Os tropeços de Lula em Curitiba | Fábio Campana

Os tropeços de Lula
em Curitiba

Ricardo Noblat

Por mais bem orientado que tenha sido pelos que o defendem, e por mais esperto que possa ser como sua longa trajetória política o demonstra, Lula pisou na bola em diversos momentos do seu primeiro encontro face a face com o juiz Sérgio Moro. Os mais notáveis tropeços:

Em diversas ocasiões do interrogatório, Lula disse que o tríplex do Guarujá era coisa de Marisa Letícia, sua mulher. E que ele jamais encomendou, ou ficou sabendo, que o tríplex fora reformado para abrigar sua família. Se a construtora OAS o fez, o problema foi dela, interessada em vendê-lo.

Ocorre que o Instituto Lula, em nota oficial de janeiro do ano passado no formato de pergunta a resposta, e na época incorporada à retórica da defesa do ex-presidente, afirmou o que segue:

“Por que a família desistiu de comprar o apartamento? Porque, mesmo tendo sido realizadas reformas e modificações no imóvel (que naturalmente seriam incorporadas ao valor final da compra), as notícias infundadas, boatos e ilações romperam a privacidade necessária ao uso familiar do apartamento”.

Provocado pelo procurador Roberson Pozzobon, Lula afirmou diante de Moro que não fora consultado para a elaboração da nota:

– Eu não sou dirigente do instituto. A nota é feita com a direção do instituto em combinação com os advogados que conhecem o projeto e o processo todo. Nem sempre, quando a nota é feita, eu estou no instituto.

Pode não ter sido consultado. Poderia não estar no instituto quando a nota foi escrita e divulgada. Mas é impossível que não a tenha lido depois. E visto que a nota, em outras palavras, confirma o que a imprensa publicara: que o tríplex reformado se destinava à sua família. Tanto que as modificações feitas nele “naturalmente seriam incorporadas ao valor final da compra”.

O encontro com Renato Duque

O ex-diretor da Petrobras, indicado pelo PT e nomeado por Lula, havia sido preso e depois solto, denunciado pelo Ministério Público Federal por corrupção e lavagem de dinheiro, quando Lula em 2014 se reuniu com ele em um hangar do aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

Ex-presidente da República desde janeiro de 2011, o que Lula poderia querer se encontrando com uma pessoa que disse desconhecer, que jamais estivera com ela, e incriminado pela Lava Jato? Ele acionou João Vaccari, tesoureiro do PT hoje preso em Curitiba, para localizar Duque e marcar o encontro.

Lula contou a Moro que lera nos jornais que Duque poderia ter recebido parte da propina supostamente paga por empreiteiras ao PT. E que para escondê-la teria se valido de contas no exterior. O encontro serviu para que ele perguntasse a Duque se isso era verdade. Duque respondeu que não.

Em depoimento a Moro há três semanas, Duque confessou que se reuniu com Lula três vezes. E que da vez em que conversaram em Congonhas, Lula lhe disse que Dilma estava preocupada com a informação de que ele, Duque, estocava dinheiro fora do país.

Então Lula orientou Duque a encerrar imediatamente qualquer conta que tivesse lá fora para não deixar rastros e prevenir complicações futuras.

Por que Lula não se limitou a negar seu encontro com Duque em Congonhas? Porque o encontro deixou rastros. Que já foram recolhidos pela Lava Jato.

O sítio que jamais foi dele

Lula morrerá dizendo que o sítio de Atibaia, em São Paulo, onde ele e a família passaram mais de 100 fins de semana desde o fim do seu governo, não é dele e jamais foi. Está registrado em nome dos empresários Jonas Suassuna e Fernando Bittar, sócios de um dos seus filhos.

Entretanto, ao ser interrogado por Moro, ele admitiu que recebeu em seu apartamento a visita de Léo Pinheiro, um dos donos da OAS, e o arquiteto Paulo Gordilho. Motivo do encontro: tratar de um projeto de cozinha para o sítio, igual ao adotado pela OAS para reformar a cozinha do tríplex.

Se o sítio não pertence a Lula, por que a OAS o reformaria de graça como fez? E por que Léo Pinheiro o procuraria para discutir um novo projeto de cozinha para o sítio? Lula negou-se a explicar por quê. Alegou que o sítio é alvo de outro processo a ser encarado no futuro


8 comentários

  1. Parreiras Rodrigues
    sexta-feira, 12 de maio de 2017 – 17:30 hs

    No sítio, também, uma penca de objetos pessoais do casal. Toalhas,etc…

  2. iri
    sexta-feira, 12 de maio de 2017 – 18:08 hs

    Pela falta de argumentos ele fez o que de melhor faz, jogou a culpa na defunta da mulher dele, ela já morreu mesmo, apesar que há quem diga que ela está fora do país bem escondidinha e vivinha da silva, quem viu ela ser enterrada, quem fotografou??????

  3. Bilbo
    sexta-feira, 12 de maio de 2017 – 19:12 hs

    Covarde, como sempre foi. O Emílio Odebrecht, que conhece o ex-presidente desde o tempo em que ele era sindicalista, afirmou que Lula sempre foi um bon vivant, um boa vida. Fazia conchavo com os empresários, com os patrões, arrancava uma concessãozinha para os trabalhadores, fazia média e virava herói. Sempre foi um preguiçoso, um vadio, um mulherengo, chegado em botecos, pinga, pescaria (com o Samek) e outros pecadilhos… Pecadilhos, não pecados, porque até antes de se eleger presidente, Lula ainda tinha certo constrangimento em fazer coisas desonestas. Depois de eleito, trocou os pecadilhos por pecados. E bota pecado nisso… O destino de Lula é o inferno, ele que se prepare, pois o diabo quer ser vingar dele.

  4. GIBA HUM
    sexta-feira, 12 de maio de 2017 – 23:01 hs

    De um desvairado total só poderia essa tamanha covardia.

  5. Juca
    sábado, 13 de maio de 2017 – 3:18 hs

    O problema do Lula é que nem o diabo vai querer tê-lo no inferno depois disso tudo!

  6. Fiora Neto
    sábado, 13 de maio de 2017 – 6:54 hs

    O que mais nos espanta em tudo isso – são os que ainda acreditam na honestidade do Lula, e de que o PT não é uma organização criminosa… os néscios encantados, ou pobres corruptos de 3ra linha, que sobrevivem das migalhas que caem do exéquias em curso…

  7. Larry de Camargo Vianna Nascim
    sábado, 13 de maio de 2017 – 10:48 hs

    Este verme é tão vagabundo q tá terceirizando tudo até as suas culpas. E os filhos vão ficar quietos? Todos vermes ao deixarem o pai detratar a mãe morta. VAGABUNDOS

  8. VISIONÁRIO
    domingo, 14 de maio de 2017 – 8:53 hs

    O futuro do sapo barbudo ninguem sabe porque desta justiça bra-
    sileira não espero mais nada apesar do esforço do Ministério Público
    e do digníssimo Moro. Se todas as regalias são mantidas por todos
    os ladrões comprovados, presos ou não, e ainda não devolveram
    tudo que nos roubaram, o que mais esperar !? Crimes como estas
    na Indonésia teria pena de morte. Por aqui se alastra porque puni-
    ção na verdade é ter o luxo de usar tornozeleira cravejada de dia-
    mantes por um ano e depois partir para Monaco no “dolce far niente”.

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