.906.052). Os recursos são aplicados no Programa de Apoio ao Desenvolvimento dos Municípios (PAM), compra de ônibus para o transporte escolar, obras e infraestrutura e projetos sociais.
Auxílio-alimentação – O relatório do CNJ referente a 2016 ainda não foi divulgado, mas é possível consultar na página do TJ-PR, na lista de relatórios do Portal da Transparência, alguns gastos do Tribunal no ano passado. Só o auxílio-alimentação consumiu R$ 83,7 milhões no ano passado; com o auxílio-transporte, foram gastos R$ 28,6 milhões. A assistência médica e odontológica de servidores custou R$ 51,2 milhões em 2016 e o gasto com pessoal ativo chegou a R$ 1,3 bilhão.

Outro dado que chama a atenção é a despesa com “indenizações de ajuda de custo, transporte e auxílio moradia”: foram R$ 46,3 milhões ao longo de 2016, uma média mensal de R$ 3,8 milhões. Além disso, o TJ-PR destinou R$ 814,3 mil à “aquisição de gêneros alimentícios” no ano passado, com um média mensal de R$ 67,8 mil para a compra de alimentos. O único mês em que não houve gastos com alimentos foi janeiro.

Caixa
Gastos do Tribunal de Justiça do Paraná
2003 – R$ 484.591.485
2004 – R$ 511.162.329
2005 – R$ 540.444.052
2006 – R$ 611.175.561
2007 – R$ 664.400.731
2008 – R$ 714.906.698
2009 – R$ 777.472.871
2010 – R$ 964.259.680
2011 – R$ 1.143.522.355
2012 – R$ 1.808.461.489
2013 – R$ 1.602.385.145
2014 – R$ 1.884.504.300
2015 – R$ 2.047.662.117
Total – R$ 13.754.948.813
Fonte: Relatório “Justiça em Números”, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ)

Fatura
Alguns gastos do TJ-PR em 2016
Pessoal ativo R$ 1,3 bilhão
Auxílio-transporte R$ 28,6 milhões
Auxílio-alimentação R$ 83,7 milhões
Assistência Médica e Odontológica R$ 55,1 milhões
Ajuda de custo, transporte e auxílio moradia R$ 46,3 milhões
Aquisição de gêneros alimentícios R$ 814 mil
Fonte: Portal da Transparência do Tribunal de Justiça do Paraná


6 comentários

  1. jaferrer
    quinta-feira, 3 de agosto de 2017 – 11:00 hs

    Pois é, e aqui mesmo neste blog, as universidades estaduais foram achincalhadas, acusadas de gastos exorbitantes. Só o TJ, em 2015, último dado levantado, gastou mais do que as sete estaduais juntas. A Alep também tem gastos maiores do que as estaduais. Ou seja, o problema de falta de recurso não é reflexo de investimentos altos na área de educação, pelo contrário, existem setores da administração que são intocáveis e gastam com crise ou sem crise, pouco se importando com o população que deveriam servir. O funcionalismo, por outro lado, paga o pato e a população desinformada, acredita. Já é hora de fazer jornalismo sério e mostrar com clareza onde estão os gastos exorbitantes de uma máquina publica inchada e ineficiente; com certeza não é na educação e saúde onde encontraremos os excessos.

  2. Valmor Lemainski
    quinta-feira, 3 de agosto de 2017 – 11:29 hs

    VERGONHA… Se pelo menos mostrasse eficiência…

  3. Parreiras Rodrigues
    quinta-feira, 3 de agosto de 2017 – 12:07 hs

    Interessante. Interessante e curioso. Não seriam os senhores que se assentam em seus gabinetes, as pessoas incumbidas de se mostrarem como exemplos à sociedade?
    A cantineira da Câmara de Vereadores lá de Aliança do Ivai se preocupará em apagar as luzes da cozinha quando terminar o expediente?

  4. quinta-feira, 3 de agosto de 2017 – 13:37 hs

    Que barbaridade! E saber que a maioria dos magistrados são alcoolatras! Qualquer funcionário do Judiciário e do Tribuna de Contas ganham 4 vezes a mais do que qualquer funcionário do executivo e do legislativo ….acorde Brasil …………além da morosidade da corte! rsrsrsrsrs

  5. Dana
    quinta-feira, 3 de agosto de 2017 – 13:48 hs

    Este PODEM TUDO !! O Povo que paga o Status, Luxo e Arrogância destes seres!

  6. Eleitor
    quinta-feira, 3 de agosto de 2017 – 16:25 hs

    Até quando vamos ver esses vergonhosos privilégios? Basta o Governador diminuir o repasse de verbas. Com a palavra o todo poderoso Mauro Ricardo, que é macho só para os funcionários do Poder Executivo.

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