"Vagabunda, prostituta, quer acabar com minha carreira?" | Fábio Campana

“Vagabunda, prostituta, quer acabar com minha carreira?”


Diante do escândalo a envolver uma alta figura do Judiciário, o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu manifestação da Procuradoria-Geral da República sobre o caso. A briga doméstica tomou proporções políticas, pois a queixosa foi a mulher do ministro Admar Gonzaga, do Tribunal Superior Eleitoral. Elida Souza Matos relatou à Polícia Civil de Brasília xingamentos e agressões por parte do marido. Em um primeiro depoimento, na sexta-feira, 23, ela contou que foi chamada de ‘prostituta’, ‘vagabunda’ e que Admar jogou um enxaguante bucal em seu corpo. Horas depois, ela prestou novo depoimento no qual afirmou que ‘tudo não passou de uma discussão de casal’. As informações são de Julia Affonso no Estadão.

Admar Gonzaga é um dos ministros indicados pelo presidente Michel Temer (PMDB) para o TSE. O ministro votou contra o pedido de cassação da chapa Dilma-Temer no histórico julgamento na Corte Eleitoral. Seu principal argumento foi o de que, apesar de haver provas sobre desvios e irregularidades envolvendo recursos irregulares da Petrobrás para partidos políticos, não se pode afirmar “categoricamente” que estes recursos abasteceram a campanha eleitoral.

O boletim de ocorrência contra Admar foi registrado na 1.ª Delegacia de Polícia por violência doméstica. Elida contou que convive com o ministro há 11 anos com união estável formalizada em cartório desde 2009 e citou uma briga há sete meses na qual acionou a Polícia Militar. Na ocasião, relatou, ‘não formalizou o ato’.

“Informa que teve um problema com o autor (Admar) no passado e por conta disso o relacionamento ficou conturbado. Hoje, após um discussão, o autor despejou enxaguante bucal no seu corpo. Ato contínuo, o autor empurrou a vítima, pondo suas mãos no rosto dela”, relatou.

No depoimento, foi destacado que o olho direito apresentava lesões (inchaço e roxidão).

Elida prosseguiu. “Como se não bastasse, o autor lhe agrediu moralmente proferindo palavras e frases como: “prostituta”, “vagabunda”, “você não serve nem pra pano de chão”, “escrota”, “você não vale o que eu represento” e “quer acabar com minha carreira?”. É imperioso ressaltar que a vítima salienta que, além das agressões físicas e verbais, sofre pressão psicológica. Isso porque, como ela é dona de casa e depende do agressor para o seu sustento, o autor a subjuga, valendo-se do seu status de ministro do TSE. Salienta que o autor é bastante agressivo.”

No mesmo dia, Elida voltou à delegacia e pediu o arquivamento da investigação. Ela declarou que a discussão havia ocorrido na madrugada por ciúmes dela e ‘que, após os fatos, no calor do momento, a declarante procurou a Polícia Civil para efetuar o presente registro policial’.

“Após registrar a ocorrência policial e comparecer ao IML, a declarante dormiu em um hotel e, por volta das 10h retornou para a residência do casal, local onde conversou com o seu companheiro e com ele se reconciliou. Que tudo não passou de uma discussão de casal e que a mesma já foi superada; que, de livre e espontânea vontade retornou a esta delegacia para, como acima mencionado, esclarecer os fatos e requerer o sobrestamento do presente feito; que, em relação às medidas protetivas de urgência, anteriormente requeridas, a declarante esclarece que não tem mais interesse no deferimento das mesmas, pois já se encontra reconciliada com seu companheiro.”

COM A PALAVRA, O ADVOGADO ANTONIO CARLOS DE ALMEIDA CASTRO, O KAKAY, QUE DEFENDE ADMAR GONZAGA

“Para nós, advogados da Elida e do Admar, o que interessa foi o pedido de retratação. Nós sabíamos que esse pedido chegaria no Supremo Tribunal e o ministro teria que enviar ao Ministério Público, então, nossa expectativa é que, embora a retratação evidentemente não sirva para determinar o arquivamento, que ela indique para o Ministério Público uma falta de justa causa e que o Ministério Público decida pelo arquivamento. Não me parece necessário e conveniente fazer comentários sobre depoimentos sendo que houve retratação posterior. Nossa expectativa é que isso influencie o Ministério Público, que tem o poder de denunciar e que ele determine o arquivamento por falta de justa causa.”


7 comentários

  1. Maluco
    quinta-feira, 29 de junho de 2017 – 12:02 hs

    QUESTÃO RELEVANTE: O enxaguante era com ÁRCOOR OU SEM ÁRCOOR? Isso é muito importante, porque se foi enxaguante alcoólico A PENA DOBRA!!!

  2. Doutor Prolegômeno
    quinta-feira, 29 de junho de 2017 – 12:12 hs

    A que ponto chega a vingança daqueles que foram contrariados por decisões. Vida privada além dos umbrais das janelas, briga de casal, baixo nível, lodo e esgoto. A sociedade midiática tem seus valores achados na beira dos bueiros.

  3. Sergio Silvestre
    quinta-feira, 29 de junho de 2017 – 13:20 hs

    Chifre dói e incomoda.

  4. Sergio R.
    quinta-feira, 29 de junho de 2017 – 17:04 hs

    O Gilmar Mendes puxa o bicho pela coleira. Depois o machão vai pra casa descontar na mulher.

  5. Chibata.
    quinta-feira, 29 de junho de 2017 – 17:13 hs

    Péssimo exemplo de um cidadão que deveria a sociedade se espelhar em seu comportamento ; machão de cozinha sem vergonha; deveria ser punido severamente por abalar a imagem judicial e demonstrar despreparo conjugal; fere o brilho que deveria ser impoluto como membro institucional manchando a destacado cargo que mal representa. Lamentável comportamento escandaloso e vergonhoso.

  6. Azedo
    sexta-feira, 30 de junho de 2017 – 9:21 hs

    Esse desequilibrado, defendido pelo tal Kakay, tem alguma “moral” e “equilíbrio” para julgar com justiça? Nem sua própria “briga de casal” esse cara não consegue administrar? Nojo do judiciário nacional!

  7. Anônimo
    sábado, 1 de julho de 2017 – 20:28 hs

    Não serve nem para porteiro de casa de protituição…

Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*