Huck: 'Não sou candidato a presidente, mas não vou deixar de me envolver' | Fábio Campana

Huck: ‘Não sou candidato a presidente, mas não vou deixar de me envolver’

artigo de Luciano Huck, na Folha de S. Paulo

Não, não sou candidato a presidente da República.

Um assunto como esse, contudo, não pode ser tratado sem reflexão.

Nunca falei que seria candidato a nada, mas nunca me esquivei de me posicionar. Acho que sempre fui alguém movido pela vontade de aprender e por uma curiosidade inata e verdadeira.

Em mais de 20 anos de carreira, sempre quis ser alguém que se coloca, que está presente na cena nacional e faz o que pode para usar sua energia a favor da evolução da sociedade e da nação. Nunca fiquei escondido atrás do conforto da indiferença e da fama, nunca me omiti, fazendo cara de paisagem, só posando para selfies e fingindo não ver o mundo em que estou.

Por força do meu trabalho, nas últimas duas décadas viajei este país de ponta a ponta, entrei na casa das pessoas, dividi com elas seus sonhos, compartilhei seus desejos, sem nenhuma intenção além de ouvir e de contar suas histórias.

Sempre disse que meço o sucesso daquilo que faço pelo impacto positivo que eu possa produzir na vida das outras pessoas. Mas o melhor tem sido descobrir que o meu maior aprendizado vem justamente do impacto da vida de outras pessoas sobre a minha.

Dito isso, não tenho a menor dúvida de que estas duas últimas décadas de trabalho na televisão me ensinaram muito e, por consequência, fizeram de mim um homem, pai, marido e cidadão melhor.

Mas posso dizer também que vi o Brasil profundo como poucos têm a chance (e, às vezes, a disposição)de conhecer. Vi e vivi os vários países que coexistem dentro dos contornos do Brasil. Ainda que a língua seja a mesma, sei que nossos problemas possuem sotaques incrivelmente diferentes.

Sem qualquer convite, fui dragado para uma discussão política, um lugar fora de minha área de conforto. Com a curiosidade e o interesse pela vida que sempre me moveram, eu me senti inclinado a aprofundar o olhar.

O fato é que, neste momento da história, observo um ou outro movimento interessante e positivo, mas ainda não vejo liderança capaz de desenhar e defender um projeto de Brasil coerente e eficaz que nos inspire, que nos mobilize. E esse não é um sentimento só meu, o que cria campo fértil para especulações políticas.

Meu nome foi levado para esse debate, em boa medida, por ter afirmado que está na hora de minha geração ocupar espaços de poder.

Não vou me furtar a esta discussão, mas isso não significa que esteja me lançando a qualquer tipo de cargo. Neste momento da minha vida e carreira, não acho que seja necessário, nem produtivo, fazer uma mudança tão radical de rota.

A política não se resume a partidos, mandatos ou cargos. Sinto-me fazendo política pelo simples fato de estar preocupado em discutir ideias, conectar pessoas, apoiar causas e, principalmente, poder usar da visibilidade e do crédito que conquistei com muito trabalho para apontar a direção que entendo ser melhor para o conjunto.

Usar a força da TV aberta e das redes sociais para inspirar, transformar, mostrar que, mesmo vivendo em um país tão desigual, não precisamos ficar inertes, como se a realidade não pudesse ser alterada.

Estamos em um momento do país em que todos devemos ser políticos, ressignificar essa palavra, trazê-la para o centro das discussões. Temos que superar a polarização patrulheira e começar a discutir ideias e projetos.

Esquerda ou direita, isso deveria importar menos -precisamos das duas pernas. Temos que ser curadores das boas ideias, de gente competente que queira se dedicar de fato à gestão pública, a servir. Acredito que só assim criaremos políticas que apontem para um projeto maior e mais justo de país.

Não vamos conseguir desmontar as engrenagens do poder, mas podemos consertar a lógica da estrutura -e, principalmente, podemos mudar radicalmente quem as faz rodar. Temos que aposentar os velhos vícios de como se faz política, e com eles seus criadores e protagonistas.

