O amigo de Temer que entrou e saiu da delação da JBS | Fábio Campana

O amigo de Temer que entrou e saiu da delação da JBS

Mais um capítulo estranhíssimo na novela dos delatores da JBS.
Ricardo Saud, aquele que entregou a mala de dinheiro para Rocha Loures, contratou uma pessoa para pesquisar endereços de entrega de propinas que estariam em sua delação; nome: Rodolfo.
O telefone de Saud estava grampeado e no relatório da Polícia Federal a respeito das ligações ouvidas, ele diz a Rodolfo: “Sabe o que eu estava pensando? Naquele relatório… É… Você podia fazer para mim, que eu estou indo hoje para Nova York, para levar ele. Tira aquele negócio tudo que tem do Yunes…”. Rodolfo concorda e Saud continua: “E põe só confirmando que nesse endereço mora… é o escritório de fulano de tal, põe tudo aquilo, amigo do cara, tal…. eu quero mostrar que você foi lá para mim e confirmar que lá era o coronel tal, tal, tal…”.
O coronel é João Baptista Lima Filho, um dos acusados de receber propina da JBS e com quem a Polícia Federal encontrou recibos de despesas de familiares de Temer.
O Yunes é José Yunes, ex-assessor, amigo e conselheiro de Michel Temer – a JBS afirma que o seu nome entrou na delação por confusão, por isso foi retirado.


Segundo a Folha de S. Paulo, Yunes foi assessor especial de Temer até dezembro, quando foi citado na delação do ex-executivo Cláudio Melo Filho, da Odebrecht, como intermediário de um pacote com R$ 1 milhão que conteria dinheiro para campanhas do PMDB. O ex-diretor da empreiteira disse que Temer pediu apoio financeiro para o partido na campanha eleitoral de 2014 e que mandou entregar no escritório de Yunes parte de uma remessa de R$ 4 milhões que ficaria sob responsabilidade de Eliseu Padilha, hoje ministro da Casa Civil.
Em fevereiro, Yunes foi à Procuradoria-Geral da República e afirmou que Padilha pediu que ele recebesse em seu escritório alguns “documentos”, que depois seriam retirados de lá por um emissário. Ele declarou que o pacote foi levado, posteriormente, por Lucio Funaro, apontado como operador do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Yunes afirmou que não sabia do conteúdo do envelope.

É bom lembrar que em troca do relato dos crimes que cometeu e de que tinha conhecimento, Ricardo Saud recebeu imunidade e não foi denunciado pela Procuradoria. E também que as cláusulas das delações firmadas entre o Ministério Público Federal e os executivos da JBS preveem o cancelamento do acordo em caso de omissão de informações.


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