Leram e não entenderam? | Fábio Campana

Leram e não entenderam?

Artigo de Valdir Bicudo

No dia 3 de março de 2016, por ocasião da 130ª Reunião Geral Anual do (The IFAB), a proeminente personagem de David Elleray (foto), diretor do Painel Técnico Consultivo do (The International Association Football Board), após um ano de estudos, apresentou o novo manual das REGRAS DE FUTEBOL 2016/2017.

No estudo desenvolvido por Elleray e sua equipe durante um ano, frases, palavras, parágrafos, virgulas e a ortografia das regras sofreram profundas mudanças.

Transformações que tiveram como objetivo precípuo, propiciar aos árbitros, aos dirigentes, aos atletas, a imprensa e aos torcedores a melhor maneira de todos lerem e entenderem de maneira clarividente a interpretar e como aplicar as regras em consonância com o seu espírito.

Quinze meses se passaram após a apresentação do novo livro das REGRAS DE FUTEBOL. Mas pelo andar da carruagem, a confraria do apito brasileiro que labora na Série (B) do Campeonato Brasileiro da CBF nesta temporada, ainda não conseguiu entender o que leu do brilhante trabalho realizado por David Elleray.

A indigitada série que tem jogos às terças, sextas e sábados, transformou-se num prato apetitoso de erros crassos de arbitragem na interpretação e aplicação das leis que regem o futebol, assim que a bola rola na relva.

Falta autoridade à arbitragem para que os atletas cumpram as suas determinações. É latente a ausência de critérios nas marcações da faltas e incorreções. Tem árbitro na Série (A) e na (B), que não tem capacidade cognitiva para definir se a falta foi imprudente, temerária ou com uso de força excessiva. Falta imprudente não se ADVERTE o jogador, diz o (The IFAB). Atleta que simula ter sofrido uma falta, deve ser punido com cartão amarelo e não com advertência verbal.

O árbitro deve ter capacidade de diferenciar simulações, puníveis com cartão amarelo e tiro livre indireto contra a equipe do infrator, de quedas casuais em função de um contato físico ou mesmo de um tropeço quando nada deve ser marcado.

A maioria das infrações assinaladas nas imediações da área penal (área de pênalti) ou dentro dela – sofrem ingentes contestações dos jogadores, que de dedo em riste e com palavras desaprovam na maioria das vezes a marcação do árbitro. Além da perda de tempo. Não satisfeitos, os jogadores insurgentes também se dirigem ao Árbitros Adicionais e apontam o dedo à sua face e proferem palavras sob os olhares imutáveis do árbitro que a tudo vê e nada faz. A regra especifica que, o jogador que desaprovar com gestos e/ou palavras as decisões da arbitragem, deve ser advertido com CARTÃO AMARELO.

Não há critério na aplicação do cartão amarelo. Tenho observado que cada árbitro tem o seu critério numa autêntica afronta às REGRAS DE FUTEBOL.

Outra deficiência da arbitragem ocorre no momento de decidir se foi mão na bola ou bola na mão. O (The IFAB) determina que: “Tocar a bola com as mãos implica o ato deliberado de um jogador tocar a bola com as mãos ou com os braços”. Devem ser considerados os seguintes critérios neste tipo de infração: O movimento da mão em direção à bola (e não a bola em direção à mão); a distância entre o jogador e a bola (bola que chega de maneira inesperada) – e a posição da mão não pressupõe necessariame nte uma infração.

Além do exposto, árbitros e assistentes têm explicitado uma deficiência de fundamental importância para ter a jogada o mais próximo possível do seu campo visual: O pilar tático (posicionamento). É falta de orientação, treinamento ou má-vontade?

Diante do descalabro aqui nominado, resta saber qual será a atitude da Comissão de Arbitragem da CBF em relação aos absurdos que estão acontecendo nas suas competições, sobretudo, na Série (B).

PS: Até porque, visando otimizar o desempenho dos apitos e bandeiras nos seus torneios, a CBF designa a cada prelio do Brasileirão este ano uma verdadeira parafernália: Dois Árbitros Adicionais, um Radar, Árbitro de Vídeo, Analista de Campo, Delegado Especial e delegado da partida.


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