O inadiável ajuste nas contas | Fábio Campana

O inadiável ajuste
nas contas

Beto Richa, na Folha de S. Paulo

A persistência da maior crise econômica, ética e social da história do Brasil produziu um inesperado consenso entre economistas e gestores públicos: é inadiável um ajuste fiscal em todos os níveis de poder.

Não faltam críticas procedentes de que deveríamos ter nos antecipado nessa tarefa, aproveitando os tempos de bonança, como na fábula da cigarra e da formiga. É preciso prover e ser previdente no tempo bom, para depois poder enfrentar o inverno.

Com o perdão da ousadia, acho que fizemos um pouco disso no Paraná. Em dezembro de 2014, com os sinais de deterioração no horizonte, iniciamos um forte ajuste.

Encaramos a questão da Previdência dos servidores públicos -que naquele momento impunha compromissos exagerados ao Tesouro estadual- e revisamos alíquotas de impostos, ajustando-as aos níveis praticados em outras unidades da Federação.

Impusemos limites aos gastos e ao crescimento das despesas, que terminaram por contar com boa margem de apoio na iniciativa privada e até mesmo no funcionalismo público. São controles cada vez mais rígidos, que exigem atenção permanente para garantir novas economias e o corte de despesas não prioritárias.

Claro que nos favorece a inevitável comparação com outros Estados, nos quais salários atrasados ou parcelados foram tomados como exemplo de realidade a ser rejeitada. A manutenção de pagamentos em dia é mais importante que o argumento corporativo dos sindicatos, sempre a querer mais e mais benefícios. Fornecedores que recebem nas datas combinadas também fazem parte dessa receita.

Os investimentos públicos voltaram a crescer. As obras de infraestrutura criam novas condições para o avanço dos investimentos privados, num ciclo virtuoso e poderoso para debelar crises e gerar empregos.

Costumo dizer que não há mau governo com dinheiro em caixa. Não para entesourar riqueza, mas para organizar e programar os investimentos, segundo prioridades definidas pela sociedade.

Neste momento em que o Brasil precisa, mais do que nunca, de ajustes de Norte a Sul, vejo que a experiência paranaense deve ser olhada como um gesto de coragem e de contribuição para o país.

Não há fórmulas mágicas ou indolores, mas é por comparação que vamos descobrindo novos caminhos para retomar o crescimento e recuperar os milhões de empregos perdidos nos desvãos da crise.

O debate sobre a Previdência é apenas parte do problema. No entanto, o êxito de um projeto que devolva solvência ao sistema, sem impor sacrifícios demasiados aos trabalhadores, será visto como o primeiro passo numa reforma maior, que aponte para novas bases nas relações federativas. O contrário disso será desastroso.

Apesar de tudo, sou otimista. É na dificuldade que aprendemos a procurar as saídas mais responsáveis. O Brasil que quer resgatar a esperança tem um encontro marcado com seus deficits nas contas públicas. E não pode fugir dele.

Não se trata mais de escolher entre fazer ou não fazer o ajuste e as reformas. Chegou a hora de ousar e realizar. A história, mais uma vez, cobrará daqueles que possuem a responsabilidade e a oportunidade em suas mãos.

O bom desse desafio é que no final, feito o ajuste, o cenário é bem mais favorável que a fatigante rotina de administrar o caos.

Beto Richa (PSDB) é governador do Paraná. Foi prefeito de Curitiba e deputado estadual.


6 comentários

  1. urtica urens
    quarta-feira, 14 de junho de 2017 – 8:13 hs

    quem escreveu o texto para o cidadão??

    esqueceu de falar acima do rombo bilionário aos cofres do Estado durante sua primeira gestão …

  2. QUESTIONADOR
    quarta-feira, 14 de junho de 2017 – 10:42 hs

    -Ainda acho que o Governador poderia ter começado a “enxugar” a máquina no segundo ano de seu primeiro mandato. Pois os economistas sérios e analistas de mercado já vinham alertando sobre o surgimento da crise, mesmo em épocas de fartura…a preciosa informação vale mais do que vontade política.
    -Os reajustes concedidos ao funcionalismo público, ao ministério público e contratações exageradas e sem propósito poderiam ser evitados e sim realizados com extrema precaução….
    -Mas enfim, poderíamos estar ainda em melhores condições, mas é o que temos para hoje….

  3. Jorge Armado
    quarta-feira, 14 de junho de 2017 – 10:43 hs

    Dói só de pensar que daqui a um ano e meio Beto Richa não será mais governador do Paraná. Uma lacuna impossível de ser preenchida. Um administrador dinâmico e honesto como jamais houve na história do nosso país. Um político de tamanha magnitude que poderia perfeitamente estar na Casa Branca, no Palácio de Buckingham, no Eliseu ou na ONU. Nós paranaenses somos afortunados!

  4. Django
    quarta-feira, 14 de junho de 2017 – 14:29 hs

    Graças a DEUS Jorge Amado.

  5. Paranaense
    quarta-feira, 14 de junho de 2017 – 14:30 hs

    Jorge Armado só pode estar brincando.
    De longe o PIOR Governador que o Paraná já teve.
    Tu deve ser um comissionado baba ovo.
    Engraçado que os cortes só vem para o servidores do executivo.
    Enquanto isso, o JUDICIÁRIO nada de braçada. Para eles tudo; correção inflacionária em dia. Antes de defecar que eles têm orçamento próprio, lembre-se que o orçamento do judiciário é repassado pelo Executivo.
    Torço pelo dia em que os militares tomem o poder e acabem com a farra, inclusive dos semi-deuses do judiciário.

  6. JOHAN
    quinta-feira, 15 de junho de 2017 – 18:38 hs

    Caro FÁBIO, parece que o governador BETO RICHA, assumiu em janeiro, viu os números horríveis da economia estadual atual e como um líder imaculado no seu 7º ano de governo propõe um inadiável ajuste de contas para o 8º ano. Simplesmente risível, hein Beto. VOCÊ TERIA CORAGEM DE VOTAR NUM CANDIDATO TUCANO DESSA ENVERGADURA. Atenciosamente.. .

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