Curitiba terá marcha por 'Escola sem partido' | Fábio Campana

Curitiba terá marcha
por ‘Escola sem partido’

A bancada evangélica da Câmara Municipal de Curitiba decidiu sair às ruas em busca de apoio popular para o polêmico projeto “Escola sem partido”, que pretende probir discussões sobre política e sexualidade na rede de ensino público da Capital. Os vereadores do grupo marcaram para o próximo dia 15 uma “marcha” em defesa da proposta, que é criticada por professores e educadores, para quem a iniciativa fere a liberdade de expressão e informação, além de instituir uma espécie de “censura prévia” nas salas de aula. As informações são do Bem Paraná.

A alegação dos vereadores é impedir a suposta “doutrinação política” e coibir o ensino da chamada “ideologia de gênero” nas escolas.

A proposta torna obrigatória a fixação em todas as salas de aula do ensino fundamental e médio de um cartaz informando que o professor “não se aproveitará da audiência cativa dos alunos, para promover os seus próprios interesses, opiniões, concepções ou preferências Ideológicas, religiosas morais, políticas e partidárias”; “não fará propaganda política partidária em sala de aula nem incitará seus alunos a participar de manifestações, atos públicos e passeatas”, entre outras normas.

Um dos autores da proposta, vereador Thiago Ferro (PSDB) – que é pastor da igreja Sara Nossa Terra – alega que a educação moral, religiosa e ideologia política “devem ser ensinadas em casa de acordo com os princípios morais”. Ele argumenta ainda que “isso não quer dizer que a escola não abordará o conteúdo”, mas que “o assunto será discutido só que de modo histórico e imparcial, não ocorrendo a doutrinação”.

Liberdade – Projetos semelhantes têm sido apresentados por parlamentares evangélicos em assembleias legislativas e câmaras municipais de todo o País. A discussão, inclusive, já chegou ao Supremo Tribunal Federal. Em março, o Luís Roberto Barroso, concedeu liminar determinando a suspensão de uma lei estadual de Alagoas que criou o programa “Escola Livre”, inspirado no ‘Escola sem Partido’, que estabelecia punição para professores que praticassem “doutrinação ideológica” em sala de aula.

Em seu parecer, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que a lei “ao pretender cercear a discussão no ambiente escolar (…) contraria princípios conformadores da educação brasileira, em especial as liberdades constitucionais de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber; o pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas e a gestão democrática do ensino público”.

Barroso concordou com os argumentos do procurador, e em sua decisão, acrescentou que “o pluralismo ideológico e a promoção dos valores da liberdade são assegurados na Constituição e em todas as normas internacionais antes mencionadas, sem que haja menção, em qualquer uma delas, à neutralidade como princípio diretivo”. O ministro afirmou ainda que “a própria concepção que inspira a ideia da ‘Escola Livre’ (…) parte de preferências políticas e ideológicas.”


7 comentários

  1. Jaferrer
    quinta-feira, 10 de agosto de 2017 – 8:29 hs

    Esses escrotos deveriam estar trabalhando em prol da população e ficam discutindo a implantação de sua própria ideologia do preconceito. É lastimável que tenhamos políticos de tão baixo nível.

  2. dex
    quinta-feira, 10 de agosto de 2017 – 9:19 hs

    Avisa ao “nobre” vereador, que não existe neutralidade educacional.

  3. Lucas
    quinta-feira, 10 de agosto de 2017 – 10:53 hs

    Na visão desses “nobres vereadores” a doutrinação só pode e deve ser realizada através dos pupitos das igrejas. Quanto menos informação nas escolas, melhor o resultado nas igrejas!

  4. Veredito
    quinta-feira, 10 de agosto de 2017 – 12:42 hs

    Pelo visto, para os três acima, Jaferrer, Dex e Lucas, são três frustrados que não sabem as suas origens e estão tentando reverter a ordem dos fatos. Na escola se ansina história, português, matemática, noções de meio ambiente, educação física em sua fase primária com joguinhos tipo caçador e nada mais. Aulas de sexo e política nas salas de aulas é só na cabeça dos professores petistas que ainda mancham a categoria neste Paraná.

  5. Rock
    quinta-feira, 10 de agosto de 2017 – 17:58 hs

    Nem vou comentar as bobagens desses imbecis por que já levaram bastante pauladas na cabeça.;

  6. quinta-feira, 10 de agosto de 2017 – 21:18 hs

    Fábio, essa Marcha é uma ação coordenada nacional do MBL e que envolve todos os municípios que têm gestão local. Estou à disposição para falarmos. E o programa do Escola Sem Partido não é uma bandeira da bancada evangélica, mas de todas as pessoas preocupadas com a educação séria e comprometida com a formação isenta e dogmas, ideologias e visões políticas. O ensino sério e comprometido com a formação da criança e do adolescente. É triste ver como a esquerda tomou isso como algo ruim, pois é um projeto que beneficia inclusive a eles. Entra em contato comigo que estou à disposição para outros esclarecimentos. O meu email está aqui registrado. Denise de Souza – Coordenadora do MBL Curitiba.

  7. Maquiavel
    sexta-feira, 11 de agosto de 2017 – 10:04 hs

    Se o pastor Tiago Ferro está a frente, boa coisa não vai sair…No máximo tomates e ovos…

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