"Médico tem que parar de fingir que trabalha", diz ministro da Saúde | Fábio Campana

“Médico tem que parar de fingir que trabalha”, diz ministro da Saúde

Da Folha SP

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, defendeu nesta quinta-feira (13) a adoção de biometria em todas as unidades de saúde e de um “padrão de produtividade” para fiscalizar o trabalho de profissionais que atuam no SUS, em especial os médicos.

“Vamos parar de fingir que pagamos o médico e o médico tem que parar de fingir que trabalha”, disse. “A biometria do funcionário vai permitir que essas pessoas cumpram o contrato que fizeram com o poder público”, afirmou.

Segundo o ministro, é preciso também estabelecer metas de desempenho para que as prefeituras possam fiscalizar o trabalho dos médicos, como tempo destinado às consultas, por exemplo. “Vamos estabelecer metas, e quem estiver abaixo do seu desempenho, vai ser chamado a aumentar sua produtividade.”

Ele cita como exemplo o parâmetro da OMS (Organização Mundial de Saúde), que prevê cada consulta dure cerca de 15 minutos. “Hoje o médico vai lá, faz quatro horas de concurso e marca 16 consultas. Ele faz cinco minutos de consulta e vai embora. Queremos o médico no tempo que concursou”, disse.
Gabriel Alves/Folhapress
O Ministro da Saúde Ricardo Barros em discussão sobre Saúde e Biotecnologia
O Ministro da Saúde Ricardo Barros em discussão sobre Saúde e Biotecnologia

Em uma declaração polêmica, Barros afirmou ainda que muitos pacientes buscam diretamente o pronto-socorro dos hospitais porque médicos não cumprem a carga horária contratada nas unidades básicas de saúde, que deveriam responder pelo primeiro atendimento.

“O grande problema de saúde é que não conseguimos fazer com que o médico fique quatro horas na unidade de saúde. A pessoa que tem problema vai diretamente no hospital, porque lá ele sabe que vai estar o médico”, disse.

De acordo com Barros, cerca de 50% dos médicos que trabalham em municípios onde há biometria pedem demissão. “Tenho 100 horas contratadas, eles fazem 30. Se metade for embora e a outra metade cumprir as quatro horas, estamos aumentando a disponibilidade de médicos para a população”, disse, citando o fato de que a maioria têm mais de um emprego e, com isso, não consegue cumprir a jornada.

Ainda segundo o ministro, o governo já publicou um credenciamento para selecionar empresas de informática para informatizar e ter a oferta de biometria nas unidades de saúde até 2018. O custo deve ser dividido entre União e municípios.

Essa não é a primeira crítica do ministro ao trabalho dos médicos. Nos últimos meses, o ministro entrou em atrito com entidades como o CFM (Conselho Federal de Medicina) após afirmar que os médicos brasileiros não mostram disposição para o trabalho. Na época, o conselho reagiu afirmando que o ministro demonstra “desconhecimento da dedicação dos médicos brasileiros na assistência à população” e “ignora os esforços despendidos por estes profissionais.”

REPASSES

A declaração ocorreu durante evento para anunciar o repasse de R$ 1,7 bilhão a municípios para ações na atenção básica em saúde e oferta de transporte para pacientes.

Segundo Barros, o valor tem base na economia de recursos gerados no último ano, de R$ 3,5 bilhões. Do total, R$ 771,2 milhões devem ser destinados a programas da atenção básica, como equipes do programa Saúde na Família e agentes comunitários de saúde.

O restante deve ser destinado à renovação de 57% da frota do Samu e compra de 6.500 novas ambulâncias e mil vans para fazer o transporte de pacientes nos municípios.

No anúncio, Barros apresentou um balanço da gestão à frente da pasta e repetiu anúncios já divulgados, em uma tentativa de reforçar uma agenda positiva em meio à crise que atinge o governo do presidente Michel Temer.

“Quero saudar nosso presidente Michel Temer e agradecer por ter optado pelo reconhecimento e não pela popularidade. O Brasil vai te agradecer”, afirmou no início da cerimônia, ao citar a recente aprovação da reforma trabalhista no Senado.

Durante o evento, Barros também voltou a fazer críticas à judicialização da saúde e à Constituição, que afirma que a saúde é direito de todos e dever do Estado.

Para o ministro, é preciso definir a capacidade do poder público em atender às demandas judiciais. “O SUS é tudo que está disponível no SUS para todos”, afirmou.


5 comentários

  1. clarice franze
    quinta-feira, 13 de julho de 2017 – 19:12 hs

    NÃO TODOS, MAS UMA BOA PARCELA DE MÉDICOS QUE COMPOEM A REDE PÚBLICA SEQUER OLHA PARA A CARA DOS DOENTES QUE PROCURAM A SAUDE PÚBLICA. E NA MAIORIA NÃO OBEDECEM HORÁRIOS, E NO RETORNO DO PACIENTE SEQUER LEMBRAQUE O CONSULTOU. ISTO E DESUMANO, CRUEL, E DECEPCIONANTE. MAS A CULPA NA MAIORIA DAS VEZES É O PRÓPRIO SISTEMA.

    UM POUCO DE ORDEM NA CASA VAI FAZER EFEITO…E A POSSIBILIDADE DE MELHORAR O TRATAMENTO AINDA É VIAVEL. TOMARA QUE DE CERTO.

  2. mario ribeiro
    quinta-feira, 13 de julho de 2017 – 22:20 hs

    Não gosto deste politico mas o que ele disse é a pura verdade!
    A maioria dos médicos que “trabalham” na rede pública fingem que trabalham.

  3. Verdade
    sexta-feira, 14 de julho de 2017 – 0:56 hs

    Isso aí ministro senta a botina nos safados

  4. JÁ ERA...
    sexta-feira, 14 de julho de 2017 – 7:06 hs

    Se o próprio Ministro da Saúde posiciona os trabalhos dos médicos
    desta forma, meus pêsames Ricardo Barros. Trazer recursos para
    a saúde do país e principalmente ao Paraná é uma obrigação sua
    como político nativo. Votar a favor do Temer para continuar no “pu-
    leiro do PMDB” é uma grande farsa e oportunismo, porem em um
    discurso referir a vagabundagem à classe médica é uma afronta sem
    precedentes. Se o senhor acha que os médicos fingem que trabalham
    o que dizer de voces políticos profissionais !!??

  5. LÍNGUA FELINA
    sexta-feira, 14 de julho de 2017 – 7:08 hs

    E quanto às vagabundagens que assola os políticos de Brasília,
    incluindo você Barros !? Vai ter biometria tambem ????

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