Padilha diz que oposição precisará correr atrás de quórum | Fábio Campana

Padilha diz que oposição precisará correr atrás de quórum

Jornal do Brasil

O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou nesta sexta-feira (14), em entrevista à Rádio Gaúcha, que o governo não está preocupado com o quórum para votar no Plenário da Câmara a denúncia contra o presidente Michel Temer. Segundo Padilha, é a oposição que precisa de pelo menos 342 deputados (dois terços da Casa) para a votação.

“O governo não tem mais preocupação em colocar quórum. Quem tem preocupação é quem quer que seja colocada a denúncia. Logo, a oposição”, afirmou Padilha, que despertou, com a declaração, especulações na oposição de que o governo pode manobrar para que a votação da denúncia seja adiada indefinidamente.

Segundo o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), que vem a ser aliado de Michel Temer, a votação do parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) sobre a denúncia de corrupção passiva apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, só poderá ocorrer com o mínimo de 342 parlamentares em Plenário.

Para que o Supremo Tribunal Federal (STF) prossiga com a denúncia contra Temer, pelos menos 342 deputados precisam autorizar a abertura de inquérito. Neste caso, o presidente da República é afastado por seis meses enquanto o Supremo, que também precisa autorizar o inquérito por maioria, julga o caso.

Trocas de deputados na CCJ

O ministro de Temer foi questionado sobre a articulação do governo junto aos partidos da base aliada para que estes promovessem trocas na CCJ de deputados que haviam declarado voto contra Temer antecipadamente. A estratégia reverteu o cenário, que seria de derrota para o presidente, e nesta quinta-feira (13) prevaleceu um parecer favorável ao peemedebista.

“Não tem absolutamente nada de irregular. Absolutamente normal. Do jogo político”, amenizou Padilha. “Quando um partido fecha questão, todos os parlamentares são obrigados a votar conforme a orientação desse partido. O que mobilizou as trocas foi a orientação do partido. Como havia alguns deputados que não tinham facilidade de assimilar essa orientação partidária, eles foram substituídos”, alegou.

Fernando Henrique Cardoso e o PSDB

O ministro também comentou, na entrevista à Rádio Gaúcha, os boatos de que o governo estaria disposto a retirar ministérios do PSDB e entregá-los a partidos do “centrão” em troca de votos da CCJ favoráveis a Temer. Ele negou e acrescentou que, antes, o Planalto está interessado em conquistar o apoio da ala do PSDB que hoje não vota com o governo.

“Daí porque não se tem que falar nesse momento em reforma ministerial”, ponderou.

Perguntado sobre o posicionamento de líderes tucanos, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que defendem a ruptura do partido com o governo Temer, Padilha elogiou a carreira acadêmica de FHC, mas disse que entre a academia e o Congresso Nacional “temos uma distância bastante longa”.

“Ele é um sociólogo reconhecido. Sob o ponto de vista acadêmico e intelectual, ele criou uma convicção de que seria melhor essa saída (renúncia de Michel Temer). Mas entre a academia e o Congresso Nacional nós temos uma distância bastante longa”, afirmou o ministro.


Um comentário

  1. PIMENTA PURA
    sábado, 15 de julho de 2017 – 6:18 hs

    O Padilha sentado ao lado do Temer é a figura exata de um presi-
    diário tomando sol na Papuda. Só falta trocar o terno deles pelo ma-
    cacão listrado. Dizem as más línguas que a confecção de ternos lis-
    trados em preto e branco já estão de vento em popa lá em Brasília.
    Afinal, os caras precisam ir acostumando com o novo uniforme…

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