Mais Estado em seus exercícios | Fábio Campana

Mais Estado em seus exercícios

Tramita na Câmara Federal um projeto para obrigar que todos os estabelecimentos para prática de exercícios físicos tenham posto médico habilitado para fazer ressuscitação cardiopulmonar e atender casos de urgência. O autor do projeto é o deputado Francisco Floriano, DEM/RJ.
Ontem, profissionais de educação física e representantes de academias de ginástica e prática esportiva participaram de audiência pública da Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços da Câmara dos Deputados para tratar do assunto. Não deve ter sido fácil para o deputado ouvir profissionais falando.

O presidente da Associação Brasileira de Academias, Gustavo Borges, fez um apelo aos parlamentares para que a proposta não seja aprovada. O atleta argumentou que leis como essa atrapalham o setor, porque ao instalar uma estrutura médica haverá aumento de custos e a grande maioria não suportará, o que levará a muitos locais fechados, desemprego e redução do acesso de pessoas à atividade física.

Para Mônica Marques, diretora técnica da rede de academias Companhia Atlética, a justificativa do projeto não se sustenta, uma vez que não existe no Brasil estatísticas sólidas que comprovem ocorrência significativa de mortes súbitas dentro dos estabelecimentos.

Segundo Marta, os estudos nacionais existentes mostram que quase 60% da população ativa brasileira se exercita ao ar livre e a real incidência de morte súbita no esporte é desconhecida no país. No mundo, estatísticas apontam que a cada 100 mil habitantes, morrem 30 pessoas de forma súbita. Se a pessoa pratica atividade física, a incidência cai para 2,1 mortes a cada 100 mil habitantes. “Para indivíduos saudáveis que se exercitam, principalmente sob orientação de profissional, o risco de morte é muito mais baixo”, disse.

O professor Luiz Carnevali, mestre e doutor em Ciências pela USP, também avaliou que a implantação de postos médicos nas academias é inviável e desnecessária. “Entendemos que esta implantação é desproporcional, porque vai representar na verdade um empecilho à disseminação da atividade física”, defendeu.

O pesquisador argumentou que os postos médicos não oferecem nenhuma saída prática para a ocorrência de morte súbita em academias. E explicou que o profissional de educação física passa por formação que o capacita a fazer o atendimento de primeiros socorros na academia.

Para o professor, a solução para redução do número de mortes é a formulação de programas que incentivem alimentação mais saudável e a prática de atividade física. “A academia é o fator de controle pra que as ocorrências como a morte súbita não aconteçam”, acrescentou.

O projeto também foi duramente criticado por representantes de sindicatos das academias e pelo Conselho Federal de Educação Física (CFEF).

(Com Estadão)


2 comentários

  1. sexta-feira, 23 de junho de 2017 – 8:51 hs

    “Defendo um Estado minimo. Que não se intrometa no exercício da atividade empresarial do País. O Estado não existe para isso. É o obvio ululante que regras de exercício das atividades precisam ser reguladas pelo poder público com fiscalização para que haja segurança para a população sem risco a saúde de todos. Entretanto a pretexto disso o Estado não pode querer se transformar numa atividade fim.O Estado não é um fim em si próprio. Mas um meio pelo qual os cidadãos se organizam para que haja justiça e paz social. Pelo povo. Para o povo. E com o Povo. E quando esse mesmo Estado começa a se comportar como um patrão e senhor feudal é chegada a hora de repensarmos esse Estado e seu sistema representativo. Esse tipo de intromissão é tipico de republiquetas que não tem um executivo, judiciário e parlamento forte. E é exatamente isso que estamos vivendo no Brasil atualmente. Á exceção é a Lava Jato. E só…” – Profº Celso Bonfim

  2. jaferrer
    sexta-feira, 23 de junho de 2017 – 11:06 hs

    Mais um projeto inútil e totalmente fora da realidade. Pergunto: quanto ganha este deputado, e seus colegas, para pensar(?!) e formular besteiras desse tipo. Defendo, também, o Estado mínimo, mas eficiente naquilo que é dever do Estado; quanto aos congressistas, defendo a redução drástica de suas regalias e a cobrança mais enfática por produtividade e não fantasias desse tipo.

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