As ideias, as iniciativas e os bons projetos vão surgir, mas o maior ativo sempre serão as pessoas. Gente que possa fazer a diferença na vida dos outros.

Reafirmo: não sou candidato a nada. Mas também não vou deixar de me envolver e de me dedicar à transformação do país.

Acredito que, de onde estou, posso fazer muito e contribuir muito mais. Por exemplo: mostrando o país de verdade, erguendo pontes entre os diversos mundos contidos nele, apontando caminhos, contribuindo com a construção de um olhar mais crítico, atuando via tecnologia.

Contem comigo na construção deste Brasil mais humano, mais positivo e mais justo de se viver.

LUCIANO HUCK é apresentador de TV e empresário.


8 comentários

  1. SR. EUDES
    domingo, 14 de maio de 2017 – 16:25 hs

    PELO AMOR DE DEUS !. É TUDO QUE O TAL DO HUCK (QUAL O NOME DELE, AFINAL ?) ESTÁ QUERENDO. A MÍDIA ESTÁ DANDO CORDA DEMAIS PARA ESSE ELEMENTO AFINAL, QUEM ESTÁ BANCANDO TODA ESSA PROPAGANDO PARA ESSE ELEMENTO ???. AQUI NO PARANÁ, DEVÍAMOS NOS ABSTER DESSA BESTEIRA E DEIXAR ESSE FAMIGERADO ASSUNTO PARA OS IGNÓBEIS !!!.

  2. AMO
    segunda-feira, 15 de maio de 2017 – 6:11 hs

    Até aí tudo bem, mas me conta direitinho como se deu a venda da casa de praia em Búzios pro filho do capiroto (lulinha ladrãozinho).

  3. CREDULINO D'ALMA
    segunda-feira, 15 de maio de 2017 – 9:47 hs

    DUAS OPÇÕES:
    1- ACREDITAR EM TUDO O QUE DISSE; E NESSE CASO PENSAR QUE TRATA-SE DE UM FILANTROPO, UM IDEALISTA QUE DESEJA USAR SUA OPORTUNIDADE DE RIQUEZA PARA MELHORAR O BRASIL E O MUNDO.
    2- NÃO ACREDITAR EM NADA NO QUE DISSE; E ASSIM ANALISAR A PLATAFORMA POLÍTICA PARA UMA CANDIDATURA A SEI-LA-O-QUÊ?, EXPOSTA NA VONTADE DE “POSICIONAR-SE” E “CRIAR PONTES”…
    ESCOLHE AÍ…

  4. BETO
    segunda-feira, 15 de maio de 2017 – 10:43 hs

    Pelo amor de Deus. Cogitar o nome desse babaca a candidato a Presidência é demais. Esse cara não representa nada politicamente. Tem um programa idiota, feito pra imbecís que não colabora com absolutamente nada. Acho que a mídia nem deve mencionar o nome desse sujeito pra nada.

  5. Parreiras Rodrigues
    segunda-feira, 15 de maio de 2017 – 16:53 hs

    Apesar de tudo, o Brasil não merece.

  6. Benjamin Button
    segunda-feira, 15 de maio de 2017 – 18:51 hs

    Meu Deus do céu, este narigudo acha que todo mundo é idiota ou está precisando reformar a lata velha? Vê se cresce narigudo, não esquecemos da tua amizade interesseira com o Cabral, aquele ladrão carioca, sabe aquele teu amigo.

  7. Motoqueiro Infernal 666
    terça-feira, 16 de maio de 2017 – 9:04 hs

    O texto é bom… mas o problema já foi criado pela rede…
    Tudo neste mundo tem consequências, é o princípio da ação e reação… Infelizmente ano que vem a coisa vai ser muito complicada.

  8. EUDENOVO
    terça-feira, 16 de maio de 2017 – 10:40 hs

    Com esse narigão o cara já é ladrão de oxigenio mesmo sem ser politico.Imaginem esse sujeito no poder.Vai roubar até entupir as ventas,não só de oxigenio,mas de tudo o que for roubável.

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