263 x 227 votos | Fábio Campana

263 x 227 votos

 

Há décadas o professor americano Aaron Levenstein comparou as estatísticas aos biquínis (o que mostram é interessante, mas o que escondem é fundamental).

Roberto Campos – quando desafiado por tabelas e estatísticas complexas – também utilizava a frase: os números são como os biquínis: mostram muito, mas escondem o essencial.

Da revista Época:

Às vezes o diagnóstico de uma vitória ou derrota guarda pouca relação com os resultados dos campos de batalha. Claro, se Temer tivesse tangenciado o número mágico de 308 votos a seu favor (necessário a aprovar emendas à Constituição), teria mostrado musculatura, capacidade de resistir aos apelos corporativos e à pressão por mais gastos. Sem alcançá-lo, o presidente, seus ministros, spin doctors, e aliados perderam a luta pela definição da realidade. Temer ganhou, mas não levou.

Não capitalizará facilmente a vitória porque o placar indica que Temer foi apenas capaz de mostrar força para sobreviver como um presidente em ponto morto, até 2018. Sim, mesmo magro, o resultado é suficiente para blindá-lo contra as novas denúncias de Janot (desde, claro, que essas não venham anabolizadas por novas delações cirurgicamente dirigidas ao presidente). Mas o capital político – e orçamentário – gasto na operação de sobrevivência deixou Temer a descoberto.

A vitória foi construída com os tijolos da velha política: toma lá dá cá, afrouxamento do talhe fiscal e liberação de emendas parlamentares para deputados ávidos por injetar dinheiro em suas bases eleitorais à véspera de ano eleitoral. Daqui para a frente, não há muito mais o que entregar respeitando os limites da responsabilidade fiscal.

O placar sugere uma entropia da base. A força aglutinativa das reformas – com sua urgência necessária, como a da Previdência – pode até mais adiante atrair temporariamente alguns desses 21 tucanos desgarrados (a favor do afastamento) de volta ao campo gravitacional de Temer. Mas as defecções no PSDB já sinalizam uma debandada. E que a sustentação do governo e a implementação da agenda econômica dependerão cada vez mais do centrão, coligação de partidos cuja fidelidade é proporcional à liberação de verbas pelo Planalto e ao loteamento de cargos. Uma combinação instável e comburente – que consome governos.


3 comentários

  1. Doutor Prolegômeno
    quinta-feira, 3 de agosto de 2017 – 11:56 hs

    A revista Época, bem como todos os veículos de comunicação deste grupo, querem derrubar o governo. Assim, a análise fala muito e só diz o editor mandou dizer. Como construir uma vitória contra uma ampla campanha de detratação? Conclamando anjos e santos? Convocando uma cruzada contra os infiéis? Sem uma reforma previdenciária o país quebrará, como o RJ. É uma questão de tempo. Talvez por isso, se alevantam os poderes do estado mais prejudicados pela reforma…

  2. LÍNGUA FELINA
    quinta-feira, 3 de agosto de 2017 – 15:15 hs

    Com este placar apertado mas obedecendo as leis vigentes, ficou
    claro que o governo vai ter muita pedra para quebrar daqui para fren-
    te.

  3. JOHAN
    quinta-feira, 3 de agosto de 2017 – 18:37 hs

    Caro FÁBIO, a votação de ontem foi uma tragédia apreciada pela sociedade. A população viu seus representantes principalmente os partidários do TEMER, justamente os CÚMPLICES, que votaram com suas consciências envergonhadas, pronunciavam o SIM quase inaudível. Alguns até envergonhados colocaram a mão sobre o rosto, para não serem observados com clareza, na imagem gerada pela TV. Eles sabem que serão cobrados pelos eleitores nos seus redutos eleitorais. Esses 263 deputados deram uma carta branca para o TEMER poder corromper seus aliados, com recursos retirados da sociedade e colocados nas mãos dos CÚMPLICES ladrões. Isso tudo a sociedade pode observar na TV. O troco será fornecido em 2018. Atenciosamente. .

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