Planalto teme reação da PGR à decisão do STF de soltar presos da Lava Jato | Fábio Campana

Planalto teme reação da PGR à decisão do STF de soltar presos da Lava Jato

A interrupção pelo STF (Supremo Tribunal Federal) de prisões consideradas abusivas na Lava Jato foi celebrada no centro da política em Brasília, mas o Palácio do Planalto também prevê que a decisão deve acirrar o conflito entre instâncias do Judiciário e do Ministério Público.

Auxiliares do presidente Michel Temer acreditam que o movimento do Supremo para libertar personagens presos por ordem do juiz Sérgio Moro tende a provocar reações da Justiça e dos procuradores, com efeitos colaterais sobre a classe política. O maior temor é que haja uma “roleta-russa” provocada pela disputa de poder entre o Supremo, a PGR (Procuradoria-Geral da República), o Judiciário de primeiro e segundo graus e o Ministério Público Federal no Paraná.

Aliados do presidente se dizem certos de que as condenações de políticos sem foro privilegiado por Moro tendem a ser mais rápidas e confirmadas com mais celeridade por tribunais regionais federais.

Com isso, as primeiras instâncias do Judiciário garantiriam o início da execução das penas, superando os argumentos do Supremo contra o excesso de prisões provisórias “alongadas” na Lava Jato.

Alguns assessores presidenciais dizem, inclusive, que o movimento do STF pode provocar uma reação que culmine na precipitação de denúncias da PGR contra ministros de Temer.

Esse movimento desmontaria a estratégia de manter no governo auxiliares investigados até que uma denúncia formal seja oferecida pela procuradoria. Nesse caso, o presidente seria obrigado a afastar temporariamente os ministros denunciados.

Como a Folha noticiou em abril, expoentes dos principais partidos do país passaram a articular um acordo para resguardar a classe política dos efeitos da Lava Jato. Entre as soluções estava a reversão de prisões classificadas como abusivas.

Em caráter reservado, aliados de Temer reconhecem que a decisão de relaxar prisões preventivas e temporárias tira o peso de personagens que poderiam fechar acordos de delação premiada, como o ex-deputado Eduardo Cunha e o ex-ministro Antonio Palocci.

Se as condenações forem aceleradas no Paraná e eles tiverem que começar a cumprir pena, entretanto, podem voltar a enxergar as colaborações com a Justiça como uma saída “”o que atingiria o núcleo político do governo e alas do empresariado.


4 comentários

  1. Doutor Prolegômeno
    quinta-feira, 4 de maio de 2017 – 15:02 hs

    Estranho artigo. Parece coisa de hortelão. Os tribunais estão atolados de processos antigos, com cotas do CNJ a cumprir. Vão passar na frente de todos os outros processos, inclusive processos criminais de décadas e outras urgências, para satisfazer a sanha da opinião pública e da mídia sequiosa de manchetes? É melhor instalar um tribunal exclusivo para a lava jato, ou criar vagas nos tribunais para turmas exclusivas com este fim. Será mais econômico e menos danoso para o fins da Justiça brasileira.

  2. CLOVIS PENA - Pátria livre.
    quinta-feira, 4 de maio de 2017 – 15:03 hs

    O povo está quieto mas está vivo e atento. Pátria livre !

  3. FCarraro
    quinta-feira, 4 de maio de 2017 – 15:06 hs

    Temor de que haja uma “roleta-russa” entre os Poderes… lembrando que mira-se sempre na cabeça do povo!

  4. VISIONÁRIO
    quinta-feira, 4 de maio de 2017 – 16:14 hs

    Do jeito que o STF julgou a revogação prisional do José Dirceu
    fica claro que todas as instancias precisam julgar a toque de caixa
    a maioria dos processos para que a interpretação da demora não
    seja sinal de “soltura” dos bandidos.

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