A merenda das escolas de Curitiba | Fábio Campana

A merenda das escolas de Curitiba

“O momento é de desestatização, de transferir para a iniciativa privada aquilo que ela pode fazer com eficiência”, respondeu Sabino Picolo (DEM) à sugestão levantada por Goura (PDT) hoje, na Câmara de Curitiba. Na esteira do debate sobre o projeto “Segunda Sem Carne”, o pedetista disse que se reuniu, semana passada, com o Conselho Regional de Nutricionistas, onde ouviu que Campinas abandonou a terceirização da merenda.

“Eu sei que é uma discussão a longo prazo”, disse Goura, “tanto que Campinas demorou 10 anos para reinserir o papel educativo da alimentação nas escolas. Não é algo para ano que vem, mas tem que ser debatido”. O vereador relatou reunião na Secretaria Municipal de Educação, dizendo que foi um “encontro produtivo”, no qual percebeu que o debate sobre a merenda deveria ocorrer em três frentes: o cardápio, o modelo de contrato e a estatização do serviço.

Goura entende que as realidades locais deveriam ser consideradas na composição do cardápio, para reforçar a merenda em regiões mais socialmente vulneráveis. Também levantou críticas sobre centralizar todo o contrato, “que atende quase 500 equipamentos públicos”, em uma ou duas empresas. “Pela logística, daria para ter mais fornecedores”, argumentou. “Vejo com preocupação qualquer coisa que aumente a despesa [pública]. Melhor manter aquilo que dá para pagar”, comentou Sabino. 

Para o vereador do DEM, “é um sonho, que tem que perseguir”. “Mas quem vai pagar a despesa? Tem diferença no preço”, disse. Antes disso, Goura havia dito que para o CRN seriam necessários 56 nutricionistas no quadro da Prefeitura de Curitiba para atender ao sistema, que serve 285 refeições todos os dias. “Sabem quantos a prefeitura tem? Apenas 3. Precisamos inserir mais profissionais da área para ter o serviço [de merenda] aperfeiçoado”, disse o parlamentar. Professora Josete (PT) participou do debate, elogiando o sistema estatizado, que conheceu quando entrou na rede de ensino, em 1985.

“Quando a alimentação era no interior da escola, a relação entre cantineiras e alunos era interessante. A gente percebia coisas que escapavam dentro da sala de aula. E se uma criança não estava bem, ela fazia um lanche alternativo. Era uma outra dinâmica que ia ao encontro do que a escola deve buscar, que é em todos seus aspectos ter um caráter educativo”, avaliou Josete. Goura disse que, em conversa com o líder do prefeito, Pier Petruzziello (PTB), surgiu a possibilidade de visitar a Ristotolândia, empresa com a maior parte do contrato de merenda. Na semana passada, os vereadores haviam discutido em plenário.

Informações da Câmara Municipal de Curitiba.


2 comentários

  1. eleitor desmemoriado.
    segunda-feira, 14 de agosto de 2017 – 20:04 hs

    Com certeza sou do tempo da professora Josete, mas as escolas primárias eram estaduais então. Lá naqueles idos anos as cantineiras é que preparavam a merenda, coisa pouca mas boa. Será que a Prefeitura não pode ressuscitar as cantinas nas escolas? Aposto que o custo com uma cantineira é bem inferior ao das refeições compradas do dito buffet.

  2. TADEU ROCHA
    terça-feira, 15 de agosto de 2017 – 8:40 hs

    NA VERDADE, ESSE VEREADOR SABINO PICOLO , DEVERIA SER O PRESIDENTE DA CAMARA , MUITO BOM.

Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*