Vitória de Pirro | Fábio Campana

Vitória de Pirro

por Ricardo Noblat

A menos de 12 horas do início do julgamento das contas de campanha da chapa Dilma-Temer nas eleições de 2014, o presidente da República e o relator do caso no Tribunal Superior Eleitoral cravaram o mesmo placar em conversas com amigos: 4 votos contra 3.

Temer estava convencido de que tem 4 votos de um total de 7 para livrar-se do risco da perda do mandato. O ministro Henrique Benjamin, o relator, concordava com ele, embora ainda alimentasse esperança de que a força do seu voto pudesse inverter o placar.

Além do seu, Benjamim contabilizava os votos dos ministros Luiz Fux e Rosa Weber para cassar a chapa por abuso de poder econômico. Isso significaria cassar o mandato de Temer e decretar a perda dos direitos políticos da ex-presidente Dilma Rousseff.

De fato, Temer dá os três votos como perdidos. Mas desde que vença, é isso o que importa para ele. O melhor para Temer seria que o tribunal examinasse o mérito das quatro ações que pedem a impugnação e decidisse pela absolvição da chapa.

Outra saída é o tribunal ater-se a aspectos técnicos do processo e arquivá-lo. Evitaria a leitura do voto de Benjamim e o estrago político que ele provocaria fora do tribunal. Quando nada porque há farta prova de que a chapa Dilma-Temer beneficiou-se de dinheiro omitido à Justiça.

Se Temer vencer, não importa como, a dele, por placar tão apertado, será uma “vitória de Pirro”. Ou seja: uma vitória obtida a alto preço e que lhe acarretará danos irreparáveis. O destino de Temer é o de continuar sangrando ao fim do julgamento.

Há muito que vir por aí para enfraquecê-lo ainda mais. Virá a denúncia do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, que o acusa pelos delitos de corrupção passiva, obstrução da Justiça e organização criminosa. Virão novos fatos guardados para ser revelados em hora oportuna.

Antes de ser acolhida ou não pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a denúncia será votada pela Câmara dos Deputados. E embora, hoje, Temer reúna ali mais do que os 172 votos necessários de um total de 513 para negar o prosseguimento da denúncia, o futuro a Deus pertence.

A denúncia a ser feita por Janot nada tem a ver com o processo a ser julgado pelo TSE. E se a Câmara autorizar o STF a examiná-la, Temer terá que se afastar do cargo por um prazo de 180 dias. Foi o que ocorreu com Dilma quando a Câmara votou pela abertura do processo de impeachment.


3 comentários

  1. terça-feira, 6 de junho de 2017 – 10:08 hs

    “Já dizia o sábio: Para que tudo mude. É necessário que tudo permaneça exatamente como está e sempre esteve. Se La Vie cá em terras tupiniquins d’além mar…” – Profº Celso Bonfim

  2. Doutor Prolegômeno
    terça-feira, 6 de junho de 2017 – 10:19 hs

    Interessante como juízes palpitam sobre escores de julgamentos, como se foram jogos de póquer ou futebol. Nesta república de bananas, onde o jogo é ilegal, mas, o governo federal é a maior banca, tudo vira casa de apostas.

  3. Sergio Silvestre
    terça-feira, 6 de junho de 2017 – 11:04 hs

    Isso aqui é uma republica onde a “justiça” é feita por gente que são iguais aos políticos que fazem nossas leis de um “menu’ farto como segundeiros,estelionatários,traficantes,vendedores de sentença,achacadores etc.

Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*