Fábulas alopradas | Fábio Campana

Fábulas alopradas


Artigo de Ademar Traiano

Quem acompanha a trajetória do PT, e de sua militância, há muito se deu conta que existe um clima de mundo paralelo entre seu discurso e sua prática. Condenados por crimes contra o erário podem ser saudados, desde que não quebrem a lei do silêncio, como “heróis do povo brasileiro”. Evidências esmagadoras de corrupção tendem a ser apontadas como resultado de nebulosas conspirações direitistas.

O divórcio com a realidade e as fábulas alopradas permeia todo o discurso petista. A ruptura se acentua quando confrontados com a disparidade que existe entre a prática, de resultados desastrosos, e rapina gananciosa, com a prédica de sucessos memoráveis e preocupação exclusiva com os desvalidos. Ninguém supera Lula na capacidade de emitir disparates retóricos com uma tranquilidade que só costuma beneficiar os justos e os insanos.

“Esse país teve um homem chamado Tiradentes, que ousou começar a organizar o povo para lutar pela independência do Brasil. E resolveram matar esse cara. Mataram o cara, esquartejaram o cara, salgaram a carne dele e penduraram no poste, pra ninguém esquecer. O que aconteceu de verdade? O fato de você matar a carne não significa que você matou as ideias. E as ideias de independência desse país continuam”, disse Lula, dias atrás. E complementou, como se o paralelo bizarro entre ele, acusado de corrupção, e o mártir, que morreu pobre, sem tríplex, sítio, ou previdência privada milionária, fizesse todo o sentido: “O PT é imortal”.

Aprofundando o delírio, em que se vê, não só como figura providencial, mas também essencial, Lula se refere à possibilidade, cada vez mais próxima, de sua punição com privação da liberdade, como uma ameaça a “204 milhões de habitantes desse país”. O ex-presidente parece acreditar que o destino do país está amarrado ao seu e só ele, ninguém mais, pode prover nossa redenção. Um discurso mais adequado a Canudos, de Antônio Conselheiro, no Século XIX, que ao Brasil que ingressou, graças principalmente as façanhas do PT, com passos trôpegos no Século XXI.

Muito menos prolixa, e muito mais exata, é a análise do economista e ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga. Depois de prever que mais uma guinada populista seria um desastre tremendo para o país, fulminou: “Se Lula for candidato, vai voltar ao mesmo padrão de mentiras e promessas de antes. Ele declarou outro dia que nunca o Brasil precisou tanto do PT quanto hoje. Para quê? Para quebrar de novo? Para enriquecer todos esses que estão aí mamando há tanto tempo? Acho que a campanha vai ser de baixíssimo nível.”

Ademar Traiano é presidente da Assembleia Legislativa e presidente do PSDB do Paraná.


8 comentários

  1. Sergio Silvestre
    quinta-feira, 10 de agosto de 2017 – 22:43 hs

    Esse Biltre não está afundado no “quadro negro’?

  2. Dercio
    sexta-feira, 11 de agosto de 2017 – 5:38 hs

    O sujo falando do mal lavado. Brincadeira tem hora.

  3. Dercio
    sexta-feira, 11 de agosto de 2017 – 5:38 hs

    O sujo falando do mal lavado. Brincadeira tem hora.

  4. Rock
    sexta-feira, 11 de agosto de 2017 – 10:20 hs

    Quem acompanhou e acompanha a carreira desse velhinho Traia sabe que ele não tem moral de fazer critica a nem um cachorro de rua sarnento.

  5. bruno do posto
    sexta-feira, 11 de agosto de 2017 – 10:31 hs

    veja também :

    Os supersálarios dos filhos de Traiano

    http://www.gazetadopovo.com.br/vida-publica/deputado-e-chefe-do-porto-praticam-nepotismo-cruzado-bcos7g3dq5bvvs3lh5q9kt4cu

  6. Doutor Prolegômeno
    sexta-feira, 11 de agosto de 2017 – 11:10 hs

    Quem é o ghost writer?

  7. rodrigues
    sexta-feira, 11 de agosto de 2017 – 14:33 hs

    Não tenho procuracão para defende-lo, mas qdo vejo esses escorias ai de cima se manifestarem, podem ter certeza que o assunto os incomodou.

  8. Teodoro Jucundo
    sexta-feira, 11 de agosto de 2017 – 14:43 hs

    Concordo. O PT pirou na batatinha, surfou na maionese. Lula, o cínico, acha que é o nosso redentor. Com o meu voto, não.

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