As denúncias da Globo contra Michel Temer | Fábio Campana

As denúncias da Globo contra Michel Temer

Do Le Monde Diplomatique Brasil

Desde 2013, o Brasil vive um quadro de crise política institucional dos mais profundos. A iminente queda de Michel Temer constitui-se como apenas mais um capítulo dessa novela. Para discutirmos as denúncias contra o presidente da República e termos mais dados para análise, sem cairmos em previsões infundadas, é necessário clarear algumas constatações históricas fundamentais da política brasileira:
1) a Rede Globo é ainda hoje o principal meio de formação de opinião dos brasileiros sobre política;
2) historicamente, ela representou os interesses majoritários dos capitalistas do país;
3) desconhecemos evidência de recuo de uma proposta dela com relação à retirada de um presidente da República do seu cargo, seja através de golpe militar explícito, de golpe institucional ou de impeachment.
Se admitimos que essas assertivas são verdadeiras, Michel Temer cairá em breve.
Se isso não acontecer, significará que a Rede Globo não representa mais os interesses majoritários do grande capital, nem dos principais políticos no país e seu império midiático está prestes a ruir.
Nesse sentido, é sempre importante fundamentarmos nossas hipóteses com base na história política brasileira. Nos últimos 65 anos, a Rede Globo ocupou o espaço de um dos principais atores políticos, sempre participando com grande poder de decisão em momentos-chaves. Vejamos.

[…] A Globo atuou com toda sua força para retirar a presidente Dilma Rousseff da presidência em 2015/16, que por incrível que possa parecer vinha realizando as reformas exigidas pelos grandes capitalistas, todavia em ritmo mais lento do que aquele implementado pelo governo atual.
Embora Michel Temer viesse encaminhando uma reforma absolutamente reacionária e conservadora, a Rede Globo fez campanha, assumindo inclusive, em editorial do dia 19 de maio do jornal O Globo, que só restava ao presidente da República a renúncia.
É importante entender que Michel Temer vinha sendo apoiado amplamente pelo PMDB, PSDB, DEM e outros partidos menores. A base aliada estava bastante sólida, ampla e unida no conservadorismo que há muito tempo não estava tão organizado no Brasil. Tudo indicava que a reforma da previdência e trabalhista passaria com bastante folga no Congresso. Por que, então, defender a retirada de Temer? Por que desestabilizar ainda mais o país que já está em crise econômica?

Se vale a pena aprendermos com as experiências do passado, poderíamos dizer que o governo federal possuiu uma notória e grande rejeição popular. Assim, pode ser que a Globo queira se livrar da pecha de quem colocou o Temer no poder, venha resgatar sua credibilidade como a emissora que também retirou o mesmo do poder. Curioso é que seria a repetição daquilo que aconteceu exatamente com Collor de Mello.

Em tempos de poder crescente das redes sociais (Facebook, WhatsApp e outras) com uma circulação imensa de ideias, o poder dos grandes conglomerados de mídia está claramente em declínio, se eles perdem a credibilidade ficam fadados a total desconstrução de seus impérios.

Outra hipótese diz respeito a desestabilizar o país, descredenciando todos os políticos para que a própria população queira/aceite um outro golpe militar-civil. Com Donald Trump no poder nos EUA, a conjuntura torna-se absolutamente favorável para esse tipo de golpe. Um golpe no Brasil, seria o cenário ideal para que se realizasse um golpe também na Venezuela e virasse de vez a visão política no continente com um alinhamento natural ao governo autoritário e conservador dos EUA. Ademais, um golpe militar-civil no Brasil acabaria com todas as denúncias da operação “lava-jato” e dos procuradores que estão colocando na cadeia alguns políticos. O Congresso seria fechado, mas todos os políticos que lá estão se livrariam dos processos de corrupção de que fazem parte.

Além do mais, os militares já possuem um candidato “forte, nacionalista, impetuoso, autoritário, conservador e que se apresenta como corajoso para destruir todas as enormes mazelas da política e da sociedade brasileiras”. O golpe militar pode servir para colocar um deputado federal, militar da reserva, no poder Executivo. Trata-se de Bolsonaro.

Wallace dos Santos de Mora, Prof. do Departamento de Ciência Política e do Programa de Pós-Graduação em História Comparada da UFRJ.

 


6 comentários

  1. Doutor Prolegômeno
    quinta-feira, 6 de julho de 2017 – 11:37 hs

    Não há dúvida que neste episódio todos perdem. A república bananeira do Brasil enraíza ainda mais seu destino manisfesto de país de segunda classe, dominado pela mídia superpoderosa e pelas corporações do Estado, que mantém a sociedade refém, num permanente estado de torpor cívico. Quem nasceu para vintém, nunca chega a tostão.

  2. Do Interior....
    quinta-feira, 6 de julho de 2017 – 11:46 hs

    Que viagem na maionese. Tinha que ser professor de história.

  3. Rr
    quinta-feira, 6 de julho de 2017 – 11:46 hs

    O que essa globosta quer é trazer o rato de nove dedos se vokta

  4. Rafael de Lala
    quinta-feira, 6 de julho de 2017 – 13:40 hs

    O veiculo da matéria, Le Monde Diplomatique, tem alinhamento à esquerda e o articulista demonstra, claramente, tendencias vinculadas ao chamado “marxismo cultural”, de extração gramsciana.
    Porém as observações que apresenta são preocupantes; no fundo a demonstrar que nosso país ainda não amadureceu para a plenitude da Democracia contemporânea; exibe instituições frágeis que vergam ao primeiro vendaval – prisioneiras de exacerbações corporativas e radicalizantes.
    Todavia, crises piores foram superadas ao longo de nossa História e, como estamos às vésperas do bicentenário da independência, estimamos que até lá o Brasil supere tais dificuldades e faça opção por um futuro melhor. Rafael de Lala, jornalista.

  5. Anny
    quinta-feira, 6 de julho de 2017 – 16:38 hs

    Meu Deus, esse fumou uma maconha louca. Mas o final concordo! Bolsonaro 2018! :)

  6. paulo roberto silva lima
    sábado, 8 de julho de 2017 – 1:20 hs

    Quanta bobagem dos comentaristas!

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