Brasil esquizofrênico | Fábio Campana

Brasil esquizofrênico

Glauco Humai

O Brasil está cada vez mais esquizofrênico. Caso nada seja feito para retomar a sanidade coletiva no país, nos veremos em breve numa situação deveras absurda e irreversível, para prejuízo de todos.

O distúrbio de personalidade nacional tornou-se realmente agudo no governo passado, que usou e abusou do que ficou conhecido como “contabilidade criativa”. Sem dinheiro para pagar as contas, a solução foi criar uma ficção de números e planilhas que sugeriam exatamente o contrário: que tudo ia bem e que não faltaria dinheiro para nada. Hoje pagamos a conta dessa brincadeira.

A esquizofrenia brasileira é realmente democrática, pois atinge todos os Poderes da República, todas as camadas sociais, políticas e econômicas. O Executivo e o Legislativo são o exemplo político.

A população deixa clara a sua reprovação aos políticos em geral – a maioria os considera, no mínimo, indignos de ocupar os cargos em que estão. Eles, por sua vez, perseguem agendas muito mais voltadas a servir a seus próprios interesses.

Fosse uma pessoa, o Brasil seria o equivalente a Dr. Jekyll e Mr. Hyde, as duas personalidades do protagonista do livro “O Médico e o Monstro”, de Robert Louis Stevenson.

Um exemplo recente disso acometeu o próprio Judiciário. O imbróglio, inclusive, não tem nenhuma ligação com operações policiais ou casos de corrupção. Trata-se de um caso mais mundano e menos midiático, ainda que altamente perturbador.

Alguns magistrados literalmente misturaram leis para tomar decisões sem fundamento jurídico -no caso, obrigar shopping centers a oferecer ou pagar creches para os filhos das funcionárias das lojas que ocupam os empreendimentos.

Ou seja, a Justiça tem dito, ao misturar direito trabalhista e comercial, que uma empresa deve custear benefícios a profissionais com os quais não tem qualquer vínculo. Isso só porque mantém uma relação comercial com o real empregador.

A própria vida privada se torna cada vez mais esquizofrênica, como nas pequenas corrupções e contravenções, toleradas por muitos cidadãos que, de uma forma ou de outra, condenam governos, governantes, servidores e empresas corruptos.

Sustentam essa atitude contraditória por acreditarem que, pela “intensidade”, suas ações são desculpáveis. Ora, ou as regras valem ou não valem. O “seletismo” demonstrado pela população é mais uma prova de nossa esquizofrenia tropical.

A cura para esse distúrbio nacional passa, necessariamente, pelo compromisso com as leis estabelecidas pela sociedade. A cultura de mudar as regras do jogo enquanto ele está sendo disputado, seja para acomodar uma visão heterodoxa ou um interesse particular, nos deixa perdidos e alimenta nossa esquizofrenia -da qual a situação do país é apenas reflexo.


Glauco Humai, pós-graduado em gestão sustentável de empresas pela Harvard Business School (EUA), é presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce)


3 comentários

  1. Religioso
    terça-feira, 29 de agosto de 2017 – 10:18 hs

    Tudo isso está acontecendo graças à personalidade narcisista e psicopata de Lula e à gravíssima deficiência cognitiva de Dilma. O PT entra, aqui, como a cultura esquizofrênica perfeita para gerar esses monstros. Definitivamente, Deus não é brasileiro.

  2. JÁ ERA...
    terça-feira, 29 de agosto de 2017 – 10:59 hs

    Esquizofrenia é muito pouco. Nós já entramos na fase da loucura
    irreversível. Para não piorar o nosso quadro de loucura precisamos
    mudar para uma ilha remota no meio do Oceano Pacífico onde não
    pega TV nem internet… e que a gente nunca pague mais impostos.

  3. Terere
    terça-feira, 29 de agosto de 2017 – 18:07 hs

    Qualquer planejador ja sabia que o Brasil e uma caixa dagua cheia de furos ..isso a mais de 30 anos …o trabalhador e industria da iniciativa privada enchiam a caixa …o servidor publico abria mais ainda os furos…finalmente chegamos a caixa dagua vazia !!!

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