O companheiro de cela de Cabral | Fábio Campana

O companheiro de cela de Cabral

Num discurso feito em 2011 Sergio Cabral, então governador do Rio de Janeiro, lamentou que policiais presos por corrupção fossem soltos pela Justiça.
Naquela época, Flávio Mello dos Santos, ex-policial, estava usando tornozeleira eletrônica, depois de ser condenado por associação ao tráfico, servindo de exemplo para Cabral. O ex-policial cometeu crime novamente e mais uma vez foi preso.
O tempo passou e por motivos diferentes os dois, ex-governador e ex-policial, foram parar em Bangu 8.
E em maio deste ano foram transferidos para a Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na zona norte da capital fluminense.
Hoje os dois dividem cela com outros quatro presos.

Da Folha de São Paulo:
A presença dele no espaço do ex-governador foi identificada em vistoria do Ministério Público do Rio.

O promotor Sauvei Lai apontou possível irregularidade, já que Santos não tem curso superior, requisito para ficar naquela galeria. A Secretaria de Administração Penitenciária afirma que cumpre determinação judicial.

O MP apura se Santos é uma espécie de segurança do peemedebista. A cadeia é também local de triagem de presos vinculados às três facções criminosas do Rio, que ficam em outra galeria no mesmo prédio.

O advogado Rodrigo Roca, que defende Cabral, afirma que a suspeita “é falsa”.

“É preciso um raciocínio muito confuso e predisposto a maledicência para se construir uma história como essa. Por que o ex-governador precisaria de um segurança para se proteger de pessoas com as quais ele está preso, todas com diploma de nível superior e [presos por não pagar] pensão alimentícia. Ele estaria sob risco de quê?”, afirmou Roca.

Cabral e Santos dividem com mais quatro detentos o espaço de 16 metros quadrados. No local há um ventilador, uma TV pequena, caixa de isopor com gelo e três beliches.

HOMEM ‘PERIGOSO’

O homem que todas as noites dorme perto do ex-governador fluminense foi descrito como “perigoso” pelo juiz André Ramos, responsável pela sentença que o condenou a 19 anos e meio pelo caso da Rocinha. O magistrado se referia à ficha criminal do ex-PM.

A investigação da Operação Morpheu, de 2007, apontou que PMs recebiam propina para não combater o tráfico em Macaé, então comandado por Rogério Rios Mosqueira, o Roupinol, também da ADA. O envolvimento de Santos com a quadrilha, contundo, mostrou-se maior.

O ex-PM é acusado de ter assassinado, junto com outros dois homens a pedido do traficante, o então secretário municipal de Transporte de Macaé, Fernando Magalhães. A vítima foi atingida por nove dos 19 disparos efetuados contra o seu carro.

Após a operação em Macaé, Roupinol e comparsas se esconderam no morro do São Carlos, centro do Rio. Ele foi morto em 2010, numa operação policial.

Com a chegada da UPP no São Carlos, em maio de 2011, os criminosos que estavam ali foram para a Rocinha.

O comboio que Santos organizou, 22 dias após sair da prisão, tinha como objetivo tirar da favela da zona sul os traficantes Anderson Rosa, o “Coelho”, chefe do tráfico do São Carlos, Sandro Luíz, o “Peixe”, da quadrilha de Roupinol em Macaé, e Valquir dos Santos, o “Carré” da Rocinha.

No mesmo dia à noite, Antônio Bonfim Lopes, o Nem, chefe do tráfico na Rocinha, seria preso também numa tentativa de fuga.

A reportagem tentou, sem sucesso, contato com a defesa do ex-policial militar.
À Justiça, ele disse que o comboio de quatro carros com dez pessoas, três fuzis, 11 pistolas e cinco granadas tinha como objetivo checar a informação sobre um possível paradeiro do arsenal da quadrilha de Nem.
“Flávio é incrivelmente dissimulado. […] É persuasivo a falar e extremamente inteligente, bem como articulado, o que facilita a montagem de versões fantasiosas”, escreveu o juiz Ramos.


2 comentários

  1. Daniel Fernandes
    terça-feira, 18 de julho de 2017 – 19:03 hs

    Um assassino que mata diretamente divide a cela com outro, bem mais perigoso, que mata de forma sub-reptícia ao roubar o dinheiro que deveria ser usado para atender à população.
    Eu, se tivesse escolher entre liberar um ou outro, liberaria o ex-PM, que reputo ser bem menos perigoso.
    Só para terminar: que sacanagem, que absurdo é este de quem tem nível superior ter prisão especial e diferenciada?
    Um criminoso é um criminoso. Não importa se tem diploma, PhD, ou é analfabeto.

  2. LÍNGUA FELINA
    quarta-feira, 19 de julho de 2017 – 6:14 hs

    Concordo com o Daniel !!!

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