Indícios de corrupção e favorecimento de empreiteira no TCU | Fábio Campana

Indícios de corrupção e favorecimento de empreiteira no TCU

Do Estadão:
A Polícia Federal apontou indícios de que o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Raimundo Carreiro, e o também ministro da Corte Aroldo Cedraz fariam parte de um esquema de corrupção para favorecer a empreiteira UTC em um processo relacionado às obras da usina de Angra 3 na Corte. Em relatório conclusivo sobre a investigação, a delegada Graziela Machado da Costa e Silva sustenta que as provas colhidas corroboram declarações de cinco delatores da Lava Jato, que mencionaram pagamento ao advogado Tiago Cedraz, filho de Aroldo Cedraz, para que conseguisse influenciar o julgamento do caso.

O inquérito da PF elenca documentos e mensagens que indicariam a atuação de Tiago em suposto tráfico de influência perante ministros do tribunal entre 2012 e 2014. Informa que milhares de ligações foram feitas entre telefones atribuídos ao advogado e os gabinetes de Aroldo Cedraz e Carreiro, parte deles em dias relevantes da tramitação do processo, o que demonstraria seu “acesso” a eles e a seus assessores.

A quebra dos sigilos bancário e fiscal apontou que os investigados movimentaram grande volume de recursos ainda sem comprovação de origem. As conclusões foram enviadas à Procuradoria-Geral da República, que decidirá sobre eventual denúncia contra Carreiro, Aroldo Cedraz e o filho. O mesmo relatório implica os senadores peemedebistas Edison Lobão (MA), Romero Jucá (RR) e Renan Calheiros (AL) por integrarem um outro núcleo possivelmente corrompido por empreiteiras da obra de Angra 3, como informou em junho a revista Veja. Os três negam.

O inquérito sobre corrupção no TCU foi instaurado em 2015, depois que o acionista da UTC, Ricardo Pessoa, declarou que fazia pagamentos a Tiago para obter informações privilegiadas da Corte. Ele e Walmir Pinheiro, ex-diretor financeiro da empreiteira, relataram que o advogado teria pedido R$ 1 milhão para conseguir que o TCU liberasse, em 2012, a licitação para a montagem eletromecânica da usina. Pessoa e Pinheiro fizeram acordo de delação premiada.

Graças à decisão, o contrato foi assinado em 2014, ano em que o montante teria sido repassado, em espécie, ao advogado, segundo os relatos. Os delatores Luiz Carlos Martins, da Camargo Corrêa, Gustavo Botelho, da Andrade Gutierrez, e Henrique Pessoa Mendes, da Odebrecht, disseram que a operação para comprar votos na Corte foi discutida em reuniões entre representantes das empreiteiras, que integravam o consórcio que venceu as obras. Este último ainda admitiu a que a Odebrecht contratou uma sobrinha de Carreiro, medida que teria sido um agrado ao ministro.

A PF sustenta que não havia diferença entre as atividades de Aroldo Cedraz e Tiago, que se valeria “do poder do pai e das suas relações no TCU” para viabilizar seus interesses. Documentos apreendidos nos endereços do advogado, segundo os investigadores, mostram que integrantes da equipe dele atuavam formalmente nos processos, mas que seria ele quem cuidava da relação com os clientes do tribunal, fazia contatos com ministros e traçava estratégias de atuação.

Ligações. A quebra de sigilos dos investigados mostrou que, entre 2012 e 2014, houve 14.321 ligações entre telefones vinculados a Tiago e seu escritório e terminais do pai e de seu gabinete. No caso de Carreiro e sua equipe, a PF cita “centenas” de ligações. O aparelho registrado em nome do assessor Maurício Lockis, que teria elaborado o voto de Carreiro favorável à UTC, foi o que mais recebeu contatos (271), sendo 112 em 2012, ano do julgamento.

De 2012 a 2014, houve ainda 75 contatos feitos entre aparelhos atribuídos a Carreiro e de Luciano Araújo, apontado como emissário de Tiago para buscar dinheiro na UTC. Luciano é primo de Tiago e tesoureiro do partido Solidariedade. Esse levantamento, para a PF, reforça que havia uma atuação “clandestina” de Tiago nos gabinetes dos ministros.

A postura dos ministros nos julgamentos, segundo os investigadores, aponta ainda indícios de manipulação. Carreiro foi relator do caso e contrariou pareceres da área técnica para liberar a licitação de Angra, após o julgamento ser adiado algumas vezes. A PF afirma que Aroldo Cedraz pediu vista do processo quando o sistema do TCU já registrava que ele estava impedido para atuar no caso. Duas semanas depois, devolveu o processo e sem análise e anunciou seu afastamento.


Um comentário

  1. Daniel Fernandes
    quarta-feira, 19 de julho de 2017 – 16:20 hs

    UIA!

